Esperteza impressa, imbecilidade auditável – Portal Plural
Connect with us

Paulo Schultz

Esperteza impressa, imbecilidade auditável

Publicado

em



Duas figuras coabitam ocupando a mente de Bolsonaro – o Bolsonaro ideológico e o Bolsonaro espertalhão.

O ideológico estabelece que o propósito do seu governo é implantar um modelo anarcocapitalista de sociedade.

Um modelo de sociedade semelhante ao vigente em Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, onde as regras são feitas e executadas pela milícia.

No Brasil da ideia bizarra de Bolsonaro, o Estado se retira de tudo, se exime de fazer mediação e proteção social, e passa a valer a liberdade da lei do mais forte – na base do poder econômico e do poder das armas.

Os mais fortes dominam, e os demais tem que “se adequar ou desaparecer” , como o próprio Bolsonaro diz.

Um faroeste capitalista, sem regras, sem proteção, onde os mais fracos ficam sujeitos à dominação das milícias, à alienação mental executada pelas igrejas pentecostais, e à viver na precariedade e na carência.

É lucro acima de tudo, e bala e alienação em cima de quase todos.

Esse é o Bolsonaro ideal.

A figura que deu origem ao carimbo de “mito”, que seus imbecis e alucinados seguidores lhe deram.

Mas para esse ideal vingar seria preciso conseguir o improvável – capacidade de governar e convencer a maioria da população do país que viver num faroeste capitalista seria o máximo desejável da liberdade individual e da pureza de espírito “de bem”.

Uma coisa que não aconteceu, e não vai acontecer mais.

Deu ruim, né capitão !?

Esgotada, ou praticamente esgotada a possibilidade do ideal anarcocapitalista, emerge a outra figura que habita a mente de Bolsonaro – o prático e matreiro espertalhão.

O quadro é o seguinte:
– Bolsonaro e seu governo não conseguiram criar uma hegemonia social e política para implementar o seu projeto.

Ao contrário, a incapacidade de governar, somada à não obtenção de hegemonia, levou o país a uma crise econômica e social de larga escala, com um número de milhões entre desempregados, famintos, miseráveis e precários, preços inaceitáveis dos combustíveis e energia, custo alto de alimentação, e retração econômica.

Paralelo a este quadro, processos judiciais vieram encurralando os filhos do capitão ( a família vive bem, na base do caixa 2 das rachadinhas) , bem como ele próprio sabe os crimes que cometeu no exercício da presidência, os quais podem facilmente se configurar em processos e prisão, quando sua condição de foro privilegiado pelo cargo cessar.

E aí a rosca aperta.

E aí o Bolsonaro espertalhão prevalece, por matreirice e necessidade.

Porque não usar do expediente de criar um falso inimigo da liberdade das pessoas , o qual, além disso, “impede” Bolsonaro de governar, para incitar os seus milhões de imbecis e alucinados seguidores contra ?

O “inimigo” STF – justamente onde repousa a possibilidade concreta de prisão do próprio Bolsonaro e dos seus filhos, todos com foro privilegiado.

A lógica de Bolsonaro é simples: eu quero encurralar o STF para que eu e meus filhos não corramos risco de prisão após condenação em processos, e para isso eu minto que eles são inimigos da liberdade das pessoas, faço uma narrativa diária virulenta, e os meus idiotas seguidores compram essa ideia e se sentem incitados a fazer o serviço que eu quero – encurralar o Supremo.

Mas o 7 de setembro não deu certo, capitão.

Embora a horda ensandecida estivesse a fim, o que eles tinham de fúria corresponde ao que eles não têm de cérebro.

E se o líder da massa também não tem muito, as “forças ocultas “, rápidas e certeiras dão contorno na situação difícil, em nome da “democracia”, e fazem o líder “mito” refluir, frustrando e murchando o ímpeto da horda.

O quadro ainda é incerto, por uma série de fatores.

Mas o fato é que, neste momento, Bolsonaro, devidamente enquadrado, deixou sua esperteza impressa no tal manifesto à nação.

Já seus alucinados seguidores, por tudo que disseram e fizeram nas ruas, lugares e estradas do país esta semana, conseguiram deixar comprovada,de forma explícita e inquestionável, sua imbecilidade e vocação para ser trouxa das artimanhas de Bolsonaro.

Uma imbecilidade auditável – basta consultar os registros de falas e imagens nas redes sociais e nos meios de comunicação.

Vida que segue.

Vida de gado para os adoradores do mito.

Vida dura para quem quer pôr fim a essa experiência terrível que o país vive.

Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Paulo Schultz

Ah….esses tucanos

Publicado

em



Os tucanos do PSDB decidirão, em poucas semanas, quem, da sua segunda geração de quadros políticos, Eduardo Leite ou João Dória, será o seu candidato a presidente em 2022.

Até aí tudo normal.

Tudo dentro do direito legítimo do maior partido da direita liberal brasileira de colocar o seu candidato para disputar a eleição presidencial do ano que vem.

A questão principal não é quem dos dois será o candidato.

A questão de fundo é outra.

A segunda geração de tucanos, representada pelas figuras de Leite e Dória, guarda uma diferença em relação à geração original e primeira dos tucanos – enquanto aqueles ainda tinham uma veia social-democrata, estes tem uma linha pura neoliberal.

Tanto Dória, quanto Eduardo Leite, tem em seus discursos e suas práticas de governo uma linha mestra de aplicação pura e fria do receituário neoliberal.

E sendo assim ambos, e
considerando o quadro de ruína econômica e social – principalmente social – do país que passou por dois anos e pouco de governo de Temer, e passará por quatro anos de governo de Bolsonaro, a pergunta que se coloca de cara é: seja um ou seja outro, o que de diferente eles têm a propor para o país, especialmente para os milhões de brasileiros que tem vivido em dificuldade e carência, maior ou menor ?

O que de diferente o PSDB tem a propor, já que foi, e é, parte ativa e corresponsável do quadro de ruína econômica e social que o país vem amargando de 2016 para cá?

Corresponsável sim, porque o PSDB participou do governo de Michel Temer.

Corresponsável, porque a quase totalidade dos projetos do governo Bolsonaro teve votos favoráveis dos deputados e senadores tucanos no Congresso Nacional.

Considerando essa participação e esse grau de corresponsabilidade na situação atual do país, e o perfil dos pré-candidatos tucanos, não há nada que os tucanos tenham a propor, que já não o tenham feito, com consequências ruins para a maioria da população do país.

Tanto Dória quanto Eduardo Leite brilham seus olhos para falar de reforma administrativa, realizar privatizações de empresas públicas estratégicas, e promover ajustes fiscais, independente do sacrifício de políticas públicas de cunho social, ou de desconcentração de riqueza.

Isso é o que faz ambos atingirem o Nirvana da sua satisfação política.

Na mesma intensidade desse gosto, vem a ausência de atenção e foco de ambos, no que diz respeito ao preço dos alimentos, ao preço dos combustíveis, às altas taxas de desemprego e informalidade, às demandas da agricultura familiar, à condição de queda de investimentos na educação pública, e assim por diante.

Quer dizer o seguinte:

O que faz João Dória e Eduardo Leite virarem os olhinhos de alegria e satisfação é aquilo que agrada ao mercado financeiro e os grandes detentores do capital.

Mas aquilo que diz respeito à vida da dona Joana que mora na periferia, ao Seu José que mora na favela, ou ao seu Raimundo que tem sua terrinha no interior (onde produz alimentos, e não commodities), isso não interessa em absolutamente nada a nenhum desses pré candidatos tucanos.

Ou seja: para a dona Joana, para o seu José, e para o seu Raimundo, Dória e Leite não têm nada que lhes interesse.

Nenhum deles está interessado em ajuste fiscal, reforma administrativa ou privatizações.

O negócio deles é trabalho, comida a preço acessível na mesa, filhos podendo ter a possibilidade de estudar, botijão de gás a preço justo, programas que ajudem a produção de alimentos da agricultura familiar, etc.

E para isso, nem Leite, nem Dória, têm palavra alguma que valha mais do que a prática de seus atuais governos.

É na prática do governo do Estado do Rio Grande do Sul e do governo do Estado de São Paulo, que as populações desses estados, bem como do restante do país, podem ver nitidamente o que importa e para quem eles governam, e com que objetivos.

Querer ser terceira via, querer ser novidade, quando na verdade os tucanos apenas são uma versão mais polida e dissimulada do mesmo projeto econômico que já está acontecendo no país com Bolsonaro – isso não vende, isso não cola, caros moços tucanos.

O que vocês têm para vender não é o que a maioria da população brasileira quer comprar.

Vocês não sabem nada da vida de quem sofre, da vida de quem tem ausência, da vida de quem tem carência, da vida de quem tem sua cidadania negada.

O mundo de sapatênis onde vocês pisam é outro.

Quando vocês aprenderem alguma coisa que sirva para a maioria dos brasileiros, quem sabe vocês consigam crescer.

Por enquanto, são apenas tucanos requintados e polidos, fiéis executores daquilo que o Deus mercado quer.

De resto, da vida dura do povo vocês não sabem nada.

Já dizia Lupicínio Rodrigues….

” Esses moços…pobres moços..
Ah! Se soubessem o que eu sei..
Não amavam, não passavam,
Aquilo que eu já passei….”.

Vida que segue, tucaninhos.

Nosso caminho é outro.

[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

Paulo Schultz

Apesar dos castigos

Publicado

em



Apesar de tudo que o país, e, em especial, a grande maioria do povo brasileiro tem sofrido, desde 2016 para cá, nós resistimos.

Apesar da fome, apesar do desemprego, apesar da precariedade, apesar da dureza, da aspereza, da morte, e da mão fria e invisível do mercado e seus operadores políticos, nós vamos resistir.

E nós não vamos só resistir – nós vamos enfrentar.

E nós não vamos só enfrentar – nós vamos impor uma derrota de projeto, uma outra construção de país- e dessa vez, espero, sem concertação.

Porque não deve haver concertação com quem não merece.

Há uma conta em aberto – e essa conta não é monetária.

É uma conta que diz respeito à dignidade, que diz respeito à cidadania, e que diz respeito, sobretudo, ao respeito à todas as formas de vida e de relação humana.

E essa conta nos é muito cara.

Porque quem produziu toda essa conta, vai ter que assistir quietinho ela ser zerada.

Sem concertação e sem arrego.

Depois do arranjo forjado da deposição de Dilma, e da instalação rápida de um processo destrutivo para muitos, e enriquecedor para poucos, tivemos que suportar mais.

Tivemos que ver se instalar um tempo sombrio, de mais destruição, de maneira mais bárbara, e não civilizada.

O espetáculo anarco comandado por um espantalho da morte.

E nesse tempo todo fomos vendo somente sofrimento e ausência para muitos.

E uma bonança inaceitável para muito poucos.

Esse tempo precisa, e vai acabar.

O Brasil há de renascer.

Vamos vencer o espantalho da morte.

E resgatar a cidadania de milhões.

Uma construção que não será fácil.

Mas que, justamente por não ser fácil, nos estimula a fazê-la.

Com todas as forças sociais protagonistas dessa resistência e da posterior reconstrução, e também com aquelas que porventura se derem conta de que aquele caminho tomado lá em 2016, e carimbado em 2018, é um caminho absolutamente errado, um caminho danoso, causador do que pode haver de pior.

O fato é que a gente cansou, não de resistir, mas de ver isso tudo.

Sabe aquela coisa…” a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, arte e, sobretudo, viver.”

Então… é isso.

Estamos por aí, querendo resistir, enfrentar, e começar um novo tempo.

Apesar dos castigos.. faremos, com firmeza.

Vida que segue.

[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

Paulo Schultz

Um paraíso infernal

Publicado

em



Ele prometeu. E cumpriu.

Quando o capitão Messias disse que,se vencesse as eleições, traria a liberdade,ele não estava mentindo – em parte.
Porque ele trouxe a liberdade.

Ele trouxe liberdade para o agronegócio fazer chover agrotóxicos à vontade sobre suas imensas áreas.

Ele trouxe liberdade para o agronegócio desmatar, queimar e avançar sobre áreas protegidas, com a complacência ou a omissão dos órgãos que deveriam coibir isso.

Ele deu liberdade para o agronegócio se armar de maneira ostensiva, e liberdade para usar esse armamento na defesa de seus interesses.

Armas acima de tudo, bala para cima de quase todos.

Também no quesito armamento, ele deu toda a liberdade que lhe foi possível dar até aqui.

Liberou quantidades e tipos de armas e liberou munição.

Liberdade, portanto, para milícias, e para os famosos “cidadãos de bem”, que podem andar armados e usar esse armamento na defesa de sua “liberdade”.

Uma liberdade individual que se sobrepõe a qualquer responsabilidade coletiva, e que se sobrepõe a qualquer regulamentação e mediação do Estado para proteger e preservar a vida humana e as relações entre as pessoas.

O capitão também deu liberdade para garimpeiros avançarem em atividades ilegais, inclusive dentro de áreas protegidas e áreas indígenas.

Em relação à áreas indígenas e quilombolas, o governo Bolsonaro estabeleceu uma política de fechar o olho e veladamente estabelecer o vale tudo.

Nestas áreas, conforme a liberdade prometida, é possível invadir, desmatar, queimar, explorar, ameaçar e matar.

Uma liberdade infernal.

Também há o estímulo à liberdade de comunicação e expressão.

E não importa que seja liberdade para ofender e ameaçar de morte, ou incitar fechamento de instituições pilares da República – como Congresso e STF.

Sobretudo o estímulo à liberdade para mentir de forma sequencial e difundir estas mentiras de maneira solta, sem qualquer regulamentação legal.

É mentira acima de tudo, e fake news prá cima de todos, para tentar convencer a muitos.

Liberdade para a política de preços dos combustíveis, executada pelo governo federal, que, ao estabelecer que a política de preços se guie pelo mercado internacional, faz com que o litro da gasolina esteja na faixa de R$ 7, e o litro do óleo diesel na casa dos R$ 5 .

O que automaticamente gera liberdade para aumento de custos, aumento de preços de maneira generalizada ( sobretudo de alimentos ), aumento de custo de vida, e, claro, ocasionando empobrecimento e miséria de milhões.

Liberdade também para o avanço das igrejas evangélicas prá cima da população mais vulnerável e fragilizada.

É fé fundamentalista e monetária prá cima de quase todos.

O Brasil está tendo a liberdade prometida por Bolsonaro, portanto.

Uma liberdade anárquica e violenta.

Sem mediação do Estado, e na base da lei do mais forte.

Quem tem o poder econômico e quem tem o poder das armas tem liberdade ampla.

Para os demais, como o próprio Bolsonaro diz, que “se adequem”.

Ele prometeu. E cumpriu.

Liberdade posta.

Um paraíso.

O paraíso de Bolsonaro e seus apoiadores – um paraíso infernal.

É como diz aquele meme..

“Queima, Jeová, queima ! ”

Infernal, não é mesmo ?

[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

Trending

PLURAL AGÊNCIA DE PUBLICIDADE LTDA
ME 33.399.955/0001-12

© 2021 PORTALPLURAL.COM.BR Todos os direitos reservados.


×

Entre em contato

×