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Liberação do FGTS deverá criar 2,9 milhões de empregos em dez anos

Pável Bauken

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A liberação de parte dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) permitirão à economia crescer 0,35 ponto percentual adicional nos próximos 12 meses, disse há pouco o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida. Segundo ele, 2,9 milhões de empregos formais deverão ser criados nos próximos dez anos com as medidas anunciadas hoje (24).

Na solenidade de anúncio das novas regras para saque do FGTS, do PIS e do Pasep, o secretário confirmou que apenas a liberação do dinheiro, limitada a R$ 500 por conta, em 2019, e equivalente a um percentual mais um valor fixo a partir do próximo ano, injetará R$ 30 bilhões na economia neste ano – R$ 28 bilhões do FGTS e R$ 2 bilhões do PIS/Pasep – e R$ 12 bilhões em 2020.

“Não me parece um efeito pequeno. A medida vai gerar 0,35 ponto percentual de crescimento nos próximos 12 meses. Mas não para por aqui. Além do crescimento de curto prazo, a liberação do saque vai elevar em 2,6% o PIB [Produto Interno Bruto] per capita [por habitante] nos próximos dez anos, e aumentar 5,6% a população ocupada no mesmo período. Isso significa que 2,9 milhões de pessoas vão ser empregadas nos próximos dez anos”, disse Sachsida.

Medida estrutural

O ministro da Economia, Paulo Guedes, explicou que a medida não é apenas de curto prazo, porque o saque na conta do trabalhador ocorrerá todos os anos. Segundo ele, as novas regras reduzem a rotatividade e aumentam a produtividade, porque o trabalhador que precisa de algum dinheiro em momento de desespero deixará de pedir para ser demitido e para receber o FGTS, permanecendo na empresa e se aprimorando.

“O trabalhador terá um salário extra para o resto da vida. [A nova regra de saque] não é um teco do voo da galinha. É um aumento de renda permanente para quem ficar empregado, lutar para ficar empregado, se aprimorando e aumentando a produtividade”, disse o ministro.

Ele também ressaltou que, diferentemente do saque das contas inativas em 2017, que liberou R$ 44 bilhões para 25 milhões de pessoas, o governo está liberando R$ 42 bilhões em 2019 e 2020 para 96 milhões de trabalhadores. “Existem 19 alternativas diferentes para o saque do FGTS, como demissão sem justa causa e compra da casa própria. Criamos mais uma alternativa, com fortíssimo conteúdo social, que deve beneficiar quase 100 milhões de brasileiros”, disse.

Entenda as mudanças

Saque imediato de R$ 500

Ao todo, o governo anunciou quatro ações para flexibilizar o saque das contas do FGTS, do PIS e do Pasep. A primeira, que se aplica às contas ativas e inativas do FGTS, será a liberação de um saque imediato de até R$ 500 por conta vinculada. As retiradas começarão em setembro e irão até março do próximo ano. Segundo Sachsida, 81% das contas do FGTS têm saldo de até R$ 500, o que reforça o caráter social da medida.

Aniversário

A segunda ação é a autorização para o saque no mês de aniversário de cada trabalhador, o que permitirá uma renda extra e a possibilidade de aplicar o dinheiro em investimentos que rendam mais que o FGTS (3% ao ano mais a taxa referencial). Segundo o governo, a mudança será opcional. Os interessados em migrar para esta modalidade terão que comunicar à Caixa Econômica Federal, a partir de outubro de 2019. O trabalhador poderá voltar para a modalidade tradicional de saque, mas só depois de dois anos a partir da data do pedido de migração.

A multa de 40% em caso de demissão sem justa causa para quem migrar para o saque-aniversário será mantida, independentemente da opção de saque do trabalhador. No entanto, quem optar pelo saque-aniversário não poderá mais retirar o saldo em caso de rescisão de contrato de trabalho.

A Caixa divulgará um calendário especial do saque-aniversário de 2020. A partir de 2021, a liberação ocorrerá no primeiro dia do mês de aniversário do cotista até o último dia útil nos dois meses subsequentes. Caso o trabalhador não retire o recurso, ele volta automaticamente para a conta no FGTS. Ao todo, haverá sete faixas de saques: começando em 50% do saldo para quem ganha até R$ 500 e terminando em 5% para contas acima de R$ 20 mil. Contas acima de R$ 500 poderão também retirar um valor fixo, que começa em R$ 50 (para saldos entre R$ 500,01 e R$ 1 mil) e termina em R$ 2,9 mil (para contas com saldo a partir de R$ 20.000,01).

Tabela FGTS

Divisão de lucros

O governo também aumentou a distribuição dos lucros do FGTS. Atualmente, o cotista recebe 50% dos ganhos do fundo. As novas regras aumentam para 100% o repasse dos resultados, permitindo que o trabalhador receba todo o lucro obtido pelo fundo um ano. A rentabilidade continua em 3% ao ano mais a taxa referencial (TR).

Garantia de empréstimo

O trabalhador que migrar para o saque-aniversário poderá usar os recursos retirados anualmente do FGTS como garantia para empréstimo pessoal. O modelo é similar à antecipação da restituição do Imposto de Renda (IR). As parcelas do empréstimo serão descontadas diretamente da conta do trabalhador no fundo, na hora em que for feito o saque. Segundo Sachsida, o modelo funciona como um empréstimo consignado, que permite ao trabalhador conseguir empréstimos a juros baixos.

Saque do PIS/Pasep

O governo reabriu os saques os recursos do fundo PIS/Pasep. Diferentemente das retiradas anteriores, não há prazo determinado para a retirada do dinheiro. Os cotistas com recursos referentes ao PIS poderão sacar na Caixa; e os do Pasep, no Banco do Brasil. O saque para herdeiros será facilitado. O dependente terá apenas de apresentar a certidão de dependente do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Os herdeiros terão de apresentar uma declaração de consenso entre as partes e também declarar que não há outros herdeiros conhecidos.

Fonte Agência Brasil

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A pandemia de COVID-19 e os impactos irreversíveis na educação

Reporter Plural

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 Com o retorno das atividades em diversos setores após o período de isolamento social, o que mais preocupa é ainda o amplo debate sobre as conseqüências da pandemia de COVID-19 para a educação. E quando falamos de educação devemos considerar todo ecossistema educacional que inclui, não somente as instituições de ensino (escolas e universidades), funcionários, alunos (corpos docentes e discentes das escolas e universidades), além de instituições de ensino regulares, técnicas e outros cursos extracurriculares, mas também outros profissionais intimamente ligados ao setor, como fornecedores de alimentos e serviços, transportadores escolares, serviço de limpeza e mantenedores que também atendem o setor.

O isolamento criou, pela necessidade, adaptações de novos hábitos e comportamentos em tudo e em todo o mundo, inclusive nas instituições de ensino, que estão revendo uma série de processos, estruturas e metodologias. Lidar com a imprevisibilidade exigiu um aprendizado instantâneo e emergencial, e um trabalho muito mais alinhado fazendo com que, mesmo distantes, a união de esforços em prol de um bem maior fosse adotada. Houve uma mobilização global para aportar recursos e conhecimentos especializados em tecnologia, conectividade, inovação e criatividade a favor da educação, mas ainda, apesar disso, pesquisas apontam uma série de questões que podem agravar o aprendizado e o aumento das desigualdades no médio e longo prazo, pois nada do que foi adotado não foi planejado, não houve transição para esse novo modelo, então certamente haverá perdas.

Uma questão primordial a se pontuar envolve as limitações pedagógicas e tecnológicas que dificultam e impedem o desenvolvimento de atividades de educação à distância em nosso país, outra é a desigualdade gritante entre o ensino do sistema público e privado ? e a própria distância social entre as famílias dos estudantes. Enquanto alunos de escolas particulares aprendem por meio de diversos recursos e estratégias combinadas, como vídeo ao vivo ou gravado, envio de tarefas, mentoria e sessões em grupos menores para tirar dúvidas, muitos estudantes das escolas públicas sequer têm acesso à internet. É importante verificar que a falta de uma política de acesso à internet mais igualitária no Brasil começa a dar claros sinais de alerta.
A crise do coronavírus terá efeitos perenes sobre a forma de aprender e ensinar, vale lembrar que nem todos os municípios brasileiros possuem estrutura de tecnologia para ofertar ensino remoto e nem todos os professores têm a formação adequada para dar aulas virtuais. Outra realidade que complica a adesão de alunos às aulas on-line são os softwares utilizados para esse fim, que, em sua grande maioria, são desenvolvidos para funcionar em computadores ? ambiente acessado atualmente por apenas 57% da população brasileira, segundo o IBGE. Muitas crianças da geração Z nunca ligaram um computador e 97% dos brasileiros acessam a internet pelo celular. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 42% das classes “D” e “E” estão conectadas, sendo que mais de 70% dos usuários encontram-se nas áreas urbanas,  processo que é agravado pela precariedade ou inexistência de internet em uma parcela significativa dos lares onde residem muitos estudantes
Para Wilson Borges Pereira IV, empresário carioca, “a crise do coronavírus deixa impactos irreversíveis e ainda não dimensionáveis na educação, que já é conflitante em nosso país há muitos anos. neste momento e daqui para adiante medidas que atenuem a situação dos estudantes em todas as instâncias são necessárias, pois dessa forma, isso poderia vir a aumentar a desigualdade no nosso país. As crises trazem aprendizados aos que estão abertos e preparados. Espero, sinceramente, que depois dessa pandemia a educação volte melhor e mais forte”.

No ensino superior a educação presencial, é insubstituível quando o professor pode trabalhar com um número pequeno de alunos, mas quando se trata de grandes turmas, a educação mediada por tecnologia pode ser mais eficaz do que o método tradicional. O problema da desigualdade no ensino superior já existia, mas a flexibilidade e o acesso a recursos pedagógicos de qualidade podem contribuir para reduzir as desvantagens de quem mora longe, precisa trabalhar ou aquele que não conseguiu entrar numa ‘universidade de prestígio’, lembrando que tecnologias permitem o compartilhamento de cursos, professores e materiais pedagógicos, com custo reduzido, mantendo a qualidade

Os professores estão descobrindo que podem usar recursos pedagógicos que tornam suas aulas mais interessantes e a interação com os estudantes pode ser mais facilitada. Os estudantes têm mais flexibilidade para organizar seu tempo e não precisam se deslocar para as universidades simplesmente para assistir às aulas. E os currículos tradicionais, organizados como linhas de montagem, podem ser substituídos por seqüências flexíveis de estudo adaptadas a cada estudante.

Antes da pandemia, o ensino superior brasileiro já estava com dificuldades crescentes. As universidades públicas tinham problemas sérios de financiamento, que deverão tornar-se mais graves, e muitas das instituições privadas estavam se tornando insolventes. E 30% a 40% dos estudantes, nas faculdades públicas e privadas, abandonavam os cursos antes de terminar; metade dos formados trabalhava em atividades que não requeriam formação superior. A pesquisa científica e a pós-graduação haviam crescido muito, mas os cursos de alto nível e as publicações científicas de alta qualidade estavam concentrados em poucas instituições públicas, com as demais tendo os custos, mas não os resultados de manter todo o professorado em tempo integral. O sistema de avaliação, caro e obsoleto, não informava à sociedade quais eram os bons cursos, nem o destino de seus formados, nem se estão adquirindo as competências requeridas pela economia digital do século 21. 

Fonte: Wilson Borges Pereira IV, com dados do IPEA e IBGE 

FONTE Wilson Borges Pereira IV 

 

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Ministro-astronauta usa compromisso oficial para passar férias nos EUA

Reporter Global

Publicado

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© Agência Brasil

 

A família do ministro reside em Houston desde o fim dos anos 1990, quando todos se mudaram para a cidade para que Pontes iniciasse a preparação para representar o Brasil na Estação Espacial Internacional

 

O ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações) usou compromisso oficial em setembro para driblar restrições a viajantes do Brasil por causa da pandemia de Covid-19 e passar férias em Houston, cidade no Texas (EUA) onde moram sua esposa e seus dois filhos.

Dessa forma, Pontes conseguiu ainda desfrutar de dez dias de férias no exterior sem gastar com passagens aéreas, uma vez que os deslocamentos foram custeados com recursos públicos.

Em maio, diante do aumento de casos de novo coronavírus no Brasil, o presidente Donald Trump proibiu a entrada nos Estados Unidos de estrangeiros -incluindo brasileiros- que tivessem estado no Brasil 14 dias antes. Quando o republicano assinou a proclamação, havia quase 23 mil mortos pela doença no país – hoje, o total se aproxima de 160 mil.

A restrição, porém, não se aplica a quem tem passaporte diplomático. Com base nessa regra, Pontes aproveitou uma agenda na Universidade Rice, em Houston, no dia 4 de setembro, para entrar nos Estados Unidos com passaporte diplomático. Oficialmente, o ministro iria visitar universidades “com a finalidade de iniciar processos de parceria”.

A família do ministro reside em Houston desde o fim dos anos 1990, quando todos se mudaram para a cidade para que Pontes iniciasse a preparação para representar o Brasil na Estação Espacial Internacional.

O detalhamento dos motivos para viagem disponível no Portal da Transparência indica que a programação do ministro incluía visita à Rice no dia 4 e compromissos na A&M University no dia 5 (sábado), na University of Texas no dia 6 (domingo) e na University of Houston no feriado de 7 de setembro.

Na agenda oficial de Pontes, publicada no site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, aparece a visita a projetos de tecnologia da Rice University no dia 4, programação na Texas A&M University e na Universidade de Houston no dia 5 e nova ida à Rice no feriado de 7 de setembro.

No dia 3 de setembro, foram publicados no Diário Oficial da União dois despachos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que se referiam ao ministro.

Na exposição de motivos número 96, Bolsonaro autorizava o afastamento de Pontes do Brasil no período de 19 a 29 de setembro para que ele participasse da 64ª Conferência-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), evento realizado de 21 a 25 de setembro em Viena, Áustria.

Já na exposição de motivos 97, o presidente deu aval para que Pontes tirasse férias de 8 a 18 de setembro.

Portanto, o período de férias do ministro se deu entre as duas missões oficiais. Em vez de retornar ao Brasil após a série de visitas a universidades nos Estados Unidos, Pontes permaneceu em Houston, cidade onde mora sua família.

O Portal da Transparência registra a compra de uma passagem só de ida de São Paulo para Houston em 3 de setembro, ao custo de R$ 10.634,43, e o pagamento de quatro diárias na cidade do Texas, totalizando R$ 10.100,59. Via LAI (Lei de Acesso à Informação), a Folha obteve a programação de voo do ministro para Viena.

Pontes partiu de Houston em 19 de setembro, fez escala em Nova York e Lisboa antes de terminar na capital austríaca.

Uma pesquisa por voos nos sites de companhias aéreas mostra que a compra de trechos em separado, para o trajeto percorrido pelo ministro, pode representar um acréscimo de 30% a 40% nos preços das passagens, em relação à compra de trechos casados, com ida e volta -no caso, São Paulo-Houston-São Paulo e São Paulo-Viena-São Paulo.

A Folha procurou as quatro universidades informadas pelo ministro na justificativa que consta no Portal da Transparência. Delas, apenas a Rice e a Universidade de Houston responderam.

Em resposta a questionamentos sobre a agenda do ministro no centro de ensino, a assessoria de imprensa da Universidade de Houston informou que não encontrou informações sobre visita do ministro à instituição -no Portal da Transparência e na agenda oficial já há divergência sobre quando teria ocorrido.

Na Rice, a universidade explicou que, em 2019, durante um encontro da câmara de comércio Brasil-Texas, o ministro conheceu representantes da [email protected], entidade que ajuda a divulgar a instituição de ensino junto a estudantes brasileiros e desenvolve projetos de parcerias acadêmicas e profissionais.

Na ocasião, houve conversas sobre possibilidade de colaboração entre o ministério e a universidade. A seguir, o consulado brasileiro em Houston e a câmara de comércio começaram a organizar a visita de Pontes ao campus.

Segundo a Rice, Pontes visitou o centro de ensino em 4 de setembro -não há menção a nenhuma ida à universidade no dia 7, como informa a agenda oficial do ministro. Lá, o ministro esteve em laboratórios e no centro de pesquisas em biociências da universidade.

O ministro almoçou com estudantes, pesquisadores e representantes da universidade, incluindo o presidente do centro de ensino, David Leebron.

Não é a primeira vez que Pontes vai a Houston em compromissos oficiais. Em novembro do ano passado, ele esteve na cidade texana de 19 a 23 de novembro, em viagem com custo total de R$ 25.464,77.

No Portal da Transparência, o motivo para o afastamento do ministro do Brasil era participação dos eventos Space Port Summit e Bratecc’s Fall Mixer, na churrascaria Fogo de Chão, nos quais Pontes seria recebido como convidado especial.

Não há informações na agenda oficial sobre o que o ministro fez no período.

Em março de 2019, o ministro foi de São Paulo para Houston no dia 8 e ficou na cidade texana até o dia 17 -passou o aniversário, em 11 de março, lá.

Inicialmente, o despacho de Bolsonaro que autorizou a viagem do ministro afirmava que Pontes iria não apenas para a cidade onde mora sua família, mas também para Washington.

No entanto, no dia 13, quando já se encontrava no Texas, foi publicada uma retificação no Diário Oficial da União, afirmando que “onde se lê: ‘com destino a Houston e Washington, D.C., Estados Unidos da América’, leia-se: ‘com destino a Houston, Estados Unidos da América'”. O custo total da viagem ficou em R$ 24.673,64.

A Folha procurou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações pela primeira vez no dia 3 de setembro, solicitando explicações sobre as férias e as viagens oficiais de Marcos Pontes. Não houve retorno.

Nos últimos 10 dias, a reportagem enviou e-mails questionando, entre outras coisas, por que o ministro escolheu as universidades mencionadas para visitar -e não outras, de diferentes localidades americanas. Perguntou também se Pontes considerava correto passar férias nos Estados Unidos mesmo com a restrição imposta a turistas brasileiros e se os compromissos oficiais foram criados para casar com suas férias, evitando pagar passagens com recursos próprios.

Os questionamentos não foram respondidos.

 

 

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Papa fortalece grupos LGBT na Igreja, diz coordenadora do movimento gay católico

Reporter Plural

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Ilustração Google

A defesa dos direitos civis de união dos gays, feita pelo papa Francisco, fortalece o trabalho interno nas igrejas de grupos LGBT negligenciados pela hierarquia católica. A opinião é de Cris Serra, coordenadora da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT e do Diversidade Católica, o mais antigo deles, fundado em 2007, no Rio. Psicóloga e doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ela afirma que considera o papa um “moderado” em questões morais, mas avalia que ele traçou um pontificado que dificilmente poderá se alinhar novamente com discursos “moralistas” e “antigênero”, por causa do embate com o ultraconservadorismo católico.

“É a primeira vez que escuto da autoridade máxima da Igreja que a gente tem família. Isso é uma grande coisa”, disse Cris, ao comentar a declaração do papa no documentário “Francesco”. “Tem gente que segue Cristo e faz arminha com a mão”, afirmou ela, sem mencionar o nome do presidente Jair Bolsonaro.

Você também se surpreendeu com as palavras do papa Francisco?

Não é uma mudança doutrinária da Igreja. Acontece no contexto de outros gestos do papa Francisco, acenos simpáticos às pessoas LGBT. Mas são palavras vindas de um papa, reproduzidas no mundo inteiro, isso tem um impacto. O fato de o papa falar em homossexuais e família tem impacto, no contexto em que certos grupos globalmente se apropriam dessa palavra, como os “defensores da família”, para fazer certa guerra ideológica, usando a linguagem do cristianismo como instrumento. Ainda mais vindo desse papa, que, quando era presidente da Conferência Episcopal da Argentina, moveu uma guerra violenta contra o projeto de união civil. Aí, o que originalmente era um projeto de união civil virou de casamento igualitário e assim foi aprovado. Foi uma derrota fragorosa da Igreja argentina encabeçada pelo atual papa. Esta pessoa, com esta história, defender a ideia de que as pessoas LGBT têm direito à união civil também é bastante forte.

O que muda?

O que ele falou fortalece certas vozes e correntes na Igreja. Nossa esperança é fortalecer o trabalho das pessoas nessa perspectiva de valorização da diversidade como algo que enriquece, não só tolerar. Que talvez possa mudar o olhar para a presença das pessoas LGBT. E também os direitos humanos e o combate à violência estrutural contra os grupos mais vulneráveis Eu comecei no Diversidade Católica em 2007. Até 2013, quando Francisco assumiu, eu trabalhei debaixo do Ratzinger. Quando Francisco chega falando numa Igreja de portas abertas, em respeito, diálogo com o diferente, que a Igreja não pode ser transformar numa alfândega moral, mas no abraço pastoral, no acolhimento a todos. Foi muito interessante observar como explodiu naquela época uma demanda por discussão, debate, conversa debate, informação básica sobre LGBT dentro da igreja. Padres, freiras e leigos queriam falar sobre isso. Não se falava sobre isso. A conversa que ele teve com um gay chileno, a frase “Quem sou eu para julgar?”, o lava-pés de uma travesti na Quinta-feira Santa, receber grupos LGBTs para conversar… Isso cria um certo ambiente, não dá para negar. É a mesma coisa que mudança na doutrina? Não é. Ele poderia mudar a doutrina sozinho? Não, não pode. Esse papa gostaria de mudar a doutrina? Não sei. Ele é controverso, de vez em quando fala umas coisas anti-ideologia de gênero, adere a esse discurso da cruzada moral contra a ideologia de gênero. Essa expressão, aliás, é uma invenção católica, surge em ambientes conservadores católicos norte-americanos na década de 1990 para deslegitimar os estudos de gênero e movimentos feministas e LGBT.

Dizem que ele é conservador moralmente.

Eu não diria que ele é conservador, nem progressista. Em termos morais, diria no máximo que é um moderado. Ele criou uma contradição que não sei como ele vai contornar. Ele dá ênfase à questão pastoral, em vez de discutir uma coisa abstrata, descolada da vida das pessoas, ele enfatiza o encontro e o acolhimento das pessoas. Fica difícil ser moralista assim. Fica difícil sustentar certo conservadorismo se você diz acolher as pessoas do jeito que elas são. Fico curiosa se vai ser possível para Francisco, nesse contexto de tensão crescente, continuar a aderir ao discurso antigênero, porque fortalecer a esse discurso é fortalecer a extrema direita, essa questão é um dos eixos da extrema direita. Isso aconteceu um pouco no começo do pontificado dele.

Pode ser parte de uma estratégia política na Cúria, para que os conservadores não joguem contra ele?

Ele tem batido muito de frente, de forma corajosa, preciso reconhecer, com os conservadores. Já sofreu acusação de heresia na carta após o Sínodo da Família, quando falou na necessidade de acolher os casados em segunda união, fala das pessoas LGBT. Foi formalmente questionado duas vezes por cardeais. A guerra que ele enfrenta no conservadorismo católico norte-americano é brutal. Steve Bannon, o amigo de Trump e Bolsonaro, já declarou que o inimigo número um dele é o papa Francisco. A posição do papa naturalmente se polariza com a deles. Esse filme parece ser um grande mapeamento das causas dele contra a extrema direita, como a ecologia, a sustentabilidade, os imigrantes, do colapso do sistema financeiro, da covid-19. Esse movimento ultraconservador usa uma linguagem cristã para falar em nome do ocidente, da civilização cristã, e vem o papa e fala “isso não é cristianismo”. Os caras ficam possessos, porque desmoraliza. Eles odeiam o papa.

Vocês estão satisfeitos ou esperavam mais do papa?

Temos muito trabalho pela frente. A gente vive numa sociedade cis-heteronormativa, binária, LGBTfóbica. A Igreja faz parte dessa sociedade e, às vezes, parece que concentra forças que levam esse ordenamento ainda mais a sério. Eles fazem muito barulho. Existe muito silenciamento das pessoas que pensam diferente e trabalham por um mundo e por uma Igreja diferente. Esse não é o meu cristianismo. Falo em geral, como cristão progressista, cristão LGBT, feministas cristãs, e não só no catolicismo. Tem gente que segue Cristo e faz arminha com a mão e tem gente que segue um Cristo que foi preso político torturado, periférico, que não era branco e nem mesmo de olho azul. A gente não está satisfeita. Foi muito importante uma figura de autoridade olhada por tanta gente que nem toma conhecimento de nossa existência dizer isso e sai na manchete de todos os jornais do mundo todo , não num documentário obscuro que ninguém ia ficar sabendo. Minha mãe mandou a foto do jornal, dizendo “Você já deve estar sabendo disso, mas que grande vitória”.

Esperam mudança na doutrina?

Obviamente, mudanças na doutrina são importantes, mas a política global da Igreja é extremamente complexa. Tenho um amigo padre que diz costuma dizer: ‘Ninguém manda nessa bagaça’. As pessoas acham que o papa pode passar uma canetada e resolver as coisas. Não é assim que funciona. Tanto que a gente tem visto o nível de resistência e de ataques no catolicismo que esse papa sofre. Segmentos ultraconservadores dizem que ele nem papa é, afinal de contas tem outro papa vivo. O Ratzinger corresponde a um certo conjunto de valores, e o Francisco. São projetos de Igreja diferentes. A Igreja não é só o papa, o cardeal o bispo, o leigo, a vovozinha que vai à missa, o garoto que participa do grupo de juventude. É uma multidão de vozes.

Foi dado muita importância a ele ter citado a palavra família.

Ele não fala em constituir família, mas fala de forma ambígua. Nem em casamento, porque provocaria outra guerra, ele estaria morto, e as pessoas no Vaticano são boas de veneno (risos). Mas ele fala ‘As pessoas têm uma família’. Existe essa bandeira nos ativismo LGBT “Nós somos família, nós também temos família’. Isso não é gratuito. Esse papa não é ingênuo, ninguém que chega onde ele está é bobo.

Ele é santo, mas não é bobo.

Definitivamente não. Naquela entrevista em 2013, no avião voltando a Jornada Mundial da Juventude no Rio, quando ele fala “Quem sou eu para julgar?”. Foi a primeira vez que um papa pronunciou publicamente a palavra gay. Tem uma certa estratégia discursiva os documentos da Igreja de não reconhecer a forma como a gente se chama. No catolicismo, eles falam em “atos e tendências homossexuais”. Foi muito revolucionário o papa falar “gay” em 2013. E hoje um amigo comentava que grande novidade ele der dito isso, que temos família, em 2020.

O que o católico gay comentou sobre a entrevista do papa?

As pessoas ficaram muito surpresas, de forma boa, muito contente Foi muito positivo porque as pessoas trabalham dentro da igreja, no acolhimento, no testemunho. É um alento, né?

Traz conforto espiritual gays em conflito pessoal ou familiar?

Há situações muito diferentes. Alguns de nós aprendem a abrir linha direta com Deus e pensar ‘Deixa que com Ele eu me entendo. Se for esperar aprovação do papa, do cardeal ou do bispo, vou morrer sentado’. Agora, tem pessoas que são em algum momento de nossas vidas impactadas por um discurso muito pesado, um discurso mais papista que o papa, mais pesado e condenatório do que a doutrina expressa no catecismo. Eu tenho um conhecido que tentou suicídio depois de ouvir pela milho enésima vez do padre na paróquia dele que o homossexual estava com o ‘demônio no corpo’. A Igreja é mais complexa do que o que está escrito no catecismo. Não está escrito que ato homossexual é pecado. Imagino que para algumas pessoas seja um alento escutar da autoridade máxima da Igreja, mais uma vez, que ‘tudo bem’, de alguma forma. É a primeira vez que escuto da autoridade máxima da Igreja que a gente tem família. Isso é uma grande coisa.

Vocês tem bom diálogo com a CNBB?

Muitas pessoas na CNBB sabem que a gente existe, mas vivemos um contexto complicado. A gente já se comunicou tanto em nível nacional quanto local, a gente envia carta dizendo que vai fazer encontros. A gente não tem expectativa de quem alguém da CNBB aparecerá para participar. A gente comunica para ninguém dizer que estamos fazendo escondido. Mas nunca chegou a haver uma busca, a CNBB chamar a gente para conversar oficial ou extraoficialmente. Existem iniciativa locais, como a Diocese de Nova Iguaçu, no Rio, que é a única que tem uma pastoral da Diversidade. São sempre iniciativas cercadas de certa tensão. Não sei se é jogo para a CNBB bater papo com a gente, porque surgem pressões de setores conservadores acusando o bispo de estar promovendo ideologia de gênero. Já aconteceu, e o bispo disse depois que não tinha nada com isso.

Mas essas palavras do papa não abrem caminho para um diálogo com a CNBB?

Favorece, mas vivemos um contexto local no nosso País extremamente desfavorável, com a extrema direita no poder. As pessoas falam muito nos evangélicos, nos neopentecostais, mas o ultraconservadorismo católico é uma força tremenda. Acho que quem elegeu Bolsonaro foram os católicos. Aquela virulência na porta do hospital, da menina de 10 anos que fez o aborto, é tudo católico.

Existe um pedido de vocês para ter uma pastoral da Diversidade?

Não. Somos atualmente 23 grupos LGBT no Brasil. Estamos trabalhando.

FONTE CONTEUDO ESTADÃO
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