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Mercado de defensivos biológicos avança

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O aumento na demanda por produtos mais sustentáveis e alternativos aos químicos na agricultura impulsiona o mercado de defensivos biológicos, não apenas no Brasil, mas no mundo. A tecnologia é recente e se baseia no controle de pragas por meio de organismos vivos que são seus inimigos naturais, o que reduz o risco de poluição do meio ambiente e a exposição a produtos tóxicos, tanto das lavouras, quanto dos trabalhadores. O principal embalo do mercado ocorre com a entrada de grandes indústrias no segmento, como a Syngenta, o que possibilita aumentar a escala de produção e ampliar o acesso a esses produtos.

A parcela que os biológicos representam no mercado total e global de defensivos ainda é muito incipiente – cerca de 2% de um total de US$ 11 bilhões -, mas segundo a diretora de biológicos da CropLife Brasil, Amália Borsari, o que chama a atenção não é a fotografia do momento, mas a perspectiva de crescimento, que é muito rápida. No País, uma pesquisa feita pela consultoria Spark Inteligência Estratégica e divulgada em outubro mostrou que o mercado movimentou quase R$ 1 bilhão na safra 2019/20, 46% a mais que na temporada anterior. Nesse sentido, a área potencialmente tratada com os biológicos aumentou 23%, para 19,4 milhões de hectares.

Segundo Amália, mais da metade dos produtos disponíveis no segmento foi lançada nos últimos dois anos. Foi nesse período também que houve um aumento na capacidade produtiva das empresas, o que, dentre outros fatores, favorece uma projeção de crescimento de 20% a 30% no mercado de biológicos ao fim de 2020, quando comparado a 2019, conforme a CropLife, que agrega uma série de entidades do setor, inclusive a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). “Esse mercado não está consolidado no Brasil, estamos em uma curva de crescimento acelerada, diante de uma série de oportunidades. Por isso, o potencial é enorme”, disse ela.

Apesar da perspectiva positiva, como a tecnologia é recente, o mercado encontra desafios em questões regulatórias e na tecnificação dos produtores rurais. De acordo com a especialista, o setor está avançando e conseguindo criar um ambiente “menos engessado” para aprovação de novas tecnologias, em diálogo com o Ministério da Agricultura, a Anvisa e o Ibama. “Normalmente, as políticas públicas não acompanham, no mesmo compasso, o desenvolvimento tecnológico, mas temos sempre de buscar esse ambiente propício para a inovação, trazendo segurança e qualidade para o produtor”, disse.

Baixo risco

Apenas em 2020, o Ministério da Agricultura aprovou 76 registros de produtos considerados de baixo risco, dentre biológicos, microbiológicos, semiquímicos, bioquímicos, extratos vegetais e reguladores de crescimento ou de agricultura orgânica. Isso representa um aumento de 76,74% ante o número de 2019, quando 43 registros foram aprovados, segundo dados fornecidos pela pasta.

Além disso, o governo federal segue elaborando normativas que facilitam os registros de defensivos biológicos. Na quarta-feira, por exemplo, quatro novas especificações de referência (ER) foram publicadas, guiando e ampliando as opções para solicitações de registros dos produtos.

Outro ponto que Amália chama atenção é o desconhecimento da tecnologia por grande parte dos produtores rurais, o que ela considera um desafio para a indústria, que precisa direcionar os seus investimentos para capacitação técnica. “Se a indústria estiver mais perto do produtor, auxiliando no manejo dos biológicos de forma integrada aos produtos agroquímicos, vai resultar em um crescimento acelerado do mercado”, acrescentou. A integração das tecnologias é, de fato, uma pauta das grandes indústrias, que vêm investindo no nicho e ampliando a oferta de produtos, caso da Basf, Bayer CropScience, Corteva Agriscience e da Syngenta, que concretizou o interesse no mercado com a aquisição da italiana Valagro em outubro.

O líder de Biológicos para a América Latina da Syngenta, Thomas Altamann, comentou que nos últimos anos o mercado vem notando a necessidade de oferecer soluções que possam contribuir com o melhor manejo de resistência, além da melhoria da qualidade do solo das culturas tratadas. Nesse sentido, “os biológicos têm um encaixe muito adequado dentro do que o mercado e a sociedade demandam”.

Em relação à taxa de utilização, ele disse que os agricultores brasileiros têm uma forte característica inovadora e empreendedora e, por isso, estão avançando de forma rápida na curva de aprendizado. “É um nicho que cresce no mundo todo, com a taxa de utilização aumentando em uma faixa muito superior à que cresce a dos produtos convencionais”, disse ele, acrescentando que no mundo a alta anual se aproxima dos 10%, enquanto no Brasil o avanço tem ficado entre 13% e 14% no ano.

Embora o segmento de hortaliças e frutas tenha, inicialmente, mostrado maior afinidade com o uso de defensivos biológicos, nos últimos anos, os produtos já chegaram às lavouras maiores, como de soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Por Julliana Martins

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Produção de milho em terras baixas é tema de encerramento do ciclo de Webinar Técnico

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O tema “Produção de milho em terras baixas” esteve em debate na manhã desta quinta-feira (17/06) durante 12º, e último de um ciclo, Webinar Técnico do Pró-Milho/RS, promovido pela Emater/RS-Ascar e Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr). O evento online contou com a participação de mais de 400 pessoas, sendo transmitido ao vivo e simultaneamente pelo Facebook e pelo Youtube do Programa Rio Grande Rural da Instituição.

O evento, mediado pelo extensionista Carlos Gabriel Nunes dos Santos, contou com as boas-vindas do engenheiro agrônomo e coordenador das Câmaras Setoriais e do Departamento de Políticas Agrícolas e Desenvolvimento Rural da Seapdr, Paulo Lipp. “Quero desejar um bom evento a todos e agradecer às parcerias envolvidas na realização e desenvolvimento do Pró-Milho/RS que foi lançado há mais de um ano, um mês antes da pandemia, e com ajuda da Emater e de todos os parceiros do Pró-Milho nos adaptamos a restrições necessárias”.

E também do representante da Apromilho/RS, Ricardo Meneghetti. “É uma grande satisfação participar de mais um evento propiciado pela Seapdr e Emater, que tem ajudado tanto a desenvolver o milho em nosso Estado, uma cultura extremamente importante e que é base de uma cadeia produtiva enorme. Que essa série se encerre com chave de ouro, como está parecendo ser – porque quanto maior conhecimento, maior a produção – e que nós tenhamos cada vez mais incentivos à produção de milho”.

Depois de também dar as boas-vindas, como palestrante, o diretor Técnico da Emater/RS, Alencar Rugeri, afirmou ter deixado para o último webinar do ciclo o Panorama do Milho no RS, tendo na última safra uma produção de 4,3 milhões de toneladas em 796,2 mil hectares, uma produtividade média de 5,4 toneladas por hectare. Falou também da distribuição da cultura no Estado e da produção de milho silagem. “Só queríamos fazer essa apresentação bastante simbólica em relação àquilo que o milho apresenta no RS, uma cultura que precisa ser qualificada, mas que já foram dados belos passos avançando na autossuficiência de milho que é aquilo que o Programa se propõe”.

A segunda palestra ficou por conta do engenheiro agrícola e pesquisador da Embrapa Clima Temperado, José Maria Barbat Parfitt, que apresentou o projeto Sulco – Tecnologia de Produção de Soja e Milho Irrigados no Sistema Sulco-camalhão. “O projeto inicialmente começou com a cultura da soja, mas com a demanda, necessidade, foi incluída a cultura do milho também”.

Sulco-camalhão é um sistema de configuração da superfície do solo, o qual constitui-se numa tecnologia eficiente de irrigação e drenagem destinada a áreas com relevo pouco declivoso e com solo de baixa permeabilidade. Na região de terras baixas do Estado menos declivosas é necessário que tenhamos um sulco de dimensões que permita uma boa drenagem, mas principalmente que permita realizar a irrigação de uma forma rápida. “A meta é atingir níveis altos e estáveis de produtividade, com rentabilidade, nas culturas de sequeiro em terras baixas do RS em rotação com arroz irrigado”.

O último Webinar deste ciclo está disponível para ser acessado a qualquer tempo no Facebook e Youtube da Emater/RS-Ascar. Confira https://bit.ly/2U5bwzO.

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Agro

Dia de Campo Virtual atrai mais de 500 participantes

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Organizado pela Emater/RS-Ascar de Santa Maria, vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), o Dia de Campo Virtual que abordou as Alternativas Alimentares para Pecuária e a Sucessão Rural na Região Central do RS contou com a participação de mais de 500 participantes. O evento foi transmitido ao vivo e simultaneamente no Facebook e no Youtube da Instituição na tarde da última terça-feira (15/06).

Mediado pela extensionista Elusa Andrade, o evento contou com as boas-vindas do gerente regional de Santa Maria, Guilherme Godoy dos Santos, e do diretor Técnico da Emater/RS-Ascar, Alencar Rugeri.
Dos Santos afirmou que foi um momento de compartilhar experiências e informações técnicas. “As quais permitem auxiliar no aumento da produtividade e sustentabilidade, bem como na garantia da Sucessão rural”. Rugeri parabenizou pela organização do evento. “Estamos na vanguarda desse formato com mais de 500 inscritos em um Dia de Campo gravado nas propriedades e transmitido virtualmente”.

Em seguida, foram apresentadas quatro estações (temas) em formato de vídeos gravados a campo, em propriedades de quatro municípios: Nova Esperança do Sul, Paraíso do Sul, Dilermando de Aguiar e Pinhal Grande. As informações e conhecimento das estações de Manejo de Pastagens; Pastagens perenes tropicais; Produção de Silagem e a Cultura do Sorgo; e Sucessão Rural na região Central do RS; foram transmitidos pelos extensionistas Roblein Filho, Cássio Milbrandt, Flávia Dalmolin Michelon, Wladimir Cadó, Luana Tironi, Diego Katzer, Pedro Urubatan da Costa e Adriana Bittencourt Pereira.

No final, houve um momento para tirar dúvidas com os extensionistas ao vivo. O evento pode ser acessado a qualquer tempo pelo link https://bit.ly/3cNJBuD.

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Agro

Emater/RS-Ascar orienta sobre implantação de sistemas de irrigação em pastagens

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Foto: Deise Froelich

Quem acompanhou o Seminário de Irrigação em Pastagens, promovido pela Emater/RS-Ascar e pela Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), nesta quinta-feira (10/06), teve a oportunidade de acompanhar orientações práticas sobre elementos decisórios, viabilidade e custos de sistemas de irrigação. As palestras virtuais, mediadas pelo extensionista do Escritório Central da Emater/RS-Ascar Carlos Gabriel Nunes dos Santos, foram transmitidas e seguem disponíveis no Canal do Rio Grande Rural, no YouTube, e na página oficial da Emater/RS-Ascar no Facebook.

O coordenador das Câmaras Setorias e Temáticas da Seapdr, Paulo Lipp, frisou que o seminário sobre irrigação é de fundamental importância “haja vista que nós temos passado no RS por frequentes estiagens danosas aos agricultores e precisamos avançar muito na irrigação, sendo que com a parceria da Emater, a Secretaria de Agricultura tem atuado bastante nesta área. Temos o Programa Mais Água, Mais Renda, que desde 2011 contribuiu para duplicar a área irrigada no RS, por exemplo, além da construção da abertura de poços e construção de açudes e o Programa Segunda Água, que atende a famílias em situação em vulnerabilidade social construindo o açude e disponibilizando pequenos kits de irrigação por gotejamento”.

O diretor técnico da Emater/RS, Alencar Rugeri, destaca que a irrigação é aquilo que se preconiza como sucesso e segurança da produção. “Irrigação ajuda a controlar um dos principais fatores de risco da agricultura, que é a disponibilidade de água. Aquele produtor que está com a atividade bem remunerada, principalmente em grãos, pode estar vivendo um momento ímpar de fazer o investimento para ter sucesso na atividade, com planejamento, profissionalismo e gestão”, enfatizou.

Elementos decisórios para irrigar

Aspectos que envolvem a decisão de irrigar foram abordados na palestrada conduzida pelo extensionista do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Alecrim, Carlos Olavo Neutzling, que lembrou a importância da discussão do tema, uma vez que levantamento realizado recentemente pela Emater/RS-Ascar apontou que 94% dos produtores de leite gaúchos adotam o sistema de produção a pasto. Desta forma, a irrigação pode ser uma grande aliada nos resultados da produção de alimentos aos animais, influenciando também na produtividade de leite e de carne alcançada nas propriedades. “De todos os projetos elaborados na região de Santa Rosa, mais de 70% foram voltados à irrigação de pastagens. A média das áreas irrigadas de pastagens é de três hectares, com foco principal em garantir alimentação dos animais”, lembra. A disponibilidade de água associada a nutrientes vindos do solo e a luz solar são elementos decisivos para o desenvolvimento de plantas forrageiras.

Para melhorar a disponibilidade e o aproveitamento das águas, a irrigação pode ser uma equalizadora. É uma tecnologia que, segundo Neutzling, contribui na melhoria da distribuição da água, no aumento da produtividade das culturas, na redução do risco de investimentos realizados, na ampliação da eficiência dos fertilizantes utilizados, na possibilidade de introduzir culturas de maior valor e influencia inclusive na valorização das propriedades.

Aspectos técnicos necessários para a implantação do sistema de irrigação também foram esclarecidos com exemplos, como a avaliação do módulo de água disponível, licenciamento ambiental, fonte de energia para movimentação da água – seja elétrica, oriunda de combustíveis, sistemas fotovoltaicos ou pela produção de metano.

A instalação de sistemas de irrigação requer recursos e deve ser considerada um investimento na propriedade, por isso algumas fontes foram apresentadas, lembrando da existência de programas governamentais que a Emater/RS-Ascar operacionaliza em seus Escritórios Municipais, profissionais preparados para orientações sobre as diversas linhas de financiamento, bem como, para elaboração de projetos de crédito para os agentes financeiros.

Sistemas, manejo e custos

A abordagem do extensionista do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa Claudemir Gilberto Ames esclareceu sobre sistemas de irrigação, custos, análise de viabilidade e manejo. Microaspersão, hidroponia, hidroponia em substrato, gotejamento, carretel autopropelido, pivô central e aspersão convencional são os mais usuais.

Ames esclareceu, com exemplos, o cálculo dos custos operacional e financeiro da implantação, abordando também a estimativa da viabilidade de um hectare de pastagem irrigada, se levadas em conta a durabilidade do sistema e a capacidade de carga e produção.

O extensionista lembrou que vivemos um contexto climático oportuno para a decisão sobre irrigar. “A hora de pensar em implantar um sistema de irrigação é agora, quando está chovendo bem, quando é possível fazer a reservação, para evitar efeitos da estiagem como as enfrentadas na safra passada. É preciso trabalhar com prevenção”, reiterou.

A quem tem sistema de irrigação implantado, observou que normalmente existe a preocupação de acioná-lo somente quando os sintomas de estiagem já aparecem visualmente, quando já há indícios de prejuízo. Contudo, a recomendação é de que após uma boa chuva, de aproximadamente 30 a 35mm, já no terceiro dia após a precipitação seja iniciada a suplementação com a irrigação. “Irrigação é tecnologia de produção, irrigação não é método de combate à seca. As estiagens são cíclicas, nos cabe buscar alternativas para mitigar seus efeitos”, reiterou.

 

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