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Governadores ignoram pedido de Bolsonaro e defendem manutenção do isolamento social

Pável Bauken

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Governador de Goiás afirmou que ações no Estado serão pautadas por orientações da OMS e do Ministério da Saúde | Foto: Ronado Caiado / Facebook / Divulgação / CP


Depois de reunião em videoconferência com o presidente Jair Bolsonaro para discutir medida de contenção à epidemia do novo coronavírus, governadores criticaram a postura do chefe do Executivo nacional. Médico de formação, Ronaldo Caiado, de Goiás, um dos principais apoiadores do presidente no DEM, afirmou que irá ignorar o pedido para que escolas sejam reabertas e para que pessoas voltem a trabalhar sem restrições de locomoção. “Com tranquilidade, mas com a autoridade de governador e de médico, eu afirmo que as declarações do presidente não alcançam o estado de Goiás. As decisões em Goiás serão tomadas por mim, com base no trabalho de técnicos e especialistas”, afirmou em coletiva de imprensa.

O governador apontou que acionará até mesmo o Supremo Tribunal Federal e o Congresso se for preciso. “Me é conferido pela Constituição o direito de legislar de forma concorrente com a União quando se trata de saúde pública”, declarou. “O que Bolsonaro disse não se estende ao estado de Goiás. Fui aliado de primeira hora durante todo o tempo, mas não posso admitir que venha agora, um presidente da República, lavar as mãos e responsabilizar outras pessoas pelo colapso econômico e pela falência de empregos que amanhã venham a acontecer”, argumentou.

Ele também criticou a postura presidencial. “Dizer que isso é um resfriadinho, uma gripezinha? Ninguém definiu melhor que Obama: na política e na vida, a ignorância não é uma virtude”, afirmou, usando frase do ex-presidente dos Estados Unidos de 2016. “Agora também só falo com ele por meio de comunicados oficiais”, completou.

Caiado ainda disse que “um estadista tem que ter a coragem de assumir as dificuldades”. “Se existem falhas na economia, não tente responsabilizar outras pessoas. Assuma sua parcela”, comentou. O chefe do estado goiano, que é aliado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e contribuiu para a sua indicação, preferiu não se manifestar como acredita que o titular da pasta deva proceder. “Não cabe a mim opinar sobre a vida de outros líderes políticos”.

Witzel mantém postura moderada

Em entrevista coletiva no Palácio Guanabara, Wilson Witzel disse que discorda do presidente sobre o fim do confinamento, mas apontou avanços na relação entre o poder estadual e federal. “Retomamos o diálogo, isso foi positivo. No momento, peço para que as pessoas fiquem em casa”, avaliou. “Não tomamos decisões desarrazoadas. Procuro especialistas quando não conheço do assunto. No momento, não há espaço para abertura para o confinamento. Estamos preservando vidas e no caminho para reduzir a Covid-19. Espero que a conversa continue respeitosa. O tratamento, pelo menos hoje, com relação ao presidente foi respeitosa”, disse.

Witzel disse que o pronunciamento de Bolsonaro “não encontra ecos na sociedade” e se negou a responder perguntas sobre a discussão entre Bolsonaro e Doria. “Não vou me manifestar sobre a situação do presidente com o governador de São Paulo. Aqui me preocupo com o estado do Rio de Janeiro”, disse, indicando que o momento não é para se discutir política.

Doria e Bolsonaro trocam farpas

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), trocaram acusações, nesta quarta-feira (25), durante a reunião virtual do Planalto com os chefes do executivos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No encontro, Doria disparou contra Bolsonaro: “O senhor deveria dar o exemplo, e não dividir a Nação em tempos de pandemia.”

Em seguida, o presidente rebateu: “Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise. Saia do palanque.” Bolsonaro também reclamou que Doria teria se apoderado do nome dele nas eleições de 2018 e depois “virou as costas” como fez todo mundo. 

“Guarde essas suas observações para as eleições 2022, quando vossa excelência poderá destilar todo o seu ódio e demagogia por ocasião das mesmas. Nós temos responsabilidade. Depois das eleições 2018, vossa excelência se tornou uma pessoa completamente diferente daquela que esteve comigo. […] Hoje, subiu à sua cabeça, subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente da República. Não tem responsabilidade, não tem altura para criticar o governo federal”.

Um pouco antes, Doria desejou “serenidade, calma e equilíbrio” a Bolsonaro a fim de que ele possa comandar o país durante a crise provocada pela covid-19 na saúde e na economia. O recado foi dado durante a reunião de governadores com o Planalto para discutir os próximos passos no combate ao novo coronavírus.

“Presidente, como brasileiro e governador, peço que você tenha serenidade, calma e equilíbrio. Mais do que nunca, o senhor precisa comandar e liderar o país e, para isso, o senhor vai precisar de muita calma, equilíbrio e serenidade”.

Com os governadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo presentes à distância à reunião, Doria lamentou o discurso de Bolsonaro em rede nacional da véspera. O presidente sugeriu que apenas idosos e pessoas do grupo de risco fiquem em isolamento, com os demais de volta ao trabalho. Assim, seria possível evitar um colapso da economia.

O governador paulista classificou a crise atual como a “pior da saúde pública do pais” e pregou o entendimento entre diferentes ideologias, partidarismos e vocações eleitorais.

“Nossa prioridade é salvar vidas, presidente. Estamos preocupados com salvar vidas de brasileiros de nossos estados. Estamos levando também empregos e o mínimo necessário para que a economia possa se manter ativa. Os estados estão conscientes disso. SP manteve estradas, aeroportos, fronteiras abertas. As fábricas estão abertas e funcionando, seguindo as orientações sanitárias, da OMS, para preservar a vida e integridade dos trabalhadores. Todas as medidas são fundamentadas, não precipitadas”.

Correio do Povo

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Velórios terão regras no estado

Sindicato das funerárias do RS garante na Justiça proibição de velórios por óbitos de Covid-19

Reporter Cidades

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A decisão da Justiça, de abrangência estadual, foi resultado de Ação Civil Pública Cível movida pelo sindicato | Foto: Sebastien Bozon / AFP / CP

O Sindicato dos Estabelecimentos Funerários do Rio Grande do Sul (Sesf-RS) obteve na justiça, em decisão liminar, a garantia de proibição da realização de velório nos casos em que a morte tenha decorrido de Covid-19 ou suspeita dessa infecção. O despacho também prevê, para esses casos, a proibição da realização de serviços e outras técnicas de preparação pelas funerárias.

Nos casos em que o falecimento tenha como causa outros motivos, as cerimônias fúnebres serão limitadas a dez familiares e devem ser realizadas exclusivamente no período diurno com duração de, no máximo, três horas. Outra determinação é a realização de funerais com urna fechada, com ou sem visor, para garantir que o sepultamento se dê num lapso de tempo menor, e evite assim a propagação da Covid-19.

A decisão da Justiça, de abrangência estadual, foi resultado de Ação Civil Pública Cível movida pelo sindicato. O despacho foi assinado pelo juiz Hilbert Maximiliano Akihito Obara, da 5ª Vara de Fazenda Pública do Foro Central da Comarca de Porto Alegre.

Ainda de acordo com a decisão, nas situações em que o óbito ocorra na unidade hospitalar após o fechamento do cemitério, o corpo deverá permanecer na respectiva unidade acondicionado em local e equipamento apropriado ou ser encaminhado ao Instituto Médico Legal nos casos em que o médico não tenha elementos comprobatórios suficientes para atestar que se trata de morte natural. A remoção do corpo deve ser garantida nas primeiras horas do dia imediatamente após o óbito.

Pelo despacho, fica vedado às funerárias levarem para as cerimônias fúnebres quaisquer itens que incentivem a aglomeração de pessoas e/ou compartilhamento de utensílios ou espaços, dentre eles, mas não exclusivamente: alimentos, bebedouros, cafeteiras, vasilhames, cadeiras, barracas. Caso haja previsão contratual, as funerárias ficam desobrigadas a fornecer o transporte de familiares, parentes e ou amigos do falecido, em ônibus, vans ou qualquer outro meio, ficando isso por inteira responsabilidade dos enlutados.

Como prevenir o contágio do novo coronavírus 

De acordo com recomendações do Ministério da Saúde, há pelo menos cinco medidas que ajudam na prevenção do contágio do novo coronavírus:

• lavar as mãos com água e sabão ou então usar álcool gel.

• cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir.

• evitar aglomerações se estiver doente.

• manter os ambientes bem ventilados.

• não compartilhar objetos pessoais.

Correio do Povo

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Justiça determina caixão fechado para funerais no RS

Reporter Cidades

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Reprodução Reuters

O juiz Hilbert Maximiliano Akihito Obara, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, determinou que todos os sepultamentos no Estado sejam realizados com caixões fechados, com ou sem visor, independente da causa da morte.

A decisão, em caráter liminar, foi proferida na noite desta segunda-feira (6) e atende a pedido do Sindicato dos Estabelecimentos de Prestação de Serviços Funerários do Rio Grande do Sul (SESF/RS). A medida visa evitar a disseminação de coronavírus durante serviços de remoção de corpos.

O magistrado ordenou a realização de velórios com duração máxima de três horas, somente no período diurno, e com presença de até 10 pessoas.

O juiz também decidiu que sepultamentos e cremações de vítimas da covid-19 ou sob suspeitas sejam realizadas imediatamente, tão logo ocorra a liberação do corpo. Nesses casos, ficam expressamente proibidos os velórios, assim como serviços e técnicas de conservação dos corpos.

A liminar também exime funerárias de prestar serviço de transporte de familiares e amigos da vítima, e também de fornecer alimentos e utensílios para facilite aglomerações em velórios.

A ação civil foi movida contra o Estado do Rio Grande do Sul. O argumento do SESF/RS é de que o decreto estadual que declarou situação de calamidade pública no RS, não teria contemplado a regulamentação do funcionamento das funerárias.

No despacho, o juiz escreveu: “As medidas de prevenção adotadas no combate ao novo coronavírus merecem a pormenorização das regras através do Judiciário, quando detectada a omissão do Estado à regulação adequada, tal como demonstrada no caso em comento”.

— Esta decisão vem em hora oportuna. O setor está muito preocupado e com muitas dúvidas porque surgiram decretos distintos e não sabíamos a quem recorrer. Agora, a liminar torna os procedimentos uniformes — afirma Valdir Gomes Machado, presidente do SESF/RS que reúne 500 empresas.

O presidente da Associação Sulbrasileira de Cemitérios e Crematórios (Asbrace), Gerci Perrone Fernandes, afirma que já eram praticadas medidas restritivas para todo tipo despedida, como caixão fechado e horário de velório de até quatro horas.

— Até então, era uma recomendação. Agora, temos respaldo legal —diz.

No âmbito do município de Porto Alegre, o decreto de situação de emergência assinado pelo prefeito Nelson Marchezan, limita o acesso de pessoas a velórios em 30% da capacidade máxima prevista no alvará de funcionamento ou PPCI, o que equivale, a receber em torno de 10 pessoas em uma capela de tamanho padrão médio.

A reportagem aguarda posicionamento do governo do Estado.

Gaúcha/ZH

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DetranRS prorroga suspensão dos exames de direção e atividades dos credenciados

Pável Bauken

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DetranRS prorroga suspensão dos exames de direção e atividades dos credenciados - Foto: Divulgação Detran/RS

Atendendo às determinações dos órgãos de saúde pública em função do coronavírus, o DetranRS prorroga a suspensão dos exames teóricos e práticos de direção e das atividades de seus credenciados. Exames de direção não serão realizados até 30 de abril. Também nesse prazo Centros de Formação de Condutores deverão permanecer fechados. Centros de Registros de Veículos (CRVAs) e Centros de Remoção e Depósito (CRDs) funcionarão em regime de plantão até o dia 15. A medida foi publicada hoje (07) no Diário Oficial do Estado.

A Portaria 152 estabelece as exceções. CRVAS deverão realizar apenas serviços relativos a registros de veículos de carga, caminhões, carretas, ônibus, veículos pertencentes a órgãos públicos, veículos referentes a serviços de segurança e saúde – públicos ou privados -, e veículos com GNV, ficando autorizada a vistoria fora da sede desde que dentro do município de circunscrição do CRVA. Estão autorizadas também as atividades das estampadoras de placas (EPIVs) e dos despachantes, exclusivamente relativas a essas exceções. Não serão atendidos outros serviços além dessas exceções previstas.

Já os CRDs deverão manter o atendimento das remoções de veículos, excepcionalmente solicitadas, pelo Sistema Disque CRD, bem como através do aplicativo.
A normativa ainda determina que os credenciados deverão observar as recomendações contidas em o Decreto Estadual n 55.154/2020, no tocante ao atendimento ao público.

Suspensão dos prazos administrativos
O DetranRS reforça que ninguém sairá prejudicado pela suspensão dos serviços, pois os prazos administrativos também foram suspensos ou prorrogados.
A Portaria interrompe, por tempo indeterminado, os prazos para apresentação identificação do condutor, defesa da autuação, recursos de multa, defesa processual, recursos de suspensão do direito de dirigir e de cassação do documento de habilitação.
Também suspende até 30 de abril os prazos referentes aos processos em andamento na Corregedoria-Geral da Autarquia, os leilões presenciais de veículos removidos a depósitos os atendimentos das Juntas Médicas e Psicológicas Especiais e Recursais.

Autuações suspensas
O DetranRS lembra, ainda, que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) interrompeu por prazo indeterminado, a aplicação de multa para quem dirige com a CNH vencida, não realiza a transferência do veículo em 30 dias e não registra/licencia veículos novos.
O Contran também estendeu de 12 para 18 meses prazo para concluir processos de habilitação abertos e suspendeu prazos para apresentação de condutor infrator, defesa e recursos de multas, além de processos de suspensão/cassação do direito de dirigir.

Atendimento remoto
A Autarquia informa que diversos serviços podem ser realizados pela internet, por meio da Central de Serviços, ou do portal rs.gov.br.
Se for necessário, o cidadão pode contatar o credenciado de sua preferência. As empresas deverão manter canal de atendimento eletrônico através de quaisquer meios atualmente disponíveis, como celular (WhatsApp), e-mail ou redes sociais.

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