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Eterna vigilância: os vídeos que nossos filhos assistem

Camila Saccomori fala sobre o caso #SalveBelParaMeninas e alerta para os limites das crianças na internet

Reporter Cidades

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| Foto: Freepik


por Camila Saccomori

Tecnologia, em sua essência, não é algo bom nem ruim: é seu uso que pode ser positivo ou negativo. Da mesma forma o YouTube: o site não é vilão nem mocinho, tudo depende do que você assiste por lá. Ou, no caso específico que falaremos hoje, depende do que as nossas crianças assistem lá.

Vamos aos fatos dos últimos dias. Uma youtuber que há anos posta vídeos do cotidiano de sua família foi parar nos trending topics (assuntos populares) do Twitter acusada de humilhar constantemente a filha mais velha. A hashtag #SalveBelParaMeninas alcançou milhares de postagens e já foi parar no noticiário policial.

Basta ver os trechos selecionados pelos internautas e publicados nas redes sociais para rapidamente perceber o absurdo que há anos vinha sendo publicado no YouTube pela mãe da menina. São brincadeiras de mau gosto e abusos nada engraçados. Torturas como fazer a criança engolir substâncias até passar mal, gravar a correnteza levando a filha que não sabia nadar no mar ou mesmo ameaçando com um chinelo para que uma determinada mochila fosse escolhida pela menina na hora da gravação (este detalhe cruel foi possível de ver no reflexo da TV no vídeo).

As autoridades já estão investigando o caso, que foi parar na mídia devido à gigante mobilização virtual. Agora pergunto: quem eram os milhares de seguidores e curtidores que até então assistiam aos vídeos como se tudo isso fosse normal? Quantas outras histórias assim estão publicadas na internet e nós, adultos, não temos conhecimento? O que seu filho assistiu ontem por mais de duas horas na internet e que você não tomou conhecimento?

Estou preocupada e sei que muitos outros pais estão preocupados também, pois conversamos diariamente pelas redes sociais. Em época de quarentena, com os colégios ainda fechados por conta do coronavírus, sabemos que aumentou o tempo de uso de telas na casa de boa parte das famílias. Se antes, em condições normais, já era um assunto que merecia bastante atenção, agora exige atenção redobrada.

Sinto muito em informar que não existe fórmula mágica para bloquear todas estas barbaridades disponíveis online. Parece que para cada 1 que a gente denuncia, outros 2 lixos surgem no mesmo minuto. (Já falei disso aqui, sobre vídeos piores do que a Momo disponíveis).

A quantidade de conteúdo impróprio na internet é inversamente proporcional ao tempo que temos para fazer esse tipo de fiscalização. O que nos cabe fazer – e aí sim a responsabilidade é toda nossa – é monitorar o que está sendo assistido NA NOSSA CASA. E então sinto muito, novamente, em dizer que é preciso sim estar sempre perto.

Elimina aquele hábito de isolamento deixando seu filho com fones de ouvido trancado no quarto para que você consiga fazer uma ligação. Deixa vídeos pré-selecionados em uma playlist, investiga o conteúdo do canal que ele curte, conversa com ele sobre o que é bom ou ruim (lembra lá do início do texto?). Conversa e conversa MUITO, por favor! O YouTube pode ser muito bom dependendo do que as crianças consomem. Enquanto escrevo esse texto, minha filha de 9 anos está com o notebook vendo tutoriais de artesanato com biscuit depois de ter assistido um vídeo sobre megalodontes (tubarões brancos gigantes), outro sobre “melhores raças de cachorros para ter em apartamento” e 3 videoclipes da boyband sul-coreana BTS (são os Menudos da atualidade).

Esse é um trabalho que não dá para delegar.

Boa sorte a todos nós e agora ficamos na torcida para que a menina Bel e outras como ela (sim, há muitas outras) nunca mais passem por esse tipo de humilhação, na frente ou atrás das câmeras.

Camila Saccomori é mãe da Pietra e jornalista especializada em Primeira Infância. Escreve conteúdos para famílias no projeto @vamoscriar. A cada 15 dias, compartilha no Bella+ dicas para criação de filhos e temas contemporâneos da parentalidade.

Bella + / Correio do Povo

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Amar, sem medida!

Reporter Cidades

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por Diego Farias

Ao longo da nossa trajetória, ouvimos inúmeras vezes falar sobre o amor. Esse sentimento é como uma sementinha plantada em nosso consciente e inconsciente e passa a nos acompanhar até o fim da vida ou até decidirmos romper com ele. Conforme vamos nos desenvolvendo, aprendemos que o amor é algo bom, que faz bem para quem dá e para quem recebe. Diversos estudos, em diferentes campos de atuação, comprovam que as relações de afeto trazem muitos benefícios à saúde física e mental. Falar de amor é falar de vida, é falar de um sentimento que move nosso dia-a-dia, ou pelo menos deveria mover.

É sabido que falar sobre o amor é algo complexo, pois requer sensibilidade e clareza sobre o objetivo e sentido que se quer expressar. Para os gregos antigos, o amor era subdividido, não como uma classificação, mas como uma forma de entender melhor sua expressividade e intenção. O amor Philia era ligado às relações de amizade. Sua tradução literal significa amizade ou amigo, porém não se limita apenas a tais relações, mas também está relacionado com lealdade, sentido de comunidade e família. O amor Ághape é a conexão de amor com tudo e com todos. Uma relação harmônica com a natureza, com as pessoas e o universo. Num contexto mais religioso, o amor Ághape também retratava o amor divino, ou o amor ao próximo, presente nos textos bíblicos do Novo Testamento. Já o amor Eros, por sua vez, é o amor romântico, o amor das relações carnais, da paixão, do sentimento e, sobretudo, do prazer. Há ainda quem acredite que os gregos dessem outros “nomes” ao amor, mas isso é uma reflexão que foge um pouco da nossa intenção aqui.

Acredito que o amor, independente do nome que damos a ele, é algo fundamental para nossa qualidade de vida. Há muitas formas de se dizer “eu te amo” e de se expressar esse sentimento. Amamos quando nos doamos às pessoas e cuidamos de tudo a nossa volta. Dizemos “eu te amo” ao mundo, quando reciclamos, quando não esbanjamos água, quando separamos nosso lixo e assim por diante. Dizemos “eu te amo” às pessoas, quando nos preocupamos com elas e fazemos com que nossa presença seja geradora de bem estar. Precisamos de amor, precisamos ser amor, pois é com ele que tornamos a vida e o mundo um pouco melhor.

Diego Farias
Educador da Rede Privada, POA/RS.

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Flores em tudo! É primavera!

Coordenador da área de Moda do Senac Canoas dá dicas sobre a estampa preferida da estação

Pável Bauken

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Com a chegada da primavera, as flores não aparecem lindas e coloridas apenas nos jardins, mas também nas roupas. O padrão de floral é clássico e está entre os queridinhos das estações mais quentes. Às vezes aparece com mais ou menos intensidade nas vitrines, em tons pastéis ou nas cores mais vibrantes, mas sempre está lá! Além de estar em roupas funciona bem em várias outras peças e acessórios do vestuário feminino. “As estampas de flores trazem um visual agradável e romântico a qualquer look e sempre satisfazem mulheres de todas as idades”, afirma o docente e coordenador da área de moda do Senac Canoas, Ramon Rodolfo.

Conforme Ramon, roupas com estampas de flores não se limitam a determinadas estações. Esta é uma escolha democrática e aplicável em qualquer clima. “No verão, tornam o look mais colorido e têm um aspecto sazonal. No inverno contrastam com as cores mais fechadas, tornando o aspecto mais vivo e interessante. Mas já percebeu que existem mais um tipo de estampa floral?” pergunta. Confira os tipos da padronagem para escolher o seu favorito:

– Floral clássico: como o próprio nome já diz é o mais tradicional. Representa diferentes tipos e espécies de flores coloridas, geralmente em tamanho médio;

– Floral Liberty: flores pequenas e miúdas levando o nome da pioneira nessa estampa, a loja inglesa Liberty of London;

– Floral + estampa: combinação de outra estampa com o floral tais como imagens, desenhos, padrões geométricos. Mas cuidado! Deve haver harmonia entre as duas;

– Maxi floral: ou seja, flores grandes. De todos as espécies;

– Floral abstrato: é quase como uma pintura, pois as flores são representadas como se fossem desenhadas ou pintadas com traços livres;

– Floral gráfico: estampa sem trabalho de profundidade, flores mais chapadas e sem muito detalhes;

– Floral tropical: a cara de qualquer verão com a presença de flores e folhagens tropicais;

– Floral + animal print: flores e estampas de animais (onça, leopardo, zebra). Man misturadas. Atenção! Vale a mesma regra para floral + estampa;

– Floral dark: aparece mais no inverno por conta do fundo escuro, principalmente na cor preta.

Iniciamos a primavera a poucos dias e com isso, o calor se aproxima e logo mais o verão estará aí marcando presença. “E nos dias de calor, as pessoas sempre preferem uma aparência confortável e fresca, certo? Mas você sabe escolher o tecido certo para estas estações?”, questiona Ramon. “O primeiro truque é prestar atenção a etiqueta. Além de mostrar como deve-se higienizar a peça, ela mostra a composição das matérias primas que compõem a mesma. Eles são nossos aliados na hora de decidir quais peças usar ou comprar. Leia-os com atenção e sinta o tecido para entender o peso e a textura da roupa. Dê sempre preferência para tecidos feitos de fibras naturais como o algodão, linho, seda. Esses materiais não contêm materiais sintéticos e são os mais indicados por serem materiais respiráveis e com ótima aderência ao corpo, além de apresentarem um ótimo caimento e conforto”, explica o especialista.

Ramon dá detalhes sobre os tecidos: “O algodão é totalmente natural, por isso tende a ser leve e deve ser a primeira escolha na hora de escolher roupas em climas quentes. Não adere ao corpo, permitindo que a sua pele respire e se mantenha fresca. A seda também é respirável e macia. Apesar do alto custo, hoje em dia encontra-se no mercado a seda orgânica, com um preço menor e que permite que o bichinho da seda tenha seu ciclo de vida completo. E claro, não podemos esquecer dos tecidos de linho e modal, além das fibras com tecnologias nas fibras como os tecidos com proteção UVA”, finaliza.

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ARTIGO: A TRAGÉDIA NOS ASILOS

Reporter Cidades

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OSMAR TERRA*

As recentes notícias sobre mortes em asilos confirmam o alerta que faço desde o início dessa pandemia. O maior risco de contágio pelo coronavírus são dos idosos destas instituições e clínicas de repouso.

O paradoxo das propostas de quarentena e de isolamento social é o de que justamente a população mais isolada, os idosos em asilos, compõe a maior parcela de mortes pela Covid-19 no planeta.

No Canadá, em lockdown, as mortes em clínicas e asilos de idosos representaram, até agora, mais de 80% do total. Nos Estados Unidos chegou a 46%, e na Europa, ao redor de 50%. Mesmo na Suécia, onde a população não fez quarentena e nem lojas e escolas foram fechadas, mais de 70% das mortes aconteceram nos seus gigantescos asilos de idosos. Justamente na única parcela da população isolada!

No Brasil – embora ainda não tenhamos um raio-x completo da situação – foi muito grande o número de óbitos em asilos. E infelizmente ainda seguem acontecendo, como estamos vendo no Rio Grande do Sul.

É claro que nos referimos a uma população de altíssimo risco: idosos com muitas comorbidades e agrupados já por longo período de tempo num mesmo ambiente. Alguém portando o vírus, mesmo sem sintomas, que venha trabalhar nesses locais pode provocar uma grande tragédia. Ou seja, ninguém em isolamento esteve – ou está – protegido do contágio. Até porque, grande parte da população economicamente ativa não pode parar de trabalhar. E essas pessoas convivem entre si nos locais de trabalho e voltam para o convívio familiar em casa. Assim, um vírus que já circula em toda parte estará dentro das casas e dos asilos também.

Em segundo lugar, é importante ressaltar que, diferente dos vírus influenza, que contaminam homogeneamente, os coronavírus são mais transmissíveis por grupos que convivem maior tempo juntos, familiares ou de convivência compulsória, como nos asilos. Isso por si só mostra o erro colossal de trancar as pessoas sadias e de repetir o mantra “fique em casa”.

Nunca houve possibilidade de impedir a circulação do vírus a não ser reduzindo sua velocidade de contágio com os cuidados individuais e higienização. Os grupos de idosos asilados deveriam ter tido um cuidado especial dos gestores públicos e das instituições que os abrigam. Parte essencial desses cuidados é a testagem semanal de todos os cuidadores que trabalham nesses locais. Se desde o começo tivéssemos tido a preocupação de fazer isso, dezenas, talvez centenas de milhares de mortes teriam sido evitadas no Brasil e em todo o mundo, evitando uma tragédia silenciosa, ocultada por discussões ideológicas.

*OSMAR TERRA, médico e deputado federal (MDB-RS)

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