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Estudo alerta para insuficiência de promessas contra aquecimento global

Pável Bauken

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Independentemente da retirada anunciada dos Estados Unidos, os compromissos adotados pelos países signatários do Acordo de Paris ainda estão longe de conter o aquecimento global, segundo um estudo publicado nesta terça-feira.

“As promessas são insuficientes para alcançar os objetivos e algumas sequer serão cumpridas”, afirmou à agência de notícias AFP Robert Watson, ex-diretor do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) e autor principal do estudo, que conclui que três quartos dos compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris de 2015 são insuficientes ou provavelmente inalcançáveis.

As emissões mundiais passaram de 44,7 Gt (1 gigatonelada = um bilhão de toneladas) em 2010 para 53,5 Gt em 2017. E mesmo que as promessas sejam cumpridas, alcançarão 54 Gt em 2030. “Sem mudanças radicais poderíamos viver em um mundo 1,5°C mais quente em uma década”, argumenta. Para permanecer abaixo desse limite, seria necessário reduzir 50% das emissões de gases do efeito estufa (GEE) até 2030, ressaltam os autores do estudo “A verdade por trás dos compromissos do clima”, publicado pela ONG americana Fundação Ecológica Universal (FEU-US).

O Acordo de Paris pretende limitar o aquecimento a um aumento inferior a 2°C e se possível a 1,5°C em relação à era pré-industrial, por meio das contribuições nacionais (NDC) de redução de emissões, revisáveis a cada cinco anos. A um ano da primeira revisão, os autores analisaram os compromissos e concluíram que das 184 NDC, 128 são insuficientes, oito “parcialmente insuficientes”, 12 “parcialmente suficientes” e 36 suficientes.

Os quatro maiores emissores, China, Estados Unidos, União Europeia (UE) e Índia, respondem por 56% das emissões mundiais. Apenas a UE (9% do total) está caminhando para cumprir seu objetivo e inclusive ultrapassá-lo, com uma trajetória em direção a 58% de reduções em 2030, com um compromisso de “ao menos 40%”.

A China, o primeiro emissor mundial com 26,8% dos GEE, e a Índia, o quarto com 7%, basearam seus compromissos em uma redução de sua “intensidade carbono”. Mas os autores consideram insuficiente esta categoria, que vincula as emissões com o PIB global de um país.

Os Estados Unidos, segundo emissor com 13,1%, se comprometeram a reduzir de 26% a 28% suas emissões em 2025 em relação a 2005. Mas Donald Trump confirmou nessa segunda-feira a intenção de retirar seu país do Acordo de Paris, uma decisão que poderia ser efetiva em 2020. Quinto emissor mundial, a Rússia, sequer apresentou compromissos.

Dos 152 compromissos nacionais restantes, 126 são condicionais, sobretudo entre os países mais pobres que dependem do financiamento e do apoio técnico internacional, enquanto até agora “muito pouca ajuda internacional foi concretizada”, segundo o estudo. “Em consequência, ao menos 130 nações estão muito longe de contribuir para que se alcance a redução necessária de 50% das emissões mundiais até 2030 para limitar o aquecimento a +1,5°C”, segundo os autores.

“Emergência climática” é atestada por 11 mil cientistas

Paralelamente, 11 mil cientistas advertiram nesta terça-feira que a humanidade ficará exposta a “sofrimentos indizíveis” se a “crise climática” não for abordada rapidamente e com seriedade, em um chamado publicado na revista BioScience.

“É necessário aumentar imensamente os esforços para preservar nossa biosfera com o objetivo de evitar sofrimentos indizíveis”, escrevem os signatários, citando sobretudo a necessidade de diminuir o uso de energias fósseis, preservar a biodiversidade, reorientar as prioridades econômicas do crescimento para o “bem-estar” e controlar a pressão demográfica mundial.

CP
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Mundo

Macacos pegam amostras de sangue com coronavírus na Índia

Os macacos vêm adentrando cada vez mais em assentamentos humanos, causando distúrbios, chegando a atacar pessoas. Ambientalistas dizem que a destruição do habitat natural é a principal razão para eles migrarem para áreas urbanas em busca de alimento.

Reporter Global

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Macaco atravessa via perto de palácio presidencial em Nova Delhi, na Índia — Foto: Anushree Fadnavis/Reuters

Um grupo de macacos atacou um profissional de saúde e pegou amostras de sangue de pacientes que tiveram diagnóstico positivo do coronavírus na Índia, disseram autoridades nesta sexta-feira.

O ataque ocorreu nesta semana quando um técnico de laboratório percorria o campus de uma universidade médica estatal de Meerut, situada 460 quilômetros ao norte de Lucknow, capital do Estado de Uttar Pradesh.

“Macacos agarraram e fugiram com as amostras de sangue de quatro pacientes de Covid-19 que estão em tratamento… tivemos que tirar amostras de sangue de novo”, contou o douto S. K. Garg, uma autoridade graduada da universidade.

As autoridades disseram que não têm certeza se os macacos derramaram as amostras de sangue, mas pessoas que moram perto do campus arborizado temem uma disseminação ainda maior do vírus se os macacos levarem as amostras para áreas residenciais.

Garg disse que tampouco está claro se os animais podem contrair o coronavírus se tiverem contato com sangue infectado.

“Não tem se encontrado indícios de que macacos podem contrair a infecção”, disse Garg à Reuters.

Acredita-se que o vírus passou de animais para pessoas no mercado de animais silvestres da cidade chinesa de Wuhan no final do ano passado.

A Índia teve 165.799 casos de coronavírus e 4.706 mortes até agora.

Os macacos vêm adentrando cada vez mais em assentamentos humanos da Índia e causando distúrbios, chegando a atacar pessoas. Ambientalistas dizem que a destruição do habitat natural é a principal razão para eles migrarem para áreas urbanas em busca de alimento.

G1

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Mundo

França abrirá bares e praias em segunda fase de flexibilização

Paris ainda terá restrições maiores que outros lugares

Reporter Global

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© REUTERS/Charles Platiau/Direitos Reservados

A França permitirá a reabertura de restaurantes, bares e cafés a partir de 2 de junho, embora com restrições mais duras em Paris do que em outros lugares, disse o primeiro-ministro Edouard Philippe nessa quinta-feira (28), ao anunciar a próxima fase de flexibilização das restrições impostas devido ao novo coronavírus.

O governo também está suspendendo uma restrição nacional a viagens de mais de 100 quilômetros e reabrirá praias e parques a partir da próxima semana, enquanto tenta reativar a segunda maior economia da zona do euro antes da temporada de turismo de verão.

“A liberdade será a regra, proibições a exceção”, disse Philippe em discurso transmitido pela televisão.

Mais de 28.600 pessoas morreram em decorrência da covid-19 na França. Pelo oitavo dia consecutivo, o número de mortos aumentou em menos de 100.

A disseminação do vírus está diminuindo mais rapidamente do que se esperava, e Paris não é mais considerada uma “zona vermelha” da doença, disse Philippe. Mas o perigo ainda existe e não há espaço para complacência, acrescentou.

A região da grande Paris agora é uma zona “laranja”, o que significa que não está tão livre do vírus como quase todas as outras do país, que foram designadas como “verdes”, e o alívio das restrições será mais cauteloso.

Em todo o país, restaurantes, cafés e bares terão que garantir espaço mínimo de um metro entre as mesas e todos os funcionários devem usar máscaras. Nas zonas “laranja”, eles só poderão abrir áreas ao ar livre.

A França e seus vizinhos europeus vêm diminuindo progressivamente as restrições sem precedentes à vida públic, decretadas no mês passado. Eles querem retomar as economias prejudicadas, mas mantêm a preocupação com uma possível segunda onda de infecções.

ebc

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Mundo

China aprova lei que determina um mês de “reflexão” para poder divorciar-se

Medida visa reduzir as altas taxas de divórcio no país

Reporter Cidades

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| Foto: Pexels

Os casais chineses que desejam se divorciar devem compartilhar um período de “reflexão” de um mês, de acordo com uma nova lei aprovada nesta quinta-feira, que provocou indignação pela interferência do Estado nas relações privadas.

O texto referendado exige que os casais que solicitem a separação esperem um mês – para deliberar – antes de iniciar o processo, em uma tentativa de reduzir as altas taxas de divórcio, mas que já havia provocado uma oposição generalizada quando os legisladores consultaram sobre isso no ano passado.

Após a aprovação, a lei se tornou um assunto viral no Weibo, rede social chinesa equivalente ao Twitter, registrando mais de 25 milhões de visitas às publicações com a hashtag “Oponha-se ao período de reflexão para o divórcio”.

Reformas de um código civil que substituirá as leis existentes sobre casamento, adoção e direitos de propriedade, entre outros tópicos, estão sendo discutidas na assembleia anual do Parlamento Chinês.

No ano passado, em um país onde o casamento é a norma, houve mais de 4 milhões de divórcios, número que aumentou quase exponencialmente na última década – em 2003, foram 1,3 milhão.

“O divórcio sem reflexão se tornou um fenômeno cada vez mais comum, que não promove a estabilidade da família”, disse recentemente um porta-voz do comitê legislativo do parlamento.

No entanto, esta disposição está longe de alcançar a unanimidade. Vários legisladores argumentaram que esse período de reflexão não deveria se aplicar em casos de violência doméstica, bigamia, estupro conjugal ou outros ataques aos direitos individuais.

AFP

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