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Debatedores defendem regulamentação profissional do ‘coaching’

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A regulamentação profissional da prática do coaching foi defendida por participantes da audiência pública interativa promovida pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) nesta terça-feira (3). Coaching é a atividade na qual um mentor usa técnicas diversas para orientar o cliente no desenvolvimento profissional ou pessoal.

O objetivo da reunião era debater uma sugestão popular que pede a criminalização da atividade. A ideia foi rechaçada por todos os participantes. A reunião foi conduzida pelo vice-presidente da CDH, senador Telmário Mota (Pros-RR).

O presidente da Sociedade Latino-Americana de Coaching (Slac), Sulivan França, disse que a criminalização da atividade não faz sentido, pois já existem punições legais para a prática de exercício ilegal de profissão. Para ele, se há coachs incompetentes ou que invadem a área de outras profissões, como a psicologia, a atividade não pode ser totalmente condenada por esses desvios.

— Há padres pedófilos, vamos criminalizar os padres? Um motorista que atropela e mata pessoas, vamos criminalizar todos os motoristas? — questionou França.

Para ele, há atualmente uso indiscriminado da denominação coach, o que acaba fazendo profissionais deturparem a técnica quando a associam com espiritualidade, religiões ou hipnose, por exemplo. Sulivan afirmou que o coaching nada mais é que a construção de estratégias para que o indivíduo possa alcançar seus objetivos e metas pessoais e profissionais. Ele defendeu a regulamentação dessa profissão, com parâmetros de metodologias e competências necessárias para o profissional.

O presidente e fundador da Sociedade Gaúcha de Coaching, Ronald Dennis Pantin Filho, afirmou ser um “missionário do coaching” e disse que sua entidade já formou quase 3 mil profissionais. Para ele, a atividade é “a melhor metodologia de desenvolvimento humano da atualidade”. Para Pantim, o filósofo grego Sócrates pode ser considerado o “pai do coaching”, pois o método usa perguntas e questionamentos para direcionar o ser humano “a resgatar sua essência”.

Pantin também defendeu a regulamentação da profissão e argumentou que o Conselho Federal de Psicologia tem uma nota oficial na qual afirma que a técnica do coaching pode ser usada com bons resultados por psicólogos.

— A regulamentação vai servir para afastar os picaretas do coaching — afirmou.

Projetos de lei

Por sua vez, o deputado federal Nereu Crispim (PSL-RS) pediu apoio ao projeto de lei de sua autoria que propõe a regulamentação da prática. O PL 3.550/2019 regulamenta a profissão de coach e dispõe sobre a prática e a metodologia do coaching. O deputado disse que a profissão já é reconhecida na Europa, Estados Unidos, Canadá e Austrália.

Como ele, os deputados federais Eduardo Bismark (PDT-CE) e Coronel Tadeu (PSL-SP) falaram de projetos apresentados neste ano nos quais também propõem a regulamentação. Autor do PL 3.581/2019, Bismark disse que há universidades e faculdades em diversos países que oferecem cursos de coaching. Para ele, a regulamentação da profissão precisa ser bem debatida para que trace limites de atuação e dê mais segurança jurídica à área. O projeto dele propõe a regulamentação do exercício da profissão de coach.

— É uma realidade em nosso país, é uma realidade no exterior. A criminalização é um completo absurdo. A gente tem que trabalhar por uma regulamentação justa e que permita aos profissionais trabalharem com liberdade — afirmou o deputado.

Também com o objetivo de regulamentar a profissão há o PL 3.970/2019, do deputado Coronel Tadeu, e o PL 3.553/2019, do deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF). Esses quatro projetos de lei estão tramitando em conjunto na Câmara dos Deputados.

Inovação

O presidente da Federação Brasileira de Coaching Integral e Sistêmico, Paulo Sérgio Vieira da Silva, afirmou que a atividade é “uma profissão nobre, digna e profícua no que ela faz”. Para ele, a área deve estar ligada intimamente à tecnologia e à inovação. Segundo informou, diversos ministérios, estatais, órgãos públicos, universidades e demais entidades já usam técnicas e profissionais de coaching.

Vieira da Silva citou como exemplo a Presidência da República, a Embrapa, a Ordem dos Advogados do Brasil, o Senac e outros. Disse ainda que o Ministério da Educação reconhece atualmente 14 cursos de graduação em coaching no país e mais de 500 cursos de pós-graduação na área.

— O coaching já é uma realidade. É uma ferramenta moderna em constante inovação.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Coaches, Luís Gustavo Pilenso Lintz, afirmou que o coaching movimentou US$ 2,36 bilhões no mundo no ano passado. Ele informou que sua entidade tem um código de conduta e um código de ética para coaches.

O sócio-administrador da Sociedade Sul-Americana de Coaching, Cesar Rodrigo Velho Fonseca, afirmou que a técnica pode trazer benefícios para qualquer pessoa em relação a autodesenvolvimento, autoconhecimento e desenvolvimento profissional.

— Resgatar a essência e humanidade das pessoas é um dos objetivos principais do coaching. Coaching é capacitação, não é estímulo — disse.

O vice-presidente do International Coach Federation (ICF), Marcus Baptista, informou ser coach há 16 anos, trabalhando principalmente com empresas. Segundo disse, sua entidade está presente em 135 países, tem mais de 30 mil membros e possui código de ética profissional, constantemente revisto e aprimorado para garantir boas práticas no coaching profissional.

De acordo com ele, a ICF define coaching como uma parceria com os clientes “em um processo instigante e criativo que os inspira a maximizar seu potencial pessoal e profissional”. Baptista acrescentou que não há processo de regulamentação da atividade em nenhum lugar do mundo. Ele defendeu que a profissão pode ser autorregulada.

Já o coach João Magalhães defendeu uma regulamentação que “defenda o coach e o cliente”, para garantir atendimento por profissionais sérios, “não charlatões”.

O vereador de Cachoeirinha (RS) Duda Keller, formado em coaching, fez um relato pessoal de sua trajetória e garantiu que a profissão “transforma a vida das pessoas”. Pedagogo, o vereador disse que é coach educacional e pretende ser também coach político.

A diretora-presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Coaching, Mônica Aparecida de Paula Graton, afirmou que sua entidade busca orientar, desenvolver e conectar os coaches brasileiros. A associação tem blog, revista, canal de vídeos e outros instrumentos voltados para coaches, relatou. Ela defendeu a regulamentação da profissão, com regras claras, e também a regulamentação da formação.

O deputado federal JHC (PSB-AL) afirmou que o coaching é “uma ferramenta eficaz que está sendo usada em todo o planeta”.

Atividade

Originária do idioma inglês, a palavra coach significa treinador. No mercado de trabalho, ele é o instrutor capacitado a ajudar pessoas a atingirem mais rapidamente suas metas na vida pessoal e profissional. O coach também é contratado por empresas na busca de resultados em curto prazo. Nos Estados Unidos, onde a atividade surgiu há algumas décadas, a carreira já movimenta mais de US$ 2 bilhões ao ano.

Na teoria, qualquer profissional pode se tornar um coach, desde que domine os conhecimentos dentro de sua área. Na prática, é preciso também estar preparado para lidar com pessoas, ajudar os clientes a identificar limites, superar desafios e desenvolver o seu potencial.

O cidadão William Menezes, morador de Sergipe, é o autor da sugestão legislativa de criminalização da atividade. Sua ideia legislativa (apresentada por meio do Portal e-Cidadania, do Senado) recebeu mais de 20 mil apoios, sendo então transformada em sugestão legislativa (SUG 26/2019). A sugestão tramita na CDH sob relatoria do presidente do colegiado, o senador Paulo Paim (PT-RS), que ainda analisa a matéria. Se for aprovada, poderá virar projeto de lei.

Regulamentação

No sentido oposto, também há quem reconheça a qualidade e os bons resultados dessa atividade. Ronald Dennis Pantin Filho, que participou da audiência pública desta terça-feira, apresentou uma ideia legislativa de regulamentação da profissão.

Na justificativa da proposta, o autor argumenta que coaches e mentores atuam desde que o ser humano existe, mas que somente nos últimos 40 anos essas profissões ganharam destaque no Brasil, ajudando milhares de pessoas a se desenvolverem. Por enquanto, a sugestão tem pouco mais de 5 mil apoios no Portal e-Cidadania e precisa de mais 15 mil para ser analisada na CDH.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado
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Entrevista pré-candidato a deputado Charles Schulle

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A Rádio Plural FM, na 100.3 FM, em uma parceria com a Rádio Vera Cruz de Horizontina, passa a levar para praticamente todas as cidades da região, um jornalismo plural e extremamente sério através das ondas do rádio.

​✅​ Desta vez o analista Leonardo Vicini trouxe para o debate o candidato a deputado Charles Schulle.

 

Confira a entrevista no link ​👇​👇​

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Propaganda de Bolsonaro terá ‘nomes malditos’ do PT; veja quais

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O horário eleitoral dedicado a campanha para a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) irá resgatar rostos do escândalo do Mensalão, que marcou os governos PT e ficou associado ao nome do ex-presidente Lula (PT), principal adversário do atual chefe do Executivo no pleito deste ano. As informações são da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

De acordo com a colunista, entre os nomes que vão aparecer na propaganda eleitoral do PL estão os dos ex-ministros Antonio Palocci, José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o delator Pedro Barusco, ex-Petrobras que denunciou propina de até US$ 200 milhões em contratos com a estatal.

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Economia

Leite vira vilão do café da manhã com alta de 25,4% em julho; entenda

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Em 12 meses, o produto acumula aumento de 66,46%; nesta época de poucas chuvas, pastagens ficam mais secas, o que afeta o gado
 
A inflação em julho caiu 0,68%, mas o grupo dos alimentos e bebidas avançou 1,3%, a maior alta do índice, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A sazonalidade de itens, como leite e frutas, e problemas na oferta externa, caso do trigo, têm impactado toda a cadeia de derivados, o que contribui para a persistência dos altos preços dos alimentos que compõem o café da manhã da maioria dos brasileiros.
 
Dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostram que o leite e derivados dispararam 14,06% em julho e 41,22% nos últimos 12 meses. André Braz, economista do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) no núcleo de Índice de Preços ao Consumidor, explica que o efeito sazonal atinge os alimentos. “Nesta época do ano chove pouco, nessas condições as pastagens pioram, os animais acabam perdendo peso e o volume de leite diminui. Então é normal que o preço suba. Toda a família de derivados também sobe, fica tudo mais caro, e isso causa uma pressão inflacionária destacada pela importância desses itens na dieta.”
 
O leite longa vida subiu em julho 25,46%, o segundo item com a maior alta mensal. Já em um ano, o produto registrou aumento de 66,46%. Outros derivados também tiveram uma elevação considerável no mês, como leite condensado (6,66%), manteiga (5,75%), leite em pó (5,36%), queijo (5,28%), margarina (3,65%), requeijão (3,22%) e leite fermentado (2,87%).
 
“Sem contar ainda que existe aumento de outros itens, como frutas, que apresentaram uma alta importante”, afirma Braz. O aumento desses itens, no geral, foi de 4,40% em julho, de acordo com o IPCA. Em 12 meses, 35,36%.
 
A melancia, a maior alta mensal da inflação (31,26%), continua em safra e, por isso, pode ficar mais barata em novembro, dezembro e janeiro. Já o mamão, que subiu 13,52%, deve ter queda no preço de outubro a janeiro. Com alta em julho de 11,36%, a época da banana-nanica começa em setembro e, geralmente, dura mais quatro meses.
 
A sazonalidade pode ajudar a reduzir o preço das frutas nos próximos meses, que acumulam inflação elevada nos últimos 12 meses. No período, o mamão subiu 99,39%; a melancia, 81,6%; o morango, 73,86%; o melão, 61,15%; a manga, 47,51%; e a banana-nanica, 42,87%.
 
É esperado que pressão inflacionária desses itens diminua em breve. “O que sustenta a alimentação como o grande vilão dos preços são alguns efeitos sazonais. A boa notícia é que eles são passageiros. No caso do leite, por exemplo, ele já deve ceder em setembro com a aproximação da primavera, quando começa a chover. O produto deve começar a devolver esses aumentos acumulados até agora”, analisa Braz.
 
Fatores externos
A guerra no Leste Europeu tem ajudado a manter elevados os preços do café da manhã. A Ucrânia é um dos maiores produtores de trigo do mundo, mas a produção está sendo afetada pelo conflito. A queda na oferta do grão no mercado global fez o preço da commodity disparar. “Isso afeta também o pão francês, o biscoito e o macarrão”, comenta Braz. 
Em julho, os derivados de trigo continuaram subindo. Entre eles o biscoito (2,71%), pão doce (2,66%), farinha de trigo (2,29%), pão de forma (1,9%), macarrão (1,65%) e o pão francês (1,58%).
 
“No caso do trigo, mesmo com a guerra, estamos vendo acordos para que haja liberação de grãos da Ucrânia. A oferta de trigo no mercado internacional está aumentando aos poucos. A gente já começa a ter uma pressão menor”, completa o economista.
 
A invasão na Ucrânia aconteceu em fevereiro. Dados do IBGE indicam que, somente em 2022, a farinha de trigo disparou 27,47%. Outros derivados também acumulam alta elevada no período, como o pão de forma (18,74%), macarrão (16,17%), biscoito (16,03%), pão francês (15,35%) e o pão doce (13,85%).
 
O preço de outras commodities e de insumos agrícolas usados na produção também são influenciados por fatores externos. Segundo Hugo Garbe, professor do Mackenzie e economista-chefe da G11 Finance, “eles têm uma cotação internacional. Mesmo que a inflação caia, ele [o valor] vai continuar resistindo no preço anterior”.
 
O que influenciou a queda na inflação em julho?
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou a primeira deflação desde maio de 2020. É o menor resultado da série histórica do índice, iniciada em janeiro de 1980. Apesar da queda em julho, o índice acumula nos últimos 12 meses alta de 10,07%, percentual acima da meta estabelecida pelo governo para o período, de 3,5%.
 
Para Hugo Garbe, “a inflação está cedendo por conta dos subsídios do governo, a redução do ICMS, já era esperado que teríamos uma deflação. Ela aconteceu devido a uma política fiscal para conter o avanço dos preços, principalmente, dos combustíveis”, explica.
 
Mesmo com os preços persistentes dos alimentos, a queda do IPCA pode ser explicada pela redução das alíquotas do ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias). A energia elétrica residencial e a gasolina, que tiveram a redução da tarifa, recuaram em julho 5,78% e 15,48%, respectivamente. Somente transportes (-4,51%) e habitação (-1,05%) tiveram variação negativa e puxaram a inflação do período para baixo. Também foi reduzido até o fim de 2022 o PIS/Confins sobre a gasolina e o etanol, que registrou queda no preço de 11,38%.
 
As frutas tiveram os maiores aumentos do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) em julho. A prévia da inflação, calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostrou que, dos dez itens com maior alta no preço, mais da metade são frutas. O índice perdeu ritmo no mês (0,13%), mas, apesar de também ter caído no acumulado de 12 meses, o percentual registrado, 11,39%, ainda segue acima do patamar de dois dígitos
 
Fonte:R7
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