Mentiras, armário e morte – Portal Plural
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Paulo Schultz

Mentiras, armário e morte

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Três pulsões correm nas veias da extrema-direita brasileira: mentiras, armário e morte.

Pulsão por Mentiras – há, na essência do bolsonarismo, e especialmente naquele que dá o nome a esse sintoma social, o capitão Messias, um gosto especial, e um método de comunicação que prioriza a mentira.

Tem aquele ditado que diz…..
“mente tanto, que nem sente”.

Que aqui se aplica totalmente.

O cara mente sem parar, falando ou fingindo.

Distorce, deturpa, nega fatos evidentes, cospe hipóteses bizarras como se fossem verdades absolutas e comprovadas.

Difícil saber onde começa algum transtorno mental e onde termina o método de mentir como estratégia de comunicação.

Mas, o que é evidente, é que é uma coisa diária, contínua e metódica.

Funciona para a família Bolsonaro, e o núcleo próximo pensante.

E funciona também para os seguidores raiz, alimentados diariamente com informação falsa.

Mentiras rasas, fáceis de memorizar, de repetir e de reproduzir, que viram verdade, tanto na comunicação interna entre os seguidores raiz, quanto na comunicação geral com a sociedade.

Certamente esse pessoal não conhece muito de Cazuza, mas Cazuza já dizia…
“mentiras sinceras me interessam”.

E como esta gente gosta de uma mentira para poder chamar de sua verdade.

Pulsão pelo armário – por trás de todo ódio contra o homossexualismo, ou qualquer outra forma sexual diferente da cultura heterossexual (seja a cultura fundamentalista dos pentecostais, ou a cultura reprimida dos conservadores), há um desejo louco de sair do armário.

Aquela vontade doida, reprimida, que se converte em ódio – “que ódio que o fulano conseguiu sair do armário, e eu não tive coragem”.

Porque se, de fato, fossem pessoas emocionalmente e sexualmente resolvidas, pouco lhes importaria a definição alheia.
Ponto final.

Pulsão pela morte – Bolsonaro tem uma pulsão pela morte expressa no seu semblante.
Não à toa que, mesmo após mais de 540 mil mortes pela pandemia do covid, não se percebe um pingo de empatia e pesar pela perda de vidas.

É que não há como esconder a primazia da pulsão pela morte.

Que também vem, de maneira sádica, quando milhões de brasileiros são expostos a uma espécie de morte lenta, causada pela insegurança e insuficiência alimentar diária – severa e extrema para um percentual destes milhões de brasileiros nesta condição.

E o cara tá cagando e andando para isso.

Pelo menos nesse quesito ele consegue defecar sem problema.

Nessa pulsão, fica o entranhado gosto e delírio pelas armas.

E aqui também entram todos, ou a grande maioria, dos seguidores raiz.

Boa parte deles urra de alegria com a possibilidade decretada, de facilidades para posse e uso de armas.

Mais munições, mais armas, mais liberdades…

Afinal de contas, os cidadãos de bem (como eles se definem) pensam ter direitos de eliminar aqueles que não são seus iguais.

Uma pulsão que passa por esse segmento minoritário da extrema-direita, e invade áreas institucionais, onde perigosamente essa pulsão de instala, com reflexos letais.

Três pulsões.

Danosas, corrosivas, extremadas, perigosas.

O Brasil virou o palco de um enorme laboratório social – do bizarro, do primitivo, da ignorância, do adoecimento fundamentalista, e do anarcocapitalismo ao estilo Mad Max.

É preciso encerrar isso.

Vai dar bastante trabalho.

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Paulo Schultz

Ah….esses tucanos

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em



Os tucanos do PSDB decidirão, em poucas semanas, quem, da sua segunda geração de quadros políticos, Eduardo Leite ou João Dória, será o seu candidato a presidente em 2022.

Até aí tudo normal.

Tudo dentro do direito legítimo do maior partido da direita liberal brasileira de colocar o seu candidato para disputar a eleição presidencial do ano que vem.

A questão principal não é quem dos dois será o candidato.

A questão de fundo é outra.

A segunda geração de tucanos, representada pelas figuras de Leite e Dória, guarda uma diferença em relação à geração original e primeira dos tucanos – enquanto aqueles ainda tinham uma veia social-democrata, estes tem uma linha pura neoliberal.

Tanto Dória, quanto Eduardo Leite, tem em seus discursos e suas práticas de governo uma linha mestra de aplicação pura e fria do receituário neoliberal.

E sendo assim ambos, e
considerando o quadro de ruína econômica e social – principalmente social – do país que passou por dois anos e pouco de governo de Temer, e passará por quatro anos de governo de Bolsonaro, a pergunta que se coloca de cara é: seja um ou seja outro, o que de diferente eles têm a propor para o país, especialmente para os milhões de brasileiros que tem vivido em dificuldade e carência, maior ou menor ?

O que de diferente o PSDB tem a propor, já que foi, e é, parte ativa e corresponsável do quadro de ruína econômica e social que o país vem amargando de 2016 para cá?

Corresponsável sim, porque o PSDB participou do governo de Michel Temer.

Corresponsável, porque a quase totalidade dos projetos do governo Bolsonaro teve votos favoráveis dos deputados e senadores tucanos no Congresso Nacional.

Considerando essa participação e esse grau de corresponsabilidade na situação atual do país, e o perfil dos pré-candidatos tucanos, não há nada que os tucanos tenham a propor, que já não o tenham feito, com consequências ruins para a maioria da população do país.

Tanto Dória quanto Eduardo Leite brilham seus olhos para falar de reforma administrativa, realizar privatizações de empresas públicas estratégicas, e promover ajustes fiscais, independente do sacrifício de políticas públicas de cunho social, ou de desconcentração de riqueza.

Isso é o que faz ambos atingirem o Nirvana da sua satisfação política.

Na mesma intensidade desse gosto, vem a ausência de atenção e foco de ambos, no que diz respeito ao preço dos alimentos, ao preço dos combustíveis, às altas taxas de desemprego e informalidade, às demandas da agricultura familiar, à condição de queda de investimentos na educação pública, e assim por diante.

Quer dizer o seguinte:

O que faz João Dória e Eduardo Leite virarem os olhinhos de alegria e satisfação é aquilo que agrada ao mercado financeiro e os grandes detentores do capital.

Mas aquilo que diz respeito à vida da dona Joana que mora na periferia, ao Seu José que mora na favela, ou ao seu Raimundo que tem sua terrinha no interior (onde produz alimentos, e não commodities), isso não interessa em absolutamente nada a nenhum desses pré candidatos tucanos.

Ou seja: para a dona Joana, para o seu José, e para o seu Raimundo, Dória e Leite não têm nada que lhes interesse.

Nenhum deles está interessado em ajuste fiscal, reforma administrativa ou privatizações.

O negócio deles é trabalho, comida a preço acessível na mesa, filhos podendo ter a possibilidade de estudar, botijão de gás a preço justo, programas que ajudem a produção de alimentos da agricultura familiar, etc.

E para isso, nem Leite, nem Dória, têm palavra alguma que valha mais do que a prática de seus atuais governos.

É na prática do governo do Estado do Rio Grande do Sul e do governo do Estado de São Paulo, que as populações desses estados, bem como do restante do país, podem ver nitidamente o que importa e para quem eles governam, e com que objetivos.

Querer ser terceira via, querer ser novidade, quando na verdade os tucanos apenas são uma versão mais polida e dissimulada do mesmo projeto econômico que já está acontecendo no país com Bolsonaro – isso não vende, isso não cola, caros moços tucanos.

O que vocês têm para vender não é o que a maioria da população brasileira quer comprar.

Vocês não sabem nada da vida de quem sofre, da vida de quem tem ausência, da vida de quem tem carência, da vida de quem tem sua cidadania negada.

O mundo de sapatênis onde vocês pisam é outro.

Quando vocês aprenderem alguma coisa que sirva para a maioria dos brasileiros, quem sabe vocês consigam crescer.

Por enquanto, são apenas tucanos requintados e polidos, fiéis executores daquilo que o Deus mercado quer.

De resto, da vida dura do povo vocês não sabem nada.

Já dizia Lupicínio Rodrigues….

” Esses moços…pobres moços..
Ah! Se soubessem o que eu sei..
Não amavam, não passavam,
Aquilo que eu já passei….”.

Vida que segue, tucaninhos.

Nosso caminho é outro.

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Paulo Schultz

Apesar dos castigos

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Apesar de tudo que o país, e, em especial, a grande maioria do povo brasileiro tem sofrido, desde 2016 para cá, nós resistimos.

Apesar da fome, apesar do desemprego, apesar da precariedade, apesar da dureza, da aspereza, da morte, e da mão fria e invisível do mercado e seus operadores políticos, nós vamos resistir.

E nós não vamos só resistir – nós vamos enfrentar.

E nós não vamos só enfrentar – nós vamos impor uma derrota de projeto, uma outra construção de país- e dessa vez, espero, sem concertação.

Porque não deve haver concertação com quem não merece.

Há uma conta em aberto – e essa conta não é monetária.

É uma conta que diz respeito à dignidade, que diz respeito à cidadania, e que diz respeito, sobretudo, ao respeito à todas as formas de vida e de relação humana.

E essa conta nos é muito cara.

Porque quem produziu toda essa conta, vai ter que assistir quietinho ela ser zerada.

Sem concertação e sem arrego.

Depois do arranjo forjado da deposição de Dilma, e da instalação rápida de um processo destrutivo para muitos, e enriquecedor para poucos, tivemos que suportar mais.

Tivemos que ver se instalar um tempo sombrio, de mais destruição, de maneira mais bárbara, e não civilizada.

O espetáculo anarco comandado por um espantalho da morte.

E nesse tempo todo fomos vendo somente sofrimento e ausência para muitos.

E uma bonança inaceitável para muito poucos.

Esse tempo precisa, e vai acabar.

O Brasil há de renascer.

Vamos vencer o espantalho da morte.

E resgatar a cidadania de milhões.

Uma construção que não será fácil.

Mas que, justamente por não ser fácil, nos estimula a fazê-la.

Com todas as forças sociais protagonistas dessa resistência e da posterior reconstrução, e também com aquelas que porventura se derem conta de que aquele caminho tomado lá em 2016, e carimbado em 2018, é um caminho absolutamente errado, um caminho danoso, causador do que pode haver de pior.

O fato é que a gente cansou, não de resistir, mas de ver isso tudo.

Sabe aquela coisa…” a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, arte e, sobretudo, viver.”

Então… é isso.

Estamos por aí, querendo resistir, enfrentar, e começar um novo tempo.

Apesar dos castigos.. faremos, com firmeza.

Vida que segue.

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Paulo Schultz

Um paraíso infernal

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Ele prometeu. E cumpriu.

Quando o capitão Messias disse que,se vencesse as eleições, traria a liberdade,ele não estava mentindo – em parte.
Porque ele trouxe a liberdade.

Ele trouxe liberdade para o agronegócio fazer chover agrotóxicos à vontade sobre suas imensas áreas.

Ele trouxe liberdade para o agronegócio desmatar, queimar e avançar sobre áreas protegidas, com a complacência ou a omissão dos órgãos que deveriam coibir isso.

Ele deu liberdade para o agronegócio se armar de maneira ostensiva, e liberdade para usar esse armamento na defesa de seus interesses.

Armas acima de tudo, bala para cima de quase todos.

Também no quesito armamento, ele deu toda a liberdade que lhe foi possível dar até aqui.

Liberou quantidades e tipos de armas e liberou munição.

Liberdade, portanto, para milícias, e para os famosos “cidadãos de bem”, que podem andar armados e usar esse armamento na defesa de sua “liberdade”.

Uma liberdade individual que se sobrepõe a qualquer responsabilidade coletiva, e que se sobrepõe a qualquer regulamentação e mediação do Estado para proteger e preservar a vida humana e as relações entre as pessoas.

O capitão também deu liberdade para garimpeiros avançarem em atividades ilegais, inclusive dentro de áreas protegidas e áreas indígenas.

Em relação à áreas indígenas e quilombolas, o governo Bolsonaro estabeleceu uma política de fechar o olho e veladamente estabelecer o vale tudo.

Nestas áreas, conforme a liberdade prometida, é possível invadir, desmatar, queimar, explorar, ameaçar e matar.

Uma liberdade infernal.

Também há o estímulo à liberdade de comunicação e expressão.

E não importa que seja liberdade para ofender e ameaçar de morte, ou incitar fechamento de instituições pilares da República – como Congresso e STF.

Sobretudo o estímulo à liberdade para mentir de forma sequencial e difundir estas mentiras de maneira solta, sem qualquer regulamentação legal.

É mentira acima de tudo, e fake news prá cima de todos, para tentar convencer a muitos.

Liberdade para a política de preços dos combustíveis, executada pelo governo federal, que, ao estabelecer que a política de preços se guie pelo mercado internacional, faz com que o litro da gasolina esteja na faixa de R$ 7, e o litro do óleo diesel na casa dos R$ 5 .

O que automaticamente gera liberdade para aumento de custos, aumento de preços de maneira generalizada ( sobretudo de alimentos ), aumento de custo de vida, e, claro, ocasionando empobrecimento e miséria de milhões.

Liberdade também para o avanço das igrejas evangélicas prá cima da população mais vulnerável e fragilizada.

É fé fundamentalista e monetária prá cima de quase todos.

O Brasil está tendo a liberdade prometida por Bolsonaro, portanto.

Uma liberdade anárquica e violenta.

Sem mediação do Estado, e na base da lei do mais forte.

Quem tem o poder econômico e quem tem o poder das armas tem liberdade ampla.

Para os demais, como o próprio Bolsonaro diz, que “se adequem”.

Ele prometeu. E cumpriu.

Liberdade posta.

Um paraíso.

O paraíso de Bolsonaro e seus apoiadores – um paraíso infernal.

É como diz aquele meme..

“Queima, Jeová, queima ! ”

Infernal, não é mesmo ?

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