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Medicina & Saúde

Enfrentar o novo coronavírus implica também cuidados com a saúde mental

Reporter Global

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Na web, grupos de ajuda pipocam nas redes sociais, com o propósito de fazerem companhia na quarentena e não deixar aumentar o sofrimento das pessoas | Foto: Willfried Wende/Pixabay


Os efeitos provocados pela pandemia do novo coronavírus vão além dos prejuízos diretos na saúde e na economia. A quarentena, o isolamento social e o excesso de más notícias podem impactar também na saúde mental e, até mesmo, agravar riscos a pacientes que já se tratam de depressão e ansiedade, por exemplo. “Esta é uma situação que perturba a todos, em maior ou menor grau”, lembra a médica psiquiatra Clarice Kowacs. Segundo a especialista, inevitavelmente, todos nós teremos perdas, sejam elas com a saúde, familiares e financeiras, por exemplo. De crianças a profissionais de saúde, que atuam na linha de frente ao atendimento, e à população, não haverá quem não seja afetado por este turbilhão de emoções e sentimentos causados pelo período de clausura. “A gente vai saber os efeitos desta situação nos próximos meses, anos”, acredita Clarice. Mas há alternativas que podem tornar este período mais leve e produtivo, lembra o também psiquiatra Rogério Cardoso. “A ideia é fazer deste limão, uma limonada.” Na web, grupos de ajuda pipocam nas redes sociais, com o propósito de fazerem companhia na quarentena e não deixar aumentar o sofrimento de pessoas, por exemplo, que tenham síndrome do pânico.

“Cada um reage de acordo com suas possibilidades e de acordo com suas circunstâncias internas. Para quem tem uma boa rede de amizade, mais recursos financeiros, pode ser mais fácil que para outras pessoas. Para quem tem problemas psicológicos ou mentais, isso pode afetar”, aponta Clarice. De acordo com a médica, que também é psicoterapeuta e psicanalista, a chegada abrupta do coronavírus mexeu profundamente com a vida de algumas pessoas. “De repente elas têm sua vida virada de cabeça para baixo”, reforça. “Têm pessoas que vão ficar muito mal com a hipótese de permanecer em casa. Têm pessoas que são pessimistas e imaginam que é um problema mais grave do que é. Outras que são tristes, se abatem mais rapidamente. Há pessoas muito ansiosas, pensando naquilo o tempo inteiro”, relaciona Cardoso.

De acordo com os especialistas consultados pelo Correio do Povo, o contexto atual é repleto de fatores que podem acabar aprofundando os sintomas das psicopatias e até mesmo tirar a tranquilidade. “Aumenta a tensão entre os familiares. A gente tem que tentar relevar as coisas nessas horas”, pensa Clarice. Males como ansiedade, depressão e pânico são mais sujeitos ao agravamento dos sintomas. “Pessoas com TOC podem se sentir mais entendidas. Geralmente estas pessoas têm uma forma exagerada de ver o mundo e agora todos nós temos este tipo de comportamento. Claro que depois, tem um efeito complicado, deletério”, pontua.

A psicoterapeuta afirma que as pessoas devem estar atentas aos quadros de depressão. “O ‘ficar preso’ pode aumentar o consumo de substâncias como álcool. A gente vai ter ainda muitos casos de depressão”, prevê. A médica psiquiatra e psicoterapeuta Clara Ester Trahtman também destaca a questão da síndrome do pânico. “O pânico tem que ser tratado. Tem que buscar ajuda. É importante seguir o tratamento, conversando com seu terapeuta. A pessoa que está isolada e sozinha tem que estar de bem consigo”, reforça. Para quem, em tese, aparenta boa saúde mental, Clara lembra: “Temos que saber lidar com esta incerteza. Termos capacidades cerebrais para se autoajudar”.

Cardoso diz que este período de isolamento social deve ser aproveitado como forma de prevenir a piora e até mesmo o surgimento de psicopatias. “Deve-se achar rotinas dentro de casa. Vejo que os jovens têm muito de ficar jogando online. Eu, por exemplo, estou fazendo o imposto de renda. Fico em casa resolvendo o problema do imposto”, exemplifica o médico. “Tem pessoas que gostam de ficar quietas, pensando na vida, mas têm as que não conseguem ficar quietas. Tem gente que gosta de limpar sua casa, de costurar, fazer crochê e tricô. São pessoas que fazem questão de se ocupar para fazer com que este tempo não seja doloroso”, conta Cardoso.

“Se uma pessoa tem depressão, a tendência vai ser ela se entregar. Importante é não ficar de pijama o dia todo. Tentar fazer exercícios físicos, usar técnicas como a meditação. Fazer todas as coisas que forem possíveis”, orienta Clarice.

Grandes desafios com os pequenos em casa

Com a decretação do isolamento social como forma de prevenção da Covid-19, as escolas pararam suas atividades e, com isso, as crianças tiveram que ficar em casa. A situação prejudica o aprendizado delas e ao mesmo tempo pode atrapalhar pais que estejam atuando em regime de home office durante o período. A jornalista Daiana de Souza, 41 anos, mãe da Brigitte, de 3 anos e 7 meses, conta que a interrupção das atividades escolares foi um choque, embora concorde com a iniciativa. “Ela recentemente havia começado a ir na escola. Estava se adaptando super bem. E, repentinamente, depois de já estar habituada a nova rotina, teve que parar”, descreve. Daiana acrescenta que a filha vive perguntando quando irá para a escola.

Com a pequena em casa, a rotina precisou mudar. “Costumo exercitar o ócio mesmo. Não a encho de atividade e tento deixar ela livre pra descobrir o que fazer”, relata. Daiana diz que tem visto muitos pais atucanados em tentar achar atividade o tempo todo para entreter as crianças. Para a médica Clara, é salutar fazer algumas atividades com as crianças, como brincadeiras, joguinhos, redações, etc. “Também é preciso dar uma resposta mais simples para as crianças. Tem que explicar que vai passar, que é só um período”, recomenda. A mãe da Brigitte diz que a filha segue pedindo pra ir junto no mercado e também pra ir nas amiguinhas. “Ela ainda pede para ir na vovó, que está na praia – isolada também -, e até para andar de bicicleta na calçada. Explicamos para ela a realidade: tem um vírus e todo mundo está em casa, que está tudo fechado. Todos os dias é o mesmo ‘exercício’ para explicar sobre a realidade”, revela Daiana. Outra forma de ocupar o tempo dos pequenos, segundo Clara, é estimular o voluntariado nas crianças. “Elas entendem, são receptivas neste sentido”, defende.

O ambiente em casa também precisa se manter em dia, acredita a psicoterapeuta. Em dias de pandemia, a preocupação e a angústia também podem tomar conta da cabeça dos pais. “Este momento é um desafio a todos. É natural que fiquem ansiosos, pensando que não se tem controle. Tem que se pensar que vai passar, vai levar algum tempo, mas vai passar”, destaca Clara. “É tentar manter a tranquilidade dentro do possível. Manter a rotina em casa, usar seu capital mental para manter o sistema imunológico bem. Se propor a ter alguma diversão. Sempre tem algo a ser feito.”

Siga em frente

Trabalho voluntário

No Facebook, apesar de ser território fértil para as fake news, há bons grupos a quem enfrenta dificuldades com a sua saúde mental. A produtora de conteúdo e estudante de produção fonográfica Antônia Kowacs tem observado o desenvolvimento destes grupos desde que começou a pandemia. “Há um grupo que já existia pré-Covid, ‘a group where everyone is approved in 5 seconds’ que é enorme e que tem pessoas do mundo inteiro. Antes era de interação, com memes, etc, e, desde que o coronavírus começou a se espalhar, virou cada vez mais um grupo de relatos sobre os casos. Têm relatos de italianos, americanos, gregos”, destaca. Segundo Antônia, há também o “Share your quarentena” e o Quarentena Compartilhada. A diferença entre os dois, é que o segundo é um grupo aberto, portanto, requer mais cuidado sobre o que se vai compartilhar. Outra dica da Antônia é o Quarentena Feelings, que tem como propósito “gerar pertencimento e risadas”. Também tem o “Quarentena – Apoio psicológico”, que vai na linha de literatura de autoajuda e é aberto. O próprio Instagram criou um stick para postar no stories, denominado #emcasa, como forma de incentivar a troca de experiências entre as pessoas durante o isolamento ou quarentena.

As várias entidades que agregam profissionais da saúde mental no Rio Grande do Sul, por meio da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA), estão oferecendo auxílio voluntário a profissionais da saúde e comunidade em geral para qualquer pessoa que queira conversar remotamente por alguns minutos sobre seus sentimentos de solidão, desamparo, desespero, angústia de morte, medo ou pânico. As pessoas podem contatar a SPPA pelo telefone (51) 3224-3340 ou acessar o site www.sppa.org.br, na internet. O Centro de Valorização da Vida (CVV), que já faz trabalho de prevenção ao suicídio desde a sua fundação, em 1962, atende em Porto Alegre, 24 horas por dia, pelo telefone 188. No site www.cvv.org.br, há também a opção de chat e e-mail para quem precisa de ajuda.

Os médicos destacam também a necessidade de as pessoas seguirem com seus medicamentos. “As pessoas que estejam em tratamento, que sigam com o tratamento. Os pacientes poderão utilizar segunda via para retirar medicamentos controlados, para evitar deslocamentos desnecessários”, acrescenta Cardoso. “É lutar para não se entregar e continuar a tomar sua medicação. Muita gente continua sendo tratada a distância. Eu mesmo estou atendendo online”, conta Clarice. Mas não é só medicamento que resolve. Há outros caminhos para manter a mente sadia. “É importante que as pessoas usem este tempo para procurar informações e tenham cuidado para que estas informações sejam fidedignas. Por que tem muita coisa apavorante e mentirosa. Gaste um tempo razoável e depois largue isso e vá fazer outras coisas, como ginástica e pilates. Fazer coisas que gosta, aproveitar este momento. Fale com os amigos pela internet. São coisas que vão nos dar satisfação, tranquilidade”, recomenda Cardoso.

Correio do Povo

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Medicina & Saúde

Semana Estadual do Bebê traz discussão sobre primeira infância durante a pandemia de coronavírus

Pável Bauken

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A primeira infância em tempos de coronavírus será o tema explorado durante a Semana Estadual do Bebê, entre os dias 6 e 12 de dezembro. O evento é organizado pelo programa Primeira Infância Melhor (PIM), da Secretaria da Saúde (SES). A programação contará com o Seminário Internacional da Primeira Infância e a cerimônia de premiação do prêmio Salvador Celia.

Os eventos serão realizados de maneira virtual, com transmissão pelo site do PIMFacebook do PIMFacebook da SES e Youtube da SES.

O seminário é aberto ao público, em especial para as equipes municipais do PIM, Programa Criança Feliz e Agentes Comunitários de Saúde, além de trabalhadores e estudantes das áreas da saúde, educação, assistência social entre outros.

O prêmio Salvador Celia reconhecerá os melhores relatos de experiência de visitadores e agentes comunitários de saúde, que enviaram seus trabalhos no formato de animações em vídeo com o tema “Iniciativas criativas na atenção à primeira infância em tempos de coronavírus”. Serão premiados os primeiros colocados na classificação geral e também por cada macrorregião de saúde do Estado.

A Semana Estadual do Bebê está em sua 18ª edição, e conta, ainda, com apoio das secretarias da Educação; de Trabalho e Assistência Social; da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos e da Cultura.

Programação
O primeiro dia do Seminário Internacional da Primeira Infância contará com palestras das profissionais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil Marlova Noleto e Rosana Sperandio Pereira, que falarão sobre a importância da abordagem integral na primeira infância.

Ainda neste dia, a chefe da Unidade de Saúde, HIV e Primeira Infância do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Cristina Albuquerque, abordará políticas públicas inovadoras para a primeira infância. Para fechar o dia, a consultora nacional de Saúde da Criança da Organização Pan-americana da Saúde (Opas/OMS), Tatiana Coimbra, falará sobre cuidado atencioso para o desenvolvimento infantil.

No segundo dia de evento, o diretor do Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados para o Brasil e a África Lusófona (FGV/EESP Clear), André Portela, apresentará o PIM como política pública baseada em evidências. Na sequência, a psicóloga da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Elisa Altafim, abordará a parentalidade positiva e o apoio às famílias e profissionais.

O terceiro e último dia de evento será dedicado à cerimônia de premiação do prêmio Salvador Celia.

Veja a programação completa da Semana Estadual do Bebê.

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Medicina & Saúde

Unidade de Saúde Mental promove encontro virtual entre pacientes, familiares e direção do HVS

Pável Bauken

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A pandemia modificou a rotina de diversos setores no Hospital Vida & Saúde. Na Unidade de Saúde Mental, até o início deste ano, eram promovidos encontros presenciais semanais, aproximando os profissionais da Unidade e os familiares dos pacientes internados. Com a pandemia, os encontros precisaram ser reformulados e realizados de forma virtual.

Na semana em que a Unidade completou dois anos de funcionamento, um encontro virtual muito especial foi promovido pela equipe multiprofissional da Unidade. Através de uma plataforma de videochamada, pacientes relataram como está sendo este momento de internação e de recuperação.

Com o acompanhamento da terapeuta ocupacional, Larissa Froehlich e da equipe de profissionais da Unidade, os pacientes fizeram relatos carregados de emoção e superação. “O objetivo da atividade foi proporcionar um espaço de discussão e aproximação entre usuários, equipe técnica, direção e familiares, acerca da internação e processo Terapêutico. Compreendemos que esse momento foi terapêutico para os usuários, pois deu voz a eles para que pudessem expressar seus sentimentos e pensamentos sobre seu processo de reabilitação”, explicou a Terapeuta Ocupacional da Unidade.

Alguns familiares e a diretora-geral do HVS, Vanderli de Barros, acompanharam o momento e também tiveram participações importantes no encontro. “Ficamos com uma tranquilidade muito grande quando sabemos que ao lado de vocês (pacientes) tem profissionais tão capacitados”, relatou um dos familiares dos pacientes durante o encontro.

Durante o encontro virtual, a Diretora-geral destacou o trabalho desenvolvido na Unidade e a competência da equipe multiprofissional que não mede esforços no tratamento dos pacientes, além de conversar com os pacientes e com os familiares. “Nosso trabalho no Hospital sempre é para fazer um mundo melhor. É um trabalho à muitas mãos, para que vocês, pacientes, sintam-se acolhidos”, ressaltou.

 

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Medicina & Saúde

10 municípios que concentram mais da metade dos casos ativos de coronavírus no RS

Reporter Plural

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boletim produzido pelo Comitê de Dados do RS aponta as 10 cidades gaúchas que concentram aproximadamente 53% dos casos ativos da doença

Semanalmente o número de casos positivos de coronavírus tem aumentado no Rio Grande do Sul.  Um boletim produzido pelo Comitê de Dados do RS,  aponta as 10 cidades gaúchas que concentram aproximadamente 53% dos casos ativos da doença.

Os dez municípios do estado que concentram mais da metade dos casos ativos de coronavírus no RS são, pela ordem: Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Gravataí, Novo Hamburgo, Santa Maria, Passo Fundo, Viamão, Rosário do Sul e Santa Cruz do Sul. Juntas, essas cidades concentram 5.346 casos (52.98%).

Os demais 487 municípios gaúchos concentram menos da metade dos casos ativos, ou 47.02%. De acordo com dados do Governo do Estado:

Porto Alegre (município que aparece primeiro na lista) há 3.145.

Canoas, com 422 casos ativos;

Caxias do Sul (372);

Gravataí (282);

Novo Hamburgo (249);

Santa Maria (213);

Passo Fundo (170 casos ativos);

Viamão (166);

Rosário do Sul (165)

Santa Cruz do Sul (159).

 

FONTE PORTAL ARAUTO

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