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Medicina & Saúde

Má alimentação causa obesidade infantil

Pável Bauken

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A antiga associação de que criança gordinha é criança saudável não vale mais, embora as vovós teimem em continuar acreditando nela. Crianças com excesso de peso têm risco maior de se tornarem adolescentes e adultos obesos. E a consequência do aumento de peso é o desenvolvimento precoce de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, colesterol alto e doenças cardiovasculares.

A alimentação tem papel fundamental em todas as etapas da vida, especialmente nos primeiros anos, que são decisivos para o crescimento e desenvolvimento, para a formação de hábitos e para a manutenção da saúde na vida adulta.

Quando o bebê nasce, o leite materno deve ser o alimento exclusivo nos primeiros seis meses de vida. A amamentação reduz em 13% a mortalidade até os cinco anos, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade. Apesar de a prática da amamentação ter aumentado no Brasil, sua duração ainda é menor do que a recomendada. Duas em cada três crianças menores de seis meses já recebem outro tipo de leite, sobretudo leite de vaca, frequentemente acrescido de alguma farinha e açúcar, e somente uma em cada três crianças continua recebendo leite materno até os dois anos de idade.

“A primeira prática para prevenção da obesidade infantil é o aleitamento materno. Depois, a introdução de alimentos saudáveis quando a criança completa 6 meses de vida. E para as crianças maiores, o segredo é evitar o consumo de alimentos ultraprocessados. Antes de 2 anos, o ideal é que as crianças não consumam alimentos que tenham açúcar e também não consumam alimentos ultraprocessados porque os hábitos são formados nessa idade. As crianças precisam conhecer os alimentos saudáveis para fazerem escolhas saudáveis na vida adulta”, resume Gisele.

Problema de saúde pública

A obesidade infantil acontece quando uma criança apresenta peso maior do que deve para sua idade e altura. As faixas de Índice de Massa Corporal (IMC) determinadas para crianças são diferentes dos adultos e variam de acordo com o gênero e a idade. Muitos fatores contribuem para o ganho de peso, mas os maiores vilões são a alimentação inadequada e a inatividade física associada ao excesso de horas de tela e ambiente em que as crianças estão inseridas.

O programa Crescer Saudável, parte do Programa Saúde na Escola, é uma das principais estratégias do Ministério da Saúde para prevenir a obesidade infantil. No início desse ano, 4.118 municípios aderiram ao Programa e receberam repasse de R$ 38,8 milhões para executarem ações de promoção da saúde. Para o próximo ano, o repasse está vinculado ao cumprimento de 4 metas: avaliar o estado nutricional das crianças, ou seja, ir na escola pesar e medir as crianças; fazer ações de promoção da alimentação saudável e de atividade física na escola; e quando identificar uma criança com excesso de peso na escola, encaminhar para acompanhamento na USF para que a equipe da atenção primária possa ofertar os cuidados.

A alimentação inadequada e a falta de atividade física são as principais causas da obesidade infantil, mas o ambiente em que a criança está inserida também contribui bastante. Para a coordenadora geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Gisele Bortolini, é preciso proteger a criança da exposição e da publicidade de alimentos não saudáveis. “A família tem papel fundamental na escolha dos alimentos que são oferecidos às crianças, mas temos que tomar cuidado para não culpabilizar os pais”, adverte.

Desde os primeiros anos de vida, as crianças estão consumindo pouca variedade de alimentos saudáveis como frutas, verduras, alimentos in natura ou minimamente processados e estão sendo expostas muito cedo a doces, frituras, gorduras e alimentos ultraprocessados que podem prejudicar a sua saúde. “Alimentos ultraprocessados são formulações industriais que normalmente tem pouca comida de verdade na sua composição. Se na lista de ingredientes tem muitos nomes que você não reconhece, é sinal de que é um alimento industrializado, como o refrigerante, a bolacha recheada e o salgadinho”, ensina Gisele.

“As crianças estão deixando de comer arroz e feijão e estão comendo mais comidas congeladas, prontas, que são vendidas como muito fáceis e práticas, sem a necessidade de preparo”.

Gisele Bortolini, coordenadora geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde 

Introdução da alimentação saudável no dia a dia da criança

O desmame precoce e a alimentação de baixa qualidade e pouco variada estão prejudicando o desenvolvimento das crianças e colaborando para o aumento da obesidade infantil. Para fugir dessa situação, a advogada Yasmin Diirr, de 26 anos, mãe do Gabriel Augusto, de 5 anos, começou a se preocupar com a qualidade dos alimentos que consumia antes mesmo de engravidar. Ela tem o hábito de ler os rótulos dos produtos industrializados que compra mas dá prioridade a frutas, verduras, grãos e cereais integrais para preparar a comida da família em casa. Ela amamentou exclusivamente o Gabriel até quase seis meses, quando começou a introduzir os alimentos naturais na sua dieta. Desde então, ele come a mesma refeição da família e hoje, aos 5 anos, não tem o hábito de consumir refrigerantes, biscoitos recheados, suco de caixinha, embutidos e salgadinhos. “Eu não proíbo, mas como ele tem uma rotina regrada, acabou se acostumando e não sente falta”, conta Yasmin.

Para Yasmin, as maiores dificuldades de seguir com a alimentação saudável do filho são a escola e a sua própria mãe. Na escola, ela já pediu aos professores que não deixem o Gabriel trocar o lanche com os coleguinhas, mas entende que é inevitável. “Eu converso com ele e explico que algumas comidinhas não são boas, fazem mal e podem dar bichinho nos dentes e na barriga. Falo de uma forma que, mesmo com pouca idade, ele já entende”, relata. Mas com a mãe a coisa fica mais difícil. “Ela diz que me criou com esses alimentos e eu estou aqui viva e saudável. Diz que eu sou uma mãe má e coitado do menino que não pode comer as coisas gostosas”, revela.

“Quando as pessoas oferecem ao Gabriel alimentos não saudáveis e eu digo que ele não come, olham torto para mim como se eu estivesse errada. Espero que quando ele crescer tenha consciência de que foi importante para a sua saúde e continue fazendo escolhas saudáveis”.

As mudanças nas práticas alimentares e no modo de vida da sociedade contribuem para aumentar, a cada ano, o número de crianças com excesso de peso. Além de informações de hábitos saudáveis para os pais e responsáveis, o Ministério da Saúde possui materiais informativos para professores da creche, da educação infantil e do ensino fundamental. São sugestões de atividades de como os professores podem discutir com as crianças sobre alimentação saudável, de acordo com a faixa etária. “A escola tem um potencial muito grande para a prevenção da obesidade infantil quando realiza ações de promoção da alimentação saudável e da atividade física”, conclui Gisele.

 

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Medicina & Saúde

Governo cria Comitê Interministerial de Doenças Raras

Decreto está publicado hoje no Diário Oficial da União

Pável Bauken

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© REUTERS / Amanda Perobelli/direitos reservados

O governo federal criou o Comitê Interministerial de Doenças Raras, que funcionará no âmbito do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos até 1º de janeiro de 2027. O decreto, assinado ontem (3) pelo presidente Jair Bolsonaro, foi publicado hoje (4) no Diário Oficial da União.

Segundo o texto, o órgão é consultivo, de estudos e articulação e será destinado a estimular o desenvolvimento de políticas públicas intersetoriais para pessoas com doenças raras, incentivar o intercâmbio de experiências e práticas relevantes entre a administração pública, instituições de pesquisa e entidades representativas e incentivar a atuação em rede dos centros especializados e hospitais de referência e dos demais locais de atendimento às pessoas com doenças raras da rede pública.

Além disso, o grupo deverá apresentar uma proposta de definição para doenças raras, a ser adotada em âmbito nacional e formular estratégias para coleta, processamento, sistematização e disseminação de informações sobre doenças raras.

Como funcionará

O Comitê Interministerial de Doenças Raras será composto por representantes das secretarias nacionais dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a quem caberá a coordenação, e dos Direitos da Criança e do Adolescente, ambas do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Também contará com representantes da Casa Civil, do Ministério da Educação, da Subsecretaria da Perícia Médica Federal do Ministério da Economia, das secretarias nacionais de Assistência Social e de Atenção à Primeira Infância, ambas do Ministério da Cidadania, das secretarias de Atenção Especializada à Saúde e de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, e das secretarias de Empreendedorismo e Inovação e de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

O decreto proíbe a divulgação de discussões em andamento no comitê sem a prévia anuência do coordenador. Os membros do grupo se reunirão, em caráter ordinário, a cada três meses. O presidente do comitê poderá ainda convidar especialistas, membros da comunidade acadêmica e representantes de outros órgãos e entidades, públicos e privados, para participar de reuniões, sem direito a voto.

ebc

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Medicina & Saúde

Semana Estadual do Bebê traz discussão sobre primeira infância durante a pandemia de coronavírus

Pável Bauken

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A primeira infância em tempos de coronavírus será o tema explorado durante a Semana Estadual do Bebê, entre os dias 6 e 12 de dezembro. O evento é organizado pelo programa Primeira Infância Melhor (PIM), da Secretaria da Saúde (SES). A programação contará com o Seminário Internacional da Primeira Infância e a cerimônia de premiação do prêmio Salvador Celia.

Os eventos serão realizados de maneira virtual, com transmissão pelo site do PIMFacebook do PIMFacebook da SES e Youtube da SES.

O seminário é aberto ao público, em especial para as equipes municipais do PIM, Programa Criança Feliz e Agentes Comunitários de Saúde, além de trabalhadores e estudantes das áreas da saúde, educação, assistência social entre outros.

O prêmio Salvador Celia reconhecerá os melhores relatos de experiência de visitadores e agentes comunitários de saúde, que enviaram seus trabalhos no formato de animações em vídeo com o tema “Iniciativas criativas na atenção à primeira infância em tempos de coronavírus”. Serão premiados os primeiros colocados na classificação geral e também por cada macrorregião de saúde do Estado.

A Semana Estadual do Bebê está em sua 18ª edição, e conta, ainda, com apoio das secretarias da Educação; de Trabalho e Assistência Social; da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos e da Cultura.

Programação
O primeiro dia do Seminário Internacional da Primeira Infância contará com palestras das profissionais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil Marlova Noleto e Rosana Sperandio Pereira, que falarão sobre a importância da abordagem integral na primeira infância.

Ainda neste dia, a chefe da Unidade de Saúde, HIV e Primeira Infância do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Cristina Albuquerque, abordará políticas públicas inovadoras para a primeira infância. Para fechar o dia, a consultora nacional de Saúde da Criança da Organização Pan-americana da Saúde (Opas/OMS), Tatiana Coimbra, falará sobre cuidado atencioso para o desenvolvimento infantil.

No segundo dia de evento, o diretor do Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados para o Brasil e a África Lusófona (FGV/EESP Clear), André Portela, apresentará o PIM como política pública baseada em evidências. Na sequência, a psicóloga da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Elisa Altafim, abordará a parentalidade positiva e o apoio às famílias e profissionais.

O terceiro e último dia de evento será dedicado à cerimônia de premiação do prêmio Salvador Celia.

Veja a programação completa da Semana Estadual do Bebê.

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Medicina & Saúde

Unidade de Saúde Mental promove encontro virtual entre pacientes, familiares e direção do HVS

Pável Bauken

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A pandemia modificou a rotina de diversos setores no Hospital Vida & Saúde. Na Unidade de Saúde Mental, até o início deste ano, eram promovidos encontros presenciais semanais, aproximando os profissionais da Unidade e os familiares dos pacientes internados. Com a pandemia, os encontros precisaram ser reformulados e realizados de forma virtual.

Na semana em que a Unidade completou dois anos de funcionamento, um encontro virtual muito especial foi promovido pela equipe multiprofissional da Unidade. Através de uma plataforma de videochamada, pacientes relataram como está sendo este momento de internação e de recuperação.

Com o acompanhamento da terapeuta ocupacional, Larissa Froehlich e da equipe de profissionais da Unidade, os pacientes fizeram relatos carregados de emoção e superação. “O objetivo da atividade foi proporcionar um espaço de discussão e aproximação entre usuários, equipe técnica, direção e familiares, acerca da internação e processo Terapêutico. Compreendemos que esse momento foi terapêutico para os usuários, pois deu voz a eles para que pudessem expressar seus sentimentos e pensamentos sobre seu processo de reabilitação”, explicou a Terapeuta Ocupacional da Unidade.

Alguns familiares e a diretora-geral do HVS, Vanderli de Barros, acompanharam o momento e também tiveram participações importantes no encontro. “Ficamos com uma tranquilidade muito grande quando sabemos que ao lado de vocês (pacientes) tem profissionais tão capacitados”, relatou um dos familiares dos pacientes durante o encontro.

Durante o encontro virtual, a Diretora-geral destacou o trabalho desenvolvido na Unidade e a competência da equipe multiprofissional que não mede esforços no tratamento dos pacientes, além de conversar com os pacientes e com os familiares. “Nosso trabalho no Hospital sempre é para fazer um mundo melhor. É um trabalho à muitas mãos, para que vocês, pacientes, sintam-se acolhidos”, ressaltou.

 

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