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Homem chegava na Lua há 50 anos – Portal Plural
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Homem chegava na Lua há 50 anos

Pável Bauken

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O cancioneiro nacional tem mais de uma dezena de músicas que tratam de temas ligados à epopeia humana no espaço sideral. Vinicius de Moraes e Baden Powell compuseram “O astronauta”, após o soviético Iuri Gagarin ir à órbita da Terra (abril de 1961) e revelar à humanidade que “a Terra é azul”.

O cosmo, os astros e o homem no espaço também mobilizaram Erasmo e Roberto Carlos, que nos tempos da jovem guarda compuseram a homônima “O astronauta”; “O disco voador” e “Na lua não há”. Naves espaciais, a Lua, o Sol, as estrelas, e até seres extraterrestres inspiraram Gilberto Gil (“Lunik 9”); Jackson do Pandeiro (“Cantiga da Perua”); Batatinha (“Foguete Particular”), Jorge Benjor (“O dia que o Sol declarou o seu amor pela Terra”); e Rita Lee (“Alô alô, marciano”), entre outros compositores, cantores e músicas.

Caetano Veloso registra na canção “Terra” (impressa em disco de 1978) o impacto de ter visto “as tais fotografias” do planeta obtidas pela tripulação norte-americana da Apollo 8, ao registrar “o nascer da Terra” – quando o módulo espacial voou na órbita lunar em fins de dezembro de 1968.

Em seu livro de memórias “Verdade Tropical”, Caetano conta como foi ver aquela imagem pela primeira vez. “Um dia Dedé [Gadelha, primeira esposa,] me trouxe uma revista Manchete com as primeiras fotografias da Terra tiradas de fora da atmosfera. Eram as primeiras fotos em que se via o globo inteiro – o que provocava forte emoção, pois confirmava o que só tínhamos chegado a saber por dedução e só víamos em representações abstratas”.

O efeito no compositor, então preso em quartel do Exército em Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro, repetiu aquele partilhado por centena de milhões ou bilhão de pessoas que assistiram na véspera do Natal a transmissão via satélite em que os astronautas leram os primeiros dez versos do Gênesis, enquanto pairavam sobre a Lua e faziam imagens do satélite e da Terra.

Naquele instante ou depois, ao ver as imagens em revistas e jornais, a população mundial percebeu como a Terra era pequenina suspensa em imensurável e pacato fundo negro. “Segundo dizia [o astrônomo] Carl Sagan, foi com aquela foto, foi naquele momento, que se percebeu que a Terra está sozinha em um enorme oceano escuro, que a Terra é pequena e de certa forma frágil”, cita o físico e astrônomo Roberto Dell’Aglio, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

Para ele, o legado da foto da Apollo 8 foi “florescer a consciência ecológica” e o homem perceber a finitude da Terra. Uma perspectiva até então inédita e que baseou as preocupações preservacionistas e conservacionistas que surgirão a partir dali.

“A maior descoberta da ida à Lua foi a Terra. Ou seja, a partir das viagens, nós obtivemos da órbita da Lua uma visão extraordinária da Terra”, assinala o engenheiro mecânico José Bezerra Pessoa Filho, que trabalhou por mais de 30 anos no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP).

Alunissagens e guerra fria

As imagens que comoveram artistas e cientistas, e apresentaram o mundo ao mundo, não foram, no entanto, o maior feito da aventura do homem no espaço. Esse aconteceu em 20 de julho de 1969, um domingo, quando o engenheiro aeroespacial e astronauta Neil Alden Armstrong, então com 38 anos, colocou o pé esquerdo pouco antes da meia noite (horário de Brasília) em solo lunar.

O gesto foi acompanhado das célebres palavras pronunciadas por Armstrong e escutadas em cadeia televisiva: “um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

A caminhada de Neil Armstrong e de seu colega Buzz Aldrin, por duas horas e meia, pela superfície da Lua selou a vitória simbólica dos Estados Unidos da América (EUA) sobre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) na corrida espacial iniciada na década de 1950. As demais alunissagens foram feitas exclusivamente pelos norte-americanos até 1972, em cinco seguintes missões (Apollo 12;14; 15; 16 e 17), e confirmaram a hegemonia alcançada pelo Ocidente.

Até o programa Apollo, da National Aeronautics and Space Administration (Nasa), a corrida espacial era vencida com folga pelos soviéticos. Antes de colocar Gagarin no espaço e inspirar Vinicius de Moraes, a URSS lançou o Sputnik em volta da Terra (1957); enviou a cadela Laika (primeiro ser vivo) à órbita (também em 1957) e fotografou a face oculta da Lua (1959) – onde a sonda chinesa Chang’e-4 posou este ano.

“A intenção dos americanos naquele mundo bipolar era mostrar que eram melhores que o mundo comunista”, comenta Bezerra Pessoa ao lembrar da guerra fria entre EUA e URSS, e que as naves espaciais eram transportadas por foguetes que também podem servir como mísseis de longo alcance, como o foguete R7 que levou o Sputnik à órbita da Terra ou o Saturno 5 que transportou a Apolo 11 ao espaço.

“A ida à Lua tem o contexto da propaganda e do marketing, mas foi fomentado pela questão militar. O contexto era de disputa pela hegemonia no planeta. As missões do programa Apollo são resultado direto da guerra fria”, acrescenta.

Poeira das estrelas

Para a astrofísica Duília Fernandes de Mello, vice-reitora da Universidade Católica da América, em Washington, “a missão Apollo ainda é uma inspiração para todos. Daqui a 500 anos a gente ainda vai lembrar do século 20 como o século que nós pisamos em outro corpo celeste”, declara com entusiasmo científico.

Na opinião de Carlos Augusto Teixeira de Moura, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), o desenvolvimento tecnológico é o maior legado daquele momento. “Havia tecnologia para lançar objetos ao espaço, colocar objetos em órbita. Mas com uma envergadura desse tipo, de ir até outro objeto no universo, orbitá-lo, pousar nesse objeto e retornar foi grande conquista”, declara ainda impressionado pela garantia de segurança, alimentação e sobrevivência das tripulações que desceram na Lua (12 homens no total).

Para além dos meios e modo de fazer alunissagem, às viagens espaciais implicaram no desenvolvimento de tecnologia em uso no cotidiano como a miniaturização eletrônica dos computadores de bordo, hoje em carros e aviões; uso de satélites para transmissão de imagens e informações; o monitoramento e ações a distância (próprio da telemedicina).

Há outras tecnologias mais comezinhas, importantes nas viagens espaciais, e presentes no dia a dia das pessoas comuns, como os tênis com absorção de impacto, as roupas térmicas, a comida desidratada e as refeições embaladas a vácuo.

Em termos científicos, o maior progresso se deu com o exame do material recolhido na Lua. A coleta de um total de 382 kg de rochas, pedra e areia da Lua, feita em seis missões do programa Apollo, ajudou o desenvolvimento da teoria de que a Lua é resultado do choque, no começo da formação do sistema solar, de um corpo celeste do tamanho de Marte com a Terra.

“O resultado dessa colisão foi um monte de partículas que ao longo do tempo foi se aglomerando e daí surgiu a Lua”, resume Bezerra Pessoa Filho. “Nós somos feitos da mesma coisa. Como disse Carl Sagan, somos feitos de poeira das estrelas. Não tem nada especial”, comenta.

“A chegada do homem à lua tem a ver com um determinado momento da construção do conhecimento, em especial com a investigação sobre como evoluiu o sistema solar, como a Terra e a Lua se formaram”, confirma o progresso Roberto Dell’Aglio, da USP.

Programa Espacial Brasileiro

A corrida espacial gerou interesse do governo brasileiro antes das descobertas das missões Apollo. Em agosto de 1961, menos de 20 dias antes de renunciar, opresidente Jânio Quadros instituiu por decreto o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Estudos Espaciais, a pedra fundamental do Programa Espacial Brasileiro. No mesmo dia do decreto, Jânio condecorou o astronauta soviético com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

“No final da década de 1950 e começo dos anos 1960, nós vivemos um momento muito promissor no Brasil de desenvolvimento tanto científico quanto tecnológico”, avalia o presidente da AEB. Conforme Teixeira de Moura, “era um momento especial. De um país essencialmente agrícola, começávamos a arranhar a fronteira do conhecimento que era a área espacial”.

Para ele, a chegada do homem à Lua oito anos após a instituição do programa espacial, “foi uma injeção de ânimo grande nas pessoas que viram que elas não estavam apenas fazendo algo como a pesquisa pela pesquisa ou a ciência pela a ciência, mas tinha a possibilidade de participar de investimentos de grande envergadura que teriam influência no nosso cotidiano”.

De acordo com o presidente da AEB, o Brasil passou na década seguinte a “ambicionar” a capacidade de projetar satélites, dispor dos serviços desses satélites e usar os centros de lançamento – a base Barreira do Inferno, fundada em 1965 em Parnamirim (RN); e de Alcântara (MA), inaugurado em 1983 – para essas operações, além de ter um foguete próprio para levar objetos ao espaço.

Segundo especialistas, a ambição do Brasil esbarrou em dois obstáculos. Uma externa e outra interna. A primeira é a diminuta cooperação internacional para realizar os feitos projetados. A sensibilidade da cooperação tem razões estratégicas. Quem fabrica foguete também pode ter míssil – como ocorreu com os Estados Unidos e a União Soviética no início da corrida espacial.

“A participação americana nos primeiros dez anos do programa espacial foi essencial. Sem eles, não teríamos chegado onde chegamos. Quando perceberam que tínhamos ambições para outras coisas, queríamos construir um foguete lançador de satélite, perceberam que não era interessante continuar apoiando”, analisa Bezerra Pessoa Filho, que se doutorou nos EUA e passou três décadas no DCTA.

Em termos formais, a cooperação técnica para construir foguete é limitada também pelo tratado de não proliferação de armas nucleares (TNP), assinado em Londres, Moscou e Washington, em 1º de julho de 1968, e que o Brasil se tornou signatário em 1998.

Conforme o primeiro artigo do termo que tem valor de lei, os países nuclearmente armados comprometem-se a não transferir, ”para qualquer recipiendário”, armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares.

A limitação da transferência tecnológica dificulta progressos locais, e a aquisição de soluções já prontas. “Toda vez que tem que parar uma iniciativa para reprojetar alguma coisa, que se comprava no mercado [internacional] e de repente tem que produzir por meios próprios, acaba por haver atrasos e aumento de custos”, explica Teixeira de Moura.

O presidente da AEB avalia que o bloqueio interno criou mais dificuldades do que a imposição estrangeira. “O principal fator foi a falta de prioridade política”, considera. “Sem ter isso como uma prioridade de Estado, vai ter menos prioridade de recursos, tanto materiais e financeiros quanto humanos, e as coisas começa a atrasar”.

O astronauta Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, corrobora a visão do dirigente da Agência Espacial Brasileira. “Quando uma nação se dedica a fazer alguma coisa, ela consegue fazer”, disse o ministro que esteve na Estação Espacial Internacional (ISS) em abril de 2006.

Pontes vislumbra a revitalização do programa espacial com a possibilidade do uso comercial do Centro Espacial de Alcântara. O uso da base por países estrangeiros pode gerar US$ 3,5 bilhões por ano ao Brasil, calcula o ministro

“Esse esforço de trabalhar com o Centro Espacial de Alcântara, de gerar recursos para suplementar recursos para desenvolver nossos satélites, desenvolver mais formação de técnicos e engenheiros”, descreve o ministro.

O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), assinado em março entre o governo do Brasil e o governo dos Estados Unidos, é o primeiro termo que pode viabilizar o uso da base que próxima à Linha do Equador, que garante o lançamento de foguetes com gasto menor de combustível.

Missão a Marte

O ministro Marcos Pontes também é otimista com a retomada das viagens à Lua. “O ser humano tem isso de explorar o desconhecido. Foi isso que nos trouxe aqui. Foi o que nos trouxe a tecnologia, o começo da ciência, o raciocínio”, salientou em conversa com jornalistas da EBC após entrevista à TV Brasil.

“É a necessidade de conhecer que empurra a natureza humana”, disse Pontes ao comentar o interesse chinês em fazer visitas tripuladas ao satélite da Terra, intenção declarada inicialmente na Conferência de Exploração Espacial Global, ocorrida em 2017.

Roberto Dell’Aglio, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, também observa o interesse chinês em fazer um pouso no lado oposto da Lua, “que não é escuro como se pensa”. Em sua percepção, uma base na Lua pode servir como plataforma de exploração do sistema solar.

Depois de chegar à Lua, o corpo celeste mais próximo que poderia ser visitado pelo homem seria Marte. “Mas para que isso seja verdade uma quantidade grande de tecnologia precisa ser desenvolvida”, indica Dell’Aglio. Para ele, “a Lua é o lugar ideal para se testar esse tipo de tecnologia”.

O maior limitante para uma viagem tripulada à Marte “é o fator humano”, pondera o engenheiro Bezerra Pessoa Filho. Ele calcula que com a tecnologia disponível, a viagem levaria cerca de três anos e meio. “Nós nunca passamos tanto tempo no espaço assim”, ressalta.

Além do longo tempo exigido, a aventura exigiria um carregamento inédito de combustível para garantir a volta dos astronautas. “Se a gente levar o combustível que precisa para voltar, o foguete ficaria tão pesado que não sairia da Terra”, prevê.

Segundo Bezerra Pessoa Filho, a tecnologia de lançamento pode ser beneficiária dos avanços obtidos com a eletrônica após a ida à Lua, mas o foguete não seria muito diferente em peso e tamanho que o Saturno V (da altura de um prédio de 35 andares e carga de três toneladas).

O empreendimento resultaria em um gasto elevado. A preço de hoje, o especialista estima que o Programa Apollo tenha tido um custo total entre US$ 150 e US$ 250 bilhões – no teto, o valor que o Brasil deve economizar em 10 anos com a reforma da Previdência Social.

A impossibilidade tecnológica e o altíssimo custo não vão deter o gênio humano, assegura Bezerra Pessoa Filho. “A exploração espacial faz parte da natureza humana, nós somos assim. Certamente continuaremos nossa exploração. Somente neste século descobrimos 4 mil planetas fora do sistema solar”, diz lembrando das observações por telescópios gigantes.

A ciência ainda não sabe quando o homem poderá ir à Marte, mas a poesia anteviu o feito. “O homem chateia-se na Lua / Vamos para Marte – ordena a suas máquinas / Elas obedecem, o homem desce em Marte /Pisa em Marte / Experimenta / Coloniza / Civiliza / Humaniza Marte com engenho e arte”, escreveu Carlos Drummond de Andrade no poema “O Homem; As Viagens”, publicado em 1973 no livro “As impurezas do Branco”.

Entrevista – Pesquisa Espacial

Clique aqui e leia a entrevista com engenheiro mecânico e professor Luís Eduardo Loures da Costa, responsável pelo projeto Itasat-1, um microssatélite brasileiro construído pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Fonte Agência Brasil

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Mundo

Venezuela diz ter remédio que ‘inibe 100%’ Covid-19 e busca certificação na OMS

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Foto: Palácio de Miraflores/via Reuters

 

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou, nesta segunda-feira (27), o início dos procedimentos de certificação e registro na Organização Mundial da Saúde (OMS) de uma molécula que “inibe 100%” o novo coronavírus, que causa a Covid-19.

 

“Queremos informar que formalizamos esse estudo, esse achado, antes que a OMS inicie os procedimentos internacionais para certificação e registro desse achado tão importante e transcendental”, disse Rodríguez.

Um vídeo divulgado nesta segunda-feira pelo governo mostra Rodríguez e o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, se reunindo com o Dr. Pier Paolo Balladelli, representante da OMS na Venezuela.

“Tivemos a possibilidade e a oportunidade de compartilhar com Balladelli, demos a ele informações precisas sobre essa linha de pesquisa que está sendo desenvolvida pela comunidade científica venezuelana”, disse Rodríguez.

Já o presidente do país, Nicolás Maduro, explicou neste domingo que, em “estudos pré-clínicos”, um grupo de pesquisadores venezuelanos identificou e isolou “uma molécula pertencente a uma planta medicinal” que inibe 100% o novo coronavírus.

Segundo nota do Ministério do Poder Popular para a Ciência e Tecnologia, Maduro afirmou que se trata da molécula DR-10 e que é um componente antiviral altamente eficaz contra o novo coronavírus.

No momento, não há evidências científicas que sustentem as afirmações das autoridades venezuelanas.

Até esta terça-feira, segundo dados do governo de Maduro, a Venezuela registra 777 mortes relacionadas à Covid-19 e mais de 90 mil casos. Desses pacientes, as autoridades registram que 84.444 se recuperaram.

 

 

CNN

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Mundo

A uma semana da eleição, Biden tem maior vantagem em 24 anos

Reporter Global

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Setur Bombinhas / Divulgação

 

Em 1996, sete dias antes do dia do pleito, Bill Clinton estava 14,7 pontos percentuais à frente de seu adversário, o republicano Bob Dole

 

O candidato democrata à Presidência dos EUA, Joe Biden, tem na manhã desta terça (27) vantagem de 9,1 pontos percentuais sobre Donald Trump, segundo a média das pesquisas nacionais de intenção de voto.

O levantamento, feito pelo site especializado FiveThirtyEight, mostra ainda que essa é a maior diferença entre candidatos a uma semana da eleição em 24 anos –os americanos vão às urnas em 3 de novembro.

Em 1996, sete dias antes do dia do pleito, Bill Clinton estava 14,7 pontos percentuais à frente de seu adversário, o republicano Bob Dole. O democrata acabou vencendo o pleito por 49,2% a 40,7%, diferença de 8,5 pontos. Desde então, ninguém conseguiu alcançar vantagem de dois dígitos tão próximo da eleição.

Quem chegou mais perto da marca foi Barack Obama – de quem Biden foi vice. Em 2008, neste mesmo momento da corrida, ele tinha 7 pontos percentuais de vantagem sobre John McCain. No fim a margem de vitória democrata foi de 7,2 pontos, semelhante à prevista nos levantamentos.

A diferença atual de Biden para Trump é quase o dobro dos 4,8 pontos percentuais que Hillary Clinton tinha sobre o republicano a uma semana da eleição. Na reta final de 2016, Trump conseguiu diminuir essa margem, e a democrata ganhou no voto popular por apenas 2,1 pontos percentuais.

O atual presidente, por sua vez, venceu em estados-chave do Meio-Oeste, como Pensilvânia, Wisconsin e Michigan, e conquistou o cargo via Colégio Eleitoral –sistema indireto que escolhe o presidente dos EUA.

Nesse modelo, cada estado tem um número de votos proporcional à população. A Califórnia, com 39,51 milhões de habitantes, por exemplo, tem direito a 55 representantes. A Dakota do Sul, com 884,6 mil, a 3.

O candidato que vence a eleição em um estado leva todos os votos dele – as exceções são Nebraska e Maine, que dividem os votos de maneira mais proporcional. No fim do processo, é eleito quem conquistar mais da metade dos votos no Colégio Eleitoral, ou seja, ao menos 270 dos 538 votos possíveis.

Assim, a senha para vencer a eleição é conquistar os estados onde a disputa é mais apertada.

Neste ano, 13 estados apresentam esse cenário – sete do quais com leve inclinação pró-Biden nas pesquisas (Arizona, Michigan, Minnesota, Nevada, New Hampshire, Pensilvânia e Wisconsin), cinco indefinidos (Flórida, Geórgia, Carolina do Norte, Iowa e Ohio) e um com inclinação pró-Trump (Texas).

Nos outros 37, as vantagens dos dois candidatos estão mais consolidadas, e uma supresa é improvável. Assim, o democrata tem 212 votos no Colégio Eleitoral que podem ser considerados seguros ou muito prováveis, enquanto o republicano tem 125 nessa mesma situação.

Caso o quadro se confirme, Biden precisa vencer seis dos sete estados em que tem pequena vantagem para chegar aos 270 votos do Colégio eleitoral e ser eleito presidente.

Já Trump tem situação mais complicada: precisa confirmar o favoritismo no Texas, vencer os cinco estados indefinidos e ainda surpreender em ao menos dois estados com inclinação democrata.

É por isso que sites especializados apontam que a chance de Biden vencer está na casa dos 90%. Há quatro anos, Hillary chegou ao dia da eleição com cerca de 70% de chance de vencer e acabou derrotada.

Isso ocorreu, em parte, porque estados geograficamente próximos ou demograficamente semelhantes costumam votar de maneira semelhante. Ou seja, se Trump conseguir vencer Biden em um estado do Meio-Oeste no qual o democrata está na frente, é grande a chance de ele ganhar em outro.

Segundo modelo do FiveThityEight, uma vitória de Trump na Pensilvânia – onde Biden atualmente lidera com 5,3 pontos percentuais – transformaria o republicano em favorito em Wisconsin e elevaria a chance de ser reeleito para 68%.

Por outro lado, se Biden confirmar a dianteira e de fato vencer o estado, Trump vê suas chances de vitória caírem para 2%. É devido a essas variações que, a sete dias da votação, os dois rivais seguem com chances de chegar a Casa Branca.

 

 

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Geral

Argentina estende por 14 dias a quarentena mais prolongada do mundo.

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O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou ontem uma nova extensão, sem modificações, da quarentena para tentar conter a epidemia de coronavírus. A medida foi prolongada até 8 de novembro. A Argentina já acumula 233 dias de um regime que, mesmo sob fortes restrições, mantém o país entre os piores do ranking global de contágios.

“Vamos continuar por mais 14 dias como estamos hoje”, anunciou Fernández. O chefe de Estado comunicou sua decisão aos argentinos durante uma visita à província de Misiones, na fronteira com o Brasil e com o Paraguai.

O novo coronavírus agora avança pelo interior do país, especialmente por oito províncias que concentram 55% dos cerca de 15 mil contágios diários: Córdoba, Santa Fé, Tucumán, Mendoza, Neuquén, Río Negro, Chubut e San Luis.

Ao contrário do interior, na área metropolitana de Buenos Aires, que inclui a capital argentina mais 13 municípios ao redor da cidade, a curva de contágio tem diminuído nas últimas duas semanas, embora ainda seja considerável.

“Vamos ver os frutos que deram os 14 dias em que declaramos o último isolamento sanitário. Por esse motivo, vamos continuar nas mesmas condições que estamos hoje. Apesar da baixa na área metropolitana de Buenos Aires, ainda não podemos dizer que estamos tranquilos porque há um número de contágios significativo”, apontou.

Apesar da mais prolongada quarentena do mundo, a Argentina tem escalado posições no ranking global de contágios. Com 1,07 milhão de infectados, o país ocupa o sétimo lugar na lista de países com maior número de contaminados em proporção à população, mesmo quando é um dos que menos testes faz. Durante a última semana, o país chegou a ocupar a quinta posição.

O físico Jorge Aliaga, pesquisador da Universidade de Buenos Aires e do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), calcula que o número de casos positivos seja até oito vezes maior do que o registrado pelas autoridades.

“Na Argentina, já devem ter sido contagiadas entre 5 e 8 milhões de pessoas, apesar de os testes só terem confirmado 1 milhão”, afirmou Aliaga.

Se observadas apenas as últimas cinco semanas, a Argentina se encontra entre os países com maior número de mortes diárias. São 8 por milhão de habitantes, segundo dados dos Centros de Controle Epidemiológico Europeus.

Vírus avança pelo interior

“Vemos que, no interior do país, o vírus está disseminado para além das cidades. Está também nos pequenos povoados”, indicou o presidente, como argumento para justificar a saturação de hospitais de cidades do interior.

“Além dos contágios, […] notamos um estresse no atendimento médico. Hospitais saturados, pessoal de saúde que se cansa. Há lugares específicos em todas as províncias em que o nível de saturação está num ponto limite”, admitiu Fernández, explicando que a saturação nesses hospitais acontece porque eles “atendem a todos os povoados próximos”.

Sondagens indicam que a maioria dos argentinos é contra a continuidade da quarentena após 217 dias de estritas restrições. Segundo a consultora Giacobbe, por exemplo, 58,2% dos argentinos reprovam uma nova extensão. O número tem crescido a cada 14 dias. Na sondagem anterior, eram 55%.

“Longe estamos de querer cortar direitos e liberdades. Só procuramos preservar a saúde de todos nós”, argumentou o presidente. “Pouco a pouco, vamos abrir as atividades, porque a economia também precisa”, prometeu Fernández, indicando ao mesmo tempo que o país “está longe de ter resolvido este problema”.

25.mai.2020 - Homem protesta pelo fim da quarentena em Buenos Aires após o governo argentino decidir estender o isolamento - Getty Images - Getty Images

Buenos Aires flexibiliza restrições

No sentido contrário aos anúncios do presidente, o governador do Distrito Federal, Horario Larreta, anunciou novas flexibilizações na capital do país.

Bares, restaurantes e academias poderão ocupar 25% das suas capacidades máximas internas, dependendo da ventilação. Até agora, só podiam usar espaços ao ar livre. Museus poderão abrir com reserva prévia, assim como piscinas ao ar livre poderão funcionar com número limitado de frequentadores e sem acesso aos vestiários.

Depois de sete meses, os casamentos civis serão permitidos com um máximo de 20 pessoas, pacientes poderão voltar ao tratamento de reabilitação e crianças do pré-escolar poderão ter atividades pedagógicas e recreativas ao ar livre.

A Argentina ainda não permite aulas presenciais nem o uso dos transportes públicos para quem não for trabalhador considerado essencial. Os voos domésticos foram retomados apenas para atividades essenciais. As pessoas não podem atravessar de uma província para outra nem de um município ao outro. A circulação de pessoas e de veículos dentro das cidades requer permissão especial. Estão proibidas as reuniões de amigos e familiares que não convivam no cotidiano.

 

 

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