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Novas tecnologias digitais auxiliam produção no campo

Pável Bauken

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Usar um sensor para prever se vai chover em uma propriedade e, assim, identificar o melhor momento de aplicar um defensivo agrícola. Ter um equipamento em um trator que monitora se ele para ou quebra de modo a permitir uma manutenção rápida. Inserir pequenos aparelhos no solo para ter indicadores para o plantio, como por exemplo, o nível de umidade. Essas são algumas das aplicações da chamada Internet das Coisas (IdC) que começam a ser implantadas em projetos no campo.

IdC (ou IoT, sigla em inglês para “Internet of Things) é um nome dado a um conjunto de tecnologias que permite um monitoramento mais eficiente, em diversas áreas e em tempo real por meio de dinâmicas de comunicação máquina a máquina com diversas finalidades, como elevar a capacidade de monitoramento e controle sobre uma determinada atividade, como nos exemplos citados acima.

Essas tecnologias trazem novas possibilidades na gestão da produção rural. Satélites com serviços mais acessíveis viabilizam o monitoramento de lavouras. Colheitadeiras modernas permitem saber a produtividade por talhão (unidade por área). Soluções de irrigação inteligente avaliam o nível de água no solo para evitar desperdício e diminuir gastos.

Segundo a chefe-geral da unidade de informática agropecuária da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, embora várias dessas tecnologias estejam começando a ser adotadas no Brasil, o país ainda está em um estágio inicial no emprego de IdC no campo e tem como desafio integrar os projetos e soluções sendo utilizadas.

“O desafio nosso é o fato de que você já tem vários tipos de dispositivos. Mas não tem ainda estes conectados ou porque não tem conectividade no campo ou porque os dados são heterogêneos ou porque não tem forma de integrar em aplicação”, explica a chefe da Embrapa. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2018, do Comitê Gestor da Internet, enquanto o percentual de brasileiros conectados nos centros urbanos chega a 80%, nas áreas rurais ele fica em 59%.

Projetos-piloto

Um dos projetos-piloto em desenvolvimento pela Embrapa tem como foco o monitoramento de pragas e doenças. Por meio do monitoramento e previsão do clima com o uso de estações meteorológicas o objetivo é evitar a incidência de ferrugem asiática na soja. “O sistema vai receber a data mais certa para aplicar o defensivo dependendo do clima, cruzando com dados da doença. Vamos medir se isso realmente ajudou a reduzir custo e aumentou produtividade”, explica Silvia Massruhá.

Outro projeto, também coordenado pela empresa pública, envolve a otimização de formas denominadas no setor de “integração lavoura, pecuária e floresta”. Um produtor de soja, por exemplo, que planta durante três meses fica com a área ociosa no restante do ano. Ele poderia, com auxílio das tecnologias, encontrar outros usos para o solo, como o plantio de pastagem para a criação de gado. Ao lado do pasto poderia ser plantado eucalipto, o que possibilita sombra para os animais.

Os sistemas de Internet das Coisas no projeto-piloto vão medir diversos aspectos dessa integração. É o caso dos níveis de adubação do solo. Os bois terão chips implantados e por meio desse equipamento e outros (como balanças) será realizado um cruzamento de dados com outros aspectos, como alimentação, para identificar o seu desenvolvimento e a melhor hora do abate. O teste será realizado com produtores em cinco estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Piauí.

No Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, um terceiro projeto-piloto busca otimizar a produção de leite, com procedimentos como o monitoramento da alimentação dos bois e a automatizando da ordenha. Ao fim, o leite será comparado com outros sem a adoção dessas tecnologias para avaliar se essas soluções geraram melhoria da quantidade e da qualidade do produto.

O centro de desenvolvimento de tecnologia CPQD conduz um projeto com uma empresa agropecuária instalando sensores em tratores e outros equipamentos com o propósito de monitorar o desempenho das máquinas. O sistema vai acompanhar a distância rodada, o consumo de combustível e eventuais problemas de modo a identificar demandas de manutenção.

“Imagina se você está no meio do campo e a máquina quebra. O produtor tem que parar a colheita, remover a máquina e mandar outra. Se for possível pegar todos os dados dela e prever que ela tem possibilidade muito grande de quebrar, a pessoa poderá encaminhar pra manutenção antes que ocorra alguma coisa”, explica o diretor de inovação do CPQD, Paulo Curado.

Políticas públicas

A agropecuária é apontada por pesquisadores, empresários e autoridades como um dos setores onde as tecnologias de Internet das Coisas vêm obtendo evolução mais rápida. “Tem muito potencial no Brasil na parte de agricultura. É uma das áreas prioritárias e que vem forte nos próximos anos”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), Flávio Maeda.

A área foi escolhida como uma das prioritárias no Plano Nacional de Internet das Coisas, lançado em junho. O documento aponta diretrizes genéricas, sem entrar nos detalhes de que medidas serão adotadas por órgãos estatais para estimular essas tecnologias no campo.

A elaboração de propostas e projetos ficará a cargo de um grupo criado para esta finalidade, denominado Câmara Agro 4.0. Encabeçado pelos ministérios da Agricultura (MAPA) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), contará também com a participação de outros órgãos, de pesquisadores e de associações e empresas do setor no país.

Segundo o secretário de inovação, desenvolvimento rural e irrigação do MAPA, Fernando Camargo, os integrantes vão avaliar ações em diversas frentes. A mais importante será a ampliação da conectividade nas áreas rurais, dada a extensão territorial e o contingente de pessoas ainda fora da Internet nesses locais. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2017, do Comitê Gestor da Internet, enquanto o índice de lares com acesso à web é de 65% nas regiões urbanas, nas rurais ele cai para 34%.

A Câmara também deverá se debruçar sobre programas para fomento à aquisição e difusão de tecnologias inovadoras. Dentre essas, um dos intuitos é estimular a criação e o crescimento das empresas de base tecnológica, também conhecidas como startups. O objetivo com a disseminação dessas soluções técnicas é ampliar a produtividade no campo. “Precisamos incentivar novas empresas, startups, para aumentar cadeia produtiva dentro da área do agronegócio”, defendeu o titular do MCTIC, Marcos Pontes, no evento de lançamento da Câmara.

Agência Brasil
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Agro

Milho e girassol estiveram em pauta na região de Santa Rosa

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Foi a campo que agricultores e técnicos puderam visualizar e discutir aspectos da produção e manejo das culturas do milho e do girassol, na região de Santa Rosa. O Dia de Campo sobre as culturas foi realizado nesta sexta-feira (21/02), no campus da Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem), resultado da iniciativa de diversas entidades que se reúnem periodicamente para a realização de atividades técnicas e extensionistas: Emater/RS-Ascar, Setrem, Cotrimaio, Sicredi, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Sindicato Rural. Neste evento contou-se também com o envolvimento da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e de diversas empresas de híbridos de milho.

Os participantes acompanharam as estações sobre materiais genéticos de milho e de girassol apresentados pelas empresas Agricomseeds, Morgan, Pionner e Advanta.

Informações sobre novas normas no uso de agrotóxicos também estiveram em pauta na estação coordenada pelos fiscais agropecuários da Seapdr, Márcio Amaral Albuquerque e André Ebone, com destaque para as Instruções Normativas 05, 06, 08 e 09/2019. As normas estabelecem a criação de um cadastro de aplicadores de produtos agrotóxicos hormonais, a declaração de aplicação por parte dos produtores rurais e o Termo de Conhecimento de Risco e de Responsabilidade. As regras levam em conta os impactos causados por casos de deriva do herbicida 2,4-D em culturas sensíveis.

A Seapdr, com o apoio de entidades parceiras, está promovendo capacitações nos municípios em que laudos da secretaria confirmam a presença de resíduos de 2,4-D em culturas sensíveis como da maçã e da uva. O armazenamento de embalagens de agrotóxicos também foi orientado.

O extensionista rural do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, Fábio Karlec, orientou sobre o funcionamento do Programa Troca-troca de Sementes, da Seapdr, que disponibilizou, no último ano, 41 variedades de sementes de milho híbrido e transgênica e sorgo, com 28% de subsídio aos produtores rurais. Foram em torno de 9 mil sacas disponibilizadas aos produtores. Karlec orientou sobre as variedades existentes e os aspectos que devem ser levados em conta no momento de sua escolha.

O Dia de Campo seguiu na estação sobre manejo de nitrogênio em milho, prática importante para atingir altas produtividades, com orientações do pesquisador da Embrapa Trigo, Fabiano Debona. Também destacou fatores que influenciam a resposta do milho à aplicação de nitrogênio.

O controle biológico, com a liberação de inimigos naturais com uso de drones, foi tema da estação conduzida pelo engenheiro agrônomo da Geoplan, Cristiano Costalunga Gotuzo.

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Agro

Praticamente metade da safra do milho já está colhida

Reporter Cidades

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Prossegue a colheita do milho no Estado, que já está praticamente metade concluída. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado, nesta quinta-feira (20/02), pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), o grão, colhido com baixa umidade, apresenta boa qualidade.

A produtividade obtida é boa nas áreas semeadas no cedo e mais ao Norte do Rio Grande do Sul, mas é menor nas lavouras plantadas no tarde e em regiões prejudicadas pela estiagem, muitas delas aproveitadas para a confecção de silagem. O volume de chuvas foi reduzido no período e atingiu apenas algumas regiões. Os agricultores aguardam adequadas precipitações que evitarão mais perdas na cultura, que já está com 46% da área cultivada colhida. As lavouras encontram-se 11% em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo, 8% em floração, 18% em enchimento de grãos e 17% está maduro, pronto para colher.

O desenvolvimento da soja foi moderado no período da última semana, variando conforme a ocorrência das chuvas nas regiões. Nas áreas onde as precipitações atingiram volumes adequados, as perspectivas de produtividade são normais. Já nos locais onde o volume foi menor ou nas quais não ocorreram precipitações, a soja apresenta sintomas de déficit hídrico e aponta para redução na produtividade. As primeiras lavouras começam a ser colhidas e já atingem 1%. A cultura está 8% em fase de desenvolvimento vegetativo, 27% em floração, 58% na fase de enchimento de grãos e 6% maduro e por colher.

As lavouras de arroz estão com bom desenvolvimento. Com o tempo quente e a plena radiação solar favorecendo a cultura, a expectativa é de bons rendimentos. Já iniciou a colheita da cultura, atingindo 3% das áreas cultivadas já colhidas, obtendo-se ótimas produtividades nas lavouras da Fronteira Oeste e produtividade dentro da média esperada nas demais regiões.

De forma geral, os níveis dos reservatórios continuam adequados nas principais regiões produtoras, mas alguns produtores esperam maiores precipitações para ser possível manter a irrigação e o potencial produtivo. A cultura encontra-se 10% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 33% em floração, 35% em enchimento de grãos e 19% em maturação.

Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, a colheita de feijão da primeira safra está concluída, e a produtividade variou entre 1,2 e 1,6 toneladas por hectare, esta última obtida em Salvador das Missões. Na regional de Frederico Westphalen, a colheita já foi encerrada, e a cultura teve um bom desenvolvimento, com produtividade média de 1,8 toneladas por hectare e um produto de boa qualidade. A colheita da cultura também está concluída na de Ijuí e apresenta produtividade média de 24,74 sacos por hectare, dentro do esperado. O produto colhido é de excelente qualidade. Na regional de Erechim, a colheita da primeira safra foi concluída. O rendimento tem sido bastante variável, situando-se entre 25 e 60 sacos por hectare. Na de Santa Maria, a primeira safra de feijão já está colhida, em um total de 1,5 mil hectares. Em decorrência da estiagem, foram grandes as perdas na cultura.

Na regional de Frederico Westphalen, a expectativa é de que sejam semeados mais de nove mil hectares de feijão na segunda safra. A estiagem contribuiu para a formação desta área devido à antecipação da colheita de lavouras de milho e da soja precoce; 80% da área já está semeada e encontra-se em estágio de emergência e desenvolvimento vegetativo. De maneira geral, as lavouras apresentam bom estande de plantas e necessitam de chuvas para a aplicação da primeira parcela da adubação nitrogenada.

As lavouras do feijão segunda safra, da região de Santa Rosa, apresentam boa germinação e desenvolvimento. Estão em andamento o controle de ervas daninhas e as pulverizações com inseticidas para controle de pragas. Na de Santa Maria, o plantio do feijão da segunda safra iniciou após o retorno das chuvas. A intenção de plantio para a safrinha é de 1.053 hectares.

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Agro

Rio Grande do Sul sem vacinação contra febre aftosa é pauta de reunião

Pável Bauken

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Agricultores, lideranças e técnicos reuniram-se na última sexta-feira (14/02), no Sindicato Rural de Santa Rosa, para nivelar as informações sobre a situação atual da febre aftosa e discutir a possibilidade de suspender a vacinação contra esta doença no Rio Grande do Sul. Nesta mesma semana foram realizadas reuniões também em São Borja, Palmeira das Missões, Cachoeira do Sul, Glorinha, Passo Fundo e Santo Ângelo. No total foram 86 seminários em que o tema esteve em pauta.

A reunião foi coordenada pelo Sindicato Rural de Santa Rosa e pelo Departamento de Defesa Agropecuária da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e contou com a presença de representantes da Emater/RS-Ascar, do Sindicato Rural, de cooperativas, de Inspetorias Veterinárias, da Prefeitura de Santa Rosa, de lideranças locais e pecuaristas. Foi discutido o Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (Pnefa), visando compartilhar responsabilidades e fortalecer as parcerias dos agentes envolvidos.

Fernando Groff, da coordenação do Pnefa/RS, falou sobre os impactos e a importância de atingir as condições sustentáveis de garantia do status de estado livre de febre aftosa sem vacinação. “Há um Plano Estratégico 2017-2026, que vem sendo executado, dentro do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa”, destacou. Os pilares para o controle da febre aftosa são a vigilância a campo, o controle de trânsito, a capacidade de resposta, o controle cadastral e análise de risco, que devem ser reforçados após a retirada da vacinação.

Porque o assunto está em pauta

A febre aftosa é uma doença infecciosa aguda, provocada por vírus, que causa febre, seguida do aparecimento de vesículas (aftas), principalmente na boca e nos pés de animais de casco fendido. Os últimos focos registrados no Brasil foram no Rio Grande do Sul, em 2001, no Pará, em 2004, e no Mato Grosso do Sul e no Paraná, em 2005.

Groff explica que os motivos de buscar o fim da vacinação apontam para situações como conquistas de potenciais mercados importadores, além de “o Departamento de Defesa Agropecuária estar trabalhando para estruturar o sistema de vigilância com a intenção de sustentar o avanço da situação sanitária em febre aftosa”. O RS está há quase 20 anos sem foco da febre aftosa e, assim, deve seguir.

A decisão da retirada da vacinação depende do trabalho técnico do Departamento de Defesa Agropecuária; da anuência do Ministério da

Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); do interesse e do comprometimento dos setores produtivos no processo; e da articulação política – Executivo e Legislativo – na sustentabilidade do programa.

Vigilância e Educação Sanitária

Para Groff, saúde animal é um compromisso e interesse de responsabilidades compartilhadas. Desde 2018, a Seapdr executa o projeto de Vigilância Ativa de forma mais intensa em áreas de fronteira, abrangendo a cada ano em torno de 4.600 propriedades. Também está em execução um estudo de soro epidemiológico para febre aftosa em 2019-2020. São abrangidas 97 propriedades rurais com amostras coletadas em 4.780 animais. O fortalecimento do sistema de vigilância e capacitação continuada das equipes são outras estratégias adotadas.

O Projeto Fronteira, desenvolvido nos territórios fronteiriços ao Uruguai e à Argentina, também chegou à região de Santa Rosa, onde conta com o envolvimento direto da Emater/RS-Ascar. A proposta consiste em ações de conscientização sobre a retirada da vacinação da febre aftosa. Além disso, são realizadas ações de educação sanitária com foco nas obrigações sanitárias do produtor rural, incluindo orientação para que faça a notificação de doenças e mantenha suas obrigações sanitárias em dia junto à Seapdr. Diante disso, o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Ademir Renato Nedel, e o extensionista rural do Escritório Regional Jorge João Lunardi, participaram da reunião, bem como técnicos de municípios da região e o coordenador regional da Seapdr, Felipe Weiler, com quem se trabalha em parceria.

Outras informações sobre o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa podem ser acessadas no link www.agricultura.rs.gov.br/aftosa.

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