Indígenas fornecem alimentos para programas PAA e Pnae – Portal Plural
Connect with us

Agro

Indígenas fornecem alimentos para programas PAA e Pnae

Publicado

em

Foto de Mariana de Andrade Soares, na aldeia Tekoá Porâ, de Salto do Jacuí


O Dia do Índio, celebrado nesta segunda-feira (19/04), além de ser uma data para conhecer e valorizar a cultura indígena, neste ano traz boas notícias, como a inclusão social e produtiva de famílias Guarani e Kaingang em diversas aldeias do Rio Grande do Sul.

Em Maquiné, por exemplo, indígenas Guarani da Aldeia Yvyty (que significa Castelo, e se situa na localidade de Campo Molhado) se integram ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) como fornecedores de pinhão. Apoiados pela Emater/RS-Ascar e secretarias municipais de Assistência Social e de Agricultura de Maquiné, no ano passado os Guarani entregaram para o PAA 851 Kg de pinhão, resultado numa renda de R$ 5.667,03 para a comunidade. Para este ano, está prevista a entrega de 718 kg de pinhão, o que vai garantir mais R$ 5.083,44 de renda para a comunidade. Assim, nestes dois anos, os Guarani de Maquiné comercializaram 1.569 Kg de pinhão, gerando R$ 10.751,03 para a comunidade através desse mercado institucional, que é o PAA.

O pinhão coletado e entregue pelos indígenas nesta safra é destinado, junto com outros alimentos, para 50 famílias cadastradas no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para recebimento de alimentos através do programa, e os excedente é vendido na feira local. “É uma vitória que a gente conseguiu e a gente quer continuar fornecendo e aumentando a cada ano”, avalia o cacique Ramón Brizoela.

DIVERSIFICAÇÃO

No município de Cacique Doble, indígenas Kaingang, como Podalirio Veiga, estão comercializando seus produtos por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Após quatro anos de entrega de cerca de 40 kg de feijão para a alimentação escolar do município, Veiga se diz satisfeito com a comercialização e conta que produz “um pouco de tudo”. Ele pensa, para este ano, buscar alguma política pública para financiamento das lavouras.

Para a nutricionista do município, Edinara Roberta Accorsi, a experiência tem sido satisfatória. “Como sabemos, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), através do Pnae, orienta a aquisição mínima de 30% dos alimentos da agricultura familiar, priorizando assentados da reforma agrária, quilombolas e indígenas. Como temos indígenas no nosso município, esses estão produzindo alguns alimentos. Já foram adquiridos feijão, ervilha e mandioca. O produto deles tem boas condições higiênico-sanitárias e são de qualidade. Então, é muito importante incluir esse povo na aquisição da alimentação escolar, dar preferência, incentivar o trabalho, mantendo os hábitos alimentares dessa cultura, a tradição alimentar deles. É muito importante trabalhar com esse povo indígena e foi através da Emater que tive o contato”, conta Edimara.

No município de Água Santa, a Emater/RS-Ascar está envolvida com uma ação de segurança e soberania alimentar, incentivando e orientando na produção de alimentos. O produtor indígena Kaingang, Elvis Braga, da área indígena Faxinal, conta feliz sobre a produção de galinhas caipiras. “A maioria do pessoal plantou milho e tem criação de galinha caipira. Cada morador tem umas 30 ou 40 galinhas, para consumo da carne e ovos, e algumas famílias começaram com criação de leitões”, explicou.

Além de carne e ovos, a área indígena Faxinal, onde vivem 25 famílias, coleta e comercializa pinhão e produz mandioca, fornecendo para uma cooperativa familiar. Elvis e os demais moradores pretendem se aprimorar no cultivo do tomate. “É uma experiência boa a produção de tomate, plantamos em cima do laço, mas nesse ano em parceria com a Emater vamos plantas duas ou mais variedades e ter para vender. O que plantamos, consumimos e vendemos. Também fizemos molho de tomate”.

A liderança Kaingang Brasília de Oliveira Freitas, da Terra Indígena da Guarita, onde vivem 7.600 indígenas, entre os municípios de Tenente Portela, Redentora e Erval Seco, se diz muito preocupada com as temáticas da inclusão social de gênero e com os direitos dos povos indígenas, não cumpridos desde a Constituição de 1988. Segundo ela, nesse momento de pandemia são aguardadas cestas básicas da Funai, para garantir a segurança alimentar, considerada um “alimento adequado e tratamento preventivo para a família. Temos terra produtiva, mas não temos fonte de recursos para produzir essa segurança. Acredito que as mulheres devem abraçar essa causa, através do coletivo nacional e estadual”, avalia Brasília, que anuncia a criação de um coletivo de mulheres do Guarita, para ajudar na sustentabilidade e na inclusão social de gênero e geração de alimentos. “Também defendemos a proteção da nossa semente crioula, que é da cultura indígena, que tá se perdendo, e nós precisamos disso”, ressalta.

SEMEANDO NAS ALDEIAS

Como forma de ampliar o acesso a alimentos e minimizar os impactos sociais e econômicos da pandemia da Covid-19 a 5.260 famílias indígenas das etnias Charrua (17), Guarani (921) e Kaingang (4.322), que vivem em 150 aldeias, localizadas em 67 municípios do Estado, a Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), lança, neste mês de abril, o Projeto Semeando nas Aldeias.

As sementes de hortaliças foram adquiridas com recursos da Seapdr e vão beneficiar famílias assistidas pelos extensionistas da Emater/RS-Ascar. Abóbora Xingó Jacarezinho Casca Grossa, Melancia Crimson Sweet, Melão Hales Best Jumbo, Mogango Enrugado Barão, Moranga de Mesa (Exposição) e Repolho Chato de Quintal são as seis espécies de hortaliças adquiridas. Cada kit de sementes de hortaliças conterá as seis espécies. As famílias também receberão sementes de milho e de feijão e orientações sobre horticultura, compostagem e o cultivo adequado de cada espécie, além de informações sobre os seus benefícios nutricionais, incluindo receitas que valorizam e enriquecem os alimentos tradicionais já consumidos pelas famílias indígenas.

 

Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Agro

Emater/RS-Ascar orienta sobre implantação de sistemas de irrigação em pastagens

Publicado

em

Foto: Deise Froelich

Quem acompanhou o Seminário de Irrigação em Pastagens, promovido pela Emater/RS-Ascar e pela Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), nesta quinta-feira (10/06), teve a oportunidade de acompanhar orientações práticas sobre elementos decisórios, viabilidade e custos de sistemas de irrigação. As palestras virtuais, mediadas pelo extensionista do Escritório Central da Emater/RS-Ascar Carlos Gabriel Nunes dos Santos, foram transmitidas e seguem disponíveis no Canal do Rio Grande Rural, no YouTube, e na página oficial da Emater/RS-Ascar no Facebook.

O coordenador das Câmaras Setorias e Temáticas da Seapdr, Paulo Lipp, frisou que o seminário sobre irrigação é de fundamental importância “haja vista que nós temos passado no RS por frequentes estiagens danosas aos agricultores e precisamos avançar muito na irrigação, sendo que com a parceria da Emater, a Secretaria de Agricultura tem atuado bastante nesta área. Temos o Programa Mais Água, Mais Renda, que desde 2011 contribuiu para duplicar a área irrigada no RS, por exemplo, além da construção da abertura de poços e construção de açudes e o Programa Segunda Água, que atende a famílias em situação em vulnerabilidade social construindo o açude e disponibilizando pequenos kits de irrigação por gotejamento”.

O diretor técnico da Emater/RS, Alencar Rugeri, destaca que a irrigação é aquilo que se preconiza como sucesso e segurança da produção. “Irrigação ajuda a controlar um dos principais fatores de risco da agricultura, que é a disponibilidade de água. Aquele produtor que está com a atividade bem remunerada, principalmente em grãos, pode estar vivendo um momento ímpar de fazer o investimento para ter sucesso na atividade, com planejamento, profissionalismo e gestão”, enfatizou.

Elementos decisórios para irrigar

Aspectos que envolvem a decisão de irrigar foram abordados na palestrada conduzida pelo extensionista do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Alecrim, Carlos Olavo Neutzling, que lembrou a importância da discussão do tema, uma vez que levantamento realizado recentemente pela Emater/RS-Ascar apontou que 94% dos produtores de leite gaúchos adotam o sistema de produção a pasto. Desta forma, a irrigação pode ser uma grande aliada nos resultados da produção de alimentos aos animais, influenciando também na produtividade de leite e de carne alcançada nas propriedades. “De todos os projetos elaborados na região de Santa Rosa, mais de 70% foram voltados à irrigação de pastagens. A média das áreas irrigadas de pastagens é de três hectares, com foco principal em garantir alimentação dos animais”, lembra. A disponibilidade de água associada a nutrientes vindos do solo e a luz solar são elementos decisivos para o desenvolvimento de plantas forrageiras.

Para melhorar a disponibilidade e o aproveitamento das águas, a irrigação pode ser uma equalizadora. É uma tecnologia que, segundo Neutzling, contribui na melhoria da distribuição da água, no aumento da produtividade das culturas, na redução do risco de investimentos realizados, na ampliação da eficiência dos fertilizantes utilizados, na possibilidade de introduzir culturas de maior valor e influencia inclusive na valorização das propriedades.

Aspectos técnicos necessários para a implantação do sistema de irrigação também foram esclarecidos com exemplos, como a avaliação do módulo de água disponível, licenciamento ambiental, fonte de energia para movimentação da água – seja elétrica, oriunda de combustíveis, sistemas fotovoltaicos ou pela produção de metano.

A instalação de sistemas de irrigação requer recursos e deve ser considerada um investimento na propriedade, por isso algumas fontes foram apresentadas, lembrando da existência de programas governamentais que a Emater/RS-Ascar operacionaliza em seus Escritórios Municipais, profissionais preparados para orientações sobre as diversas linhas de financiamento, bem como, para elaboração de projetos de crédito para os agentes financeiros.

Sistemas, manejo e custos

A abordagem do extensionista do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa Claudemir Gilberto Ames esclareceu sobre sistemas de irrigação, custos, análise de viabilidade e manejo. Microaspersão, hidroponia, hidroponia em substrato, gotejamento, carretel autopropelido, pivô central e aspersão convencional são os mais usuais.

Ames esclareceu, com exemplos, o cálculo dos custos operacional e financeiro da implantação, abordando também a estimativa da viabilidade de um hectare de pastagem irrigada, se levadas em conta a durabilidade do sistema e a capacidade de carga e produção.

O extensionista lembrou que vivemos um contexto climático oportuno para a decisão sobre irrigar. “A hora de pensar em implantar um sistema de irrigação é agora, quando está chovendo bem, quando é possível fazer a reservação, para evitar efeitos da estiagem como as enfrentadas na safra passada. É preciso trabalhar com prevenção”, reiterou.

A quem tem sistema de irrigação implantado, observou que normalmente existe a preocupação de acioná-lo somente quando os sintomas de estiagem já aparecem visualmente, quando já há indícios de prejuízo. Contudo, a recomendação é de que após uma boa chuva, de aproximadamente 30 a 35mm, já no terceiro dia após a precipitação seja iniciada a suplementação com a irrigação. “Irrigação é tecnologia de produção, irrigação não é método de combate à seca. As estiagens são cíclicas, nos cabe buscar alternativas para mitigar seus efeitos”, reiterou.

 

[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

Agro

Agricultores de Cândido Godói diversificam alimentação dos animais com BRS Capiaçu

Publicado

em



Forrageira com baixo custo de implantação e expressivos resultados a campo, a BRS Capiaçú passa a fazer parte do cenário de um número cada vez maior de propriedades do Noroeste gaúcho. De 2 a 8 de junho, a Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), realizou a distribuição de mudas da forrageira em frente ao Escritório Municipal de Cândido Godói ao longo de todo o dia. Com isso, mais de 70 produtores do município acessaram as mudas com o intuito de ampliar a oferta de forragem aos animais.

O extensionista da Emater/RS-Ascar Elton Luís Naumann lembra que a BRS Capiaçú é uma forrageira desenvolvida pela Embrapa, sendo uma planta com alto valor nutricional e com alta produtividade. Conforme a Embrapa Gado de Leite, a cultivar pode atingir uma produção média de 300 toneladas/ha/ano em três cortes.

Pode ser colhida manualmente e fornecida picada verde no cocho, com 50 a 70 dias de idade, podendo chegar ao máximo valor nutricional e PB 9,7%. Outra forma de aproveitamento é a produção de silagem.

A BRS Capiaçú pode ser fornecida para vacas com produção diária de até 20 litros de leite e para outras categorias, como vacas secas, novilhas, terneiras e bovinos de corte. Também é aproveitada na alimentação de ovelhas e peixes.

[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

Agro

Cotrirosa capacita funcionários da Central de Tratamento de Sementes

Publicado

em



Os funcionários da Cotrirosa participam nesta quarta e quinta-feira, 09 e 10 de junho, na modalidade on-line, do curso de formação de novos operadores da máquina de tratamento de sementes industrial.

O curso de 12 horas ministrado por profissionais da Bayer, tem como objetivo capacitar os participantes para atuar com a máquina de tratamento de sementes que integra a Central de tratamentos de sementes da Cotrirosa, localizada junto ao Centro Administrativo, em Santa Rosa.

Atualmente, são tratadas 450 sacas de semente por hora, com precisão e eficiência no tratamento. Para o engenheiro agrônomo da Cotrirosa, Jairton Dezordi, “a capacitação dos profissionais é parte importante para continuarmos oferecendo aos produtores uma semente de qualidade, que nos dá a tranquilidade e a garantia de termos um bom desempenho da cultura nas lavouras e um ótimo resultado na safra”.

A Cotrirosa atua com a Central de tratamento de sementes desde 2015 com a industrialização de sementes de soja, trigo e milho. No mês de abril, a Cooperativa recebeu o selo de excelência Bayer SeedGrowth no tratamento de sementes. A certificação foi entregue pela Bayer para dez, das 60 empresas que tem a máquina de tratamento de sementes instaladas em todo o Brasil.

[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

Trending

© 2021 PORTALPLURAL.COM.BR Todos os direitos reservados.


×