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Mais de 82 mil pessoas desapareceram no último ano, mostra anuário

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O administrador Jonis Gonçalves Martins , 45 anos, morador de Vila Maria na zona norte de São Paulo, recorda-se do último dia que viu a mãe, a dona de casa Sueli de Oliveira, que despareceu. “Era um sábado à tarde. Eu estava descansando após o almoço, e percebi que ela foi três vezes ao lado da minha cama e ficou me olhando sem falar nada. Acabei pegando no sono e quando levantei, já era no final da tarde, e ela não estava mais em casa”. Sueli de Oliveira tinha 67 anos e está desaparecida há mais de três anos (desde 30 de janeiro de 2016).

“A cada jantar que você faz, vem ela no pensamento. A cada passeio, a cada frio, a cada calor, a cada sorriso, a cada conquista sempre tem um pouco [dela] presente. A cada rosto ou gesto parecido, ela vem à cabeça”, conta Jonis Martins. A separação forçada pela ausência inexplicável é lembrada no filho que espera a mãe e na mãe que não sabe do paradeiro do filho sumido ainda na adolescência (17 anos), há mais de 10 anos.

“Me lembro dele a todo instante, quando vou tomar café, almoçar, e na hora do jantar. Quando está chovendo, penso ‘será que ele está em lugar seguro? Será que ele está nas ruas passando necessidade, com frio ou passando por perigo? Será que está doente precisando de ajuda e não tem como se comunicar comigo?’”, descreve Lucineide da Silva Damasceno, de 53 anos, também de São Paulo. Segundo ela, o desaparecimento do filho, desde 3 de novembro de 2008, ainda não apresentou motivo. “Nenhuma explicação! Ele saiu para ir à casa de um colega próximo e não mais voltou”.

Os relatos de Jonis e Lucineide expõem o desalento de milhares famílias que registraram o desaparecimento de parentes. Em 2018, foram 82.094 casos, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foram contabilizados 39,4 desaparecimentos a cada grupo de 100 mil pessoas. Os números são apurados, a partir de microdados das secretarias estaduais de Segurança, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a pedido do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Em termos absolutos, os estados com o maior número de pessoas desaparecidas em 2018 foram: São Paulo (24.366), Rio Grande do Sul (9.090), Minas Gerais (8.594), Paraná (6.952) e Rio de Janeiro (4.619). Em termos relativos, taxa de desaparecimento por 100 mil habitantes, os maiores índices são do Distrito Federal (84,5), Rio Grande do Sul (80,2), Rondônia (75,2), Roraima (70,4) e Paraná (61,3).

De 2007 a 2018, as estatísticas somam 858.871 casos, quase quatro vezes (3,88) a população estimada do Plano Piloto, onde ficam as sedes dos Três Poderes em Brasília (DF). Nesse período de mais de uma década, a média é de 71,5 mil registros de pessoas desaparecidas por ano.

Números subestimados

Apesar de altos, os números podem estar subestimados. “A gente sabe, por causa do contato com as famílias, que há gente que não vai à delegacia registrar o caso por diversas razões”, afirma Marianne Pecassou, coordenadora de Proteção da Delegação Regional do CICV.

“Há pessoas que não sabem que têm que registrar na delegacia o desaparecimento e que têm o direito a fazer esse registro. Mas os delegados sabem que é prevaricação não fazer o registro quando a família procura a polícia para fazer a ocorrência”, detalha Ivanise Esperidião da Silva, do movimento Mães da Sé.

De acordo com ela, “todos os anos, mais de 200 mil pessoas desaparecem no Brasil”. O cálculo de Ivanise da Silva é baseado em levantamento feito ao final da década de 1990 em pesquisa da Universidade de Brasília, disponível na Rede Virtual de Bibliotecas, sob demanda do Movimento Nacional de Direitos Humanos, com apoio do Ministério da Justiça. “Se de lá para cá a população aumentou, não tem como achar que esse número diminuiu”, raciocina.

Além do problema de subnotificação, Marianne Pecassou aponta que a falta de produção de informação leva ao desconhecimento sobre as razões e circunstâncias do desaparecimento, como problemas de saúde mental, migração e violência empregada para diferentes propósitos – assalto, homicídio, abuso e exploração sexual, tráfico de pessoas e até tráfico de órgãos.

Ivanise da Silva reclama que os cadastros nacionais de desaparecidos para adultos e crianças, lançados da década passada, não foram atualizados e não podem ser utilizados para ajudar a localizar as pessoas e produzir uma estatística confiável. Ela participou da elaboração das duas plataformas e lembra que o funcionamento desses serviços está previsto em lei. “Aquilo foi para inglês ver”, salienta. “O cadastro nacional de veículos funciona e até acha carro roubado no Paraguai. Por que não temos cadastro para pessoas desaparecidas?”, pergunta.

Lei nº 13.812/2019, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em março, descreve no A

rtigo 3º que “a busca e a localização de pessoas desaparecidas são consideradas prioridade com caráter de urgência pelo poder público e devem ser realizadas preferencialmente por órgãos investigativos especializados, sendo obrigatória a cooperação operacional por meio de cadastro nacional, incluídos órgãos de segurança pública e outras entidades que venham a intervir nesses casos”. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, prevê no Artigo nº 87 o funcionamento de “serviço de identificação e localização de pais, responsável, crianças e adolescentes desaparecidos”.

Para Marianne Pecassou a disponibilidade e a troca de informações são fundamentais para resolver casos de desaparecimento. Além disso, é necessário ter ações preventivas e esclarecimento da opinião pública. “Alertar ajuda a prevenir”, sublinha. “Não queremos piedade, mas precisamos de solidariedade.”

Na opinião da coordenadora de Proteção da Delegação Regional do CICV, o Estado e a sociedade também devem cuidar melhor das famílias com pessoas desaparecidas. “Enfrentam problemas psicológicos ou psicossociais e de relacionamento com o seu entorno. São famílias que estão isoladas. Se recebem certo apoio no início das buscas, ao longo do tempo, se o familiar não aparece, as pessoas vão se distanciando e essas famílias vão ficando cada vez mais isoladas”.

“O tempo vai passando, e as pessoas vão se questionando e formando julgamentos. O tempo passa mais ainda, as pessoas começam a cansar dessa história e, depois de mais tempo, elas não querem mais saber do problema. Se você não se adaptar, será completamente excluído da sociedade e até da família”, descreve Jonis Martins.

“Não existe nenhuma atenção da sociedade em relação aos nossos desaparecidos”, reclama Lucineide Damasceno. Para ela, o Poder Público também deveria fazer mais: “o Estado pode capacitar profissionais para trabalhar na polícia, implantar o Registro Geral (RG) Nacional, criar banco de dados entre delegacias, hospitais, institutos médicos legais, albergues, inclusive com imagens das pessoas que circulam ali diariamente”, sugere.

“Para a sociedade é mais fácil nos tratar como coitadinhos. Nós não queremos piedade, mas precisamos de solidariedade”, pondera Ivanise da Silva. Ela também é crítica da ação do Estado: “Por trás desse problema de desaparecimento há crimes. Temos o direito de que seja apurado. O problema é que desaparecido não vota”, enfatiza.

Agência Brasil
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Ex-aliado de Hugo Chávez morre de Covid-19 na prisão na Venezuela

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O general Raúl Baduel, considerado um dos presos políticos mais emblemáticos da Venezuela por ter sido ministro da Defesa do presidente Hugo Chávez, morreu de Covid-19 sob custódia, informou o procurador-geral nesta terça-feira (12).

“Lamentamos o falecimento de Raúl Isaías Baduel de parada cardiorrespiratória, decorrente da Covid-19”, escreveu o procurador, Tarek Saab, no Twitter. Ele havia tomado apenas a primeira dose da vacina.

 

Baduel, que faleceu aos 66 anos, ajudou a restituir o poder a Chávez, após o golpe de Estado de abril de 2002, que o tirou brevemente do cargo, mas logo se tornou seu adversário.

O ex-ministro cumpriu quase oito anos de pena por corrupção e depois de ser posto em liberdade, em 2015, voltou a ser detido, acusado de conspirar contra o atual presidente, Nicolás Maduro, que o destituiu da Força Armada e o rebaixou.

Hugo Chávez e Raúl Baduel, lado a lado, em cerimônia em Maracay, Venezuela, em 2006 — Foto: Jenny Fung/AFP

 

ONG critica tratamento a Baduel

“Com a morte de Raúl Isaías Baduel já são dez os presos políticos mortos sob custódia”, disse o advogado Gonzalo Himiob, da ONG Fórum Penal, dedicada a defender presos políticos.

“A responsabilidade sobre a vida e a saúde de qualquer detido recai sobre o Estado. Exige-se continuamente tratamento médico para os presos. Quase nunca há uma resposta adequada”, reforçou Himiob em uma mensagem em sua conta no Twitter.

Dois dos filhos de Baduel também foram detidos sob acusações de conspiração, o primeiro deles Raúl Emilio, que agora está em liberdade. Josnars Adolfo Baduel foi detido por suposta participação em uma incursão marítima em maio de 2019 que tentava a saída de Maduro. Ele continua detido.

Fonte: G1. 

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Índia recomenda vacina Covaxin contra Covid-19 para crianças a partir de 2 anos

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A Índia recomendou nesta terça-feira (12) o uso emergencial da vacina contra Covid-19 da Bharat Biotech para a faixa etária de 2 a 18 anos, no momento em que o segundo país mais populoso do mundo expande sua campanha de vacinação para incluir crianças.

O país vacinou totalmente cerca de 29% dos 944 milhões de adultos elegíveis, de acordo com dados do governo, que incluem a aplicação de mais de 110 milhões de doses da Covaxin, da Bharat Biotech.

A empresa, no entanto, ainda está em processo de garantir seu nome em uma lista de uso emergencial da Organização Mundial da Saúde, uma decisão que é esperada para o final deste mês.

Sem a aprovação da OMS, a vacina de duas doses dificilmente será aceita como uma vacina válida em todo o mundo.

Vários países têm trabalhado para autorizar vacinas para crianças. Os Estados Unidos liberaram a vacina da Pfizer para crianças a partir de 12 anos e o painel consultivo do regulador dos EUA se reunirá no final deste mês para discutir a vacina para crianças entre 5 e 11 anos de idade.

Embora a Covid-19 seja conhecida por geralmente causar doença leve em crianças, existe o risco de complicações raras pós-doença.

“Crianças com comorbidades devem ser vacinadas o mais rápido possível, agora que uma vacina com imunogenicidade em crianças e um grande banco de dados de segurança em adultos está disponível”, disse o Dr. Gagandeep Kang, professor do Christian Medical College, Vellore.

Fonte: G1.

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Morre, aos 54 anos, o rinoceronte-branco mais velho do mundo

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Toby, o rinoceronte-branco mais velho do mundo, morreu aos 54 anos em um zoológico no norte da Itália, informou uma porta-voz do estabelecimento nesta terça-feira (12).

“Ele desmaiou no caminho de volta para seu abrigo noturno e depois de cerca de meia hora seu coração parou”, disse à AFP Elisa Livia Pennacchioni, do Parco Natura Viva, um zoológico perto da cidade de Verona, no norte do país.

Toby será embalsamado e exibido no museu de ciências MuSe de Trento, onde se juntará a Blanco, um leão branco do zoológico que morreu há cinco anos, disse Pennacchioni.

Rinocerontes-brancos normalmente vivem até os 40 anos quando em cativeiro e até 30 anos na natureza.

A morte de Toby, após o falecimento de sua companheira Sugar em 2012, deixa o Parco Natura Viva com apenas um rinoceronte-branco: Benno, de 39 anos.

Toby era um rinoceronte-branco do sul, que depois do elefante é o maior mamífero terrestre, medindo até 2 m de altura e 4 m de comprimento e pesando mais de 3.500 kg.

Pertence a uma das cinco espécies de rinocerontes que não são consideradas ameaçadas de extinção, com uma população estimada em cerca de 18.000, de acordo com WWF.

No entanto, apenas dois espécimes da subespécie do rinoceronte-branco do norte sobrevivem no mundo, em uma reserva natural do Quênia, que são monitorados 24 horas por dia por guardas armados, disse o grupo ambientalista.

Fonte: G1.

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