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Cova da Moura: a favela de Lisboa que recebe turistas – Portal Plural
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Cova da Moura: a favela de Lisboa que recebe turistas

Pável Bauken

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Favela africana convive com relatos de violência policial e racismo na mesma medida que cresce como roteiro cultural alternativo na capital portuguesa.

O fenômeno da favela é visto por europeus e estadunidenses como um fenômeno comum ao Sul global. Na América hispânica, as comunas são parte de quase todas as metrópoles e capitais (algumas famosas, como Fuerte Apache, em Buenos Aires, na Argentina, e El Alto, em La Paz, na Bolívia), e o Brasil possui favelas famosas mundialmente, como a Rocinha e o Vidigal – ambas de frente para o mar.

Há ainda slums (termo em inglês) com histórias paralelas de superação e medo, violência e paz, turismo e perigo, como Soweto, em Joanesburgo, na África do Sul, que foi construída em 1960 como um gueto para os negros durante o período do apartheid, e a de Dharavi, em Mumbai, na Índia — hoje o destino turístico mais procurado pelos estrangeiros no país, segundo o Trip Advisor.

Algumas favelas, porém, cresceram em cidades do Norte, como é o caso de Cova da Moura, em Amadora, na região metropolitana de Lisboa, capital de Portugal. O bairro, a 15 km do centro lisboeta, vive hoje a mesma relação tumultuada que as homólogas do Sul: violência, racismo, atuações desastradas da polícia e, ao mesmo tempo, intensa vida cultural, identidade e um boom de roteiros turísticos.

Segundo estimativas extraoficiais, cerca de mil turistas pagam cerca de €5 (R$ 21) a operadores locais para andar pelas estreitas ruas repletas de casas não terminadas, comércios alternativos e muros com desenhos do pastor estadunidense Martin Luther King, do revolucionário argentino Che Guevara, do rapper Tupac e grafites com denúncias de violência policial e racismo.

“Moura” é, na verdade, o sobrenome da primeira família que resolveu arrumar a mala e se mudar para o privilegiado morro de Amadora – onde é possível ver Lisboa a distância – no início dos anos 1970, quando o terreno já era alvo da especulação imobiliária de Lisboa, mas ainda era despovoado. O jornal Público estima que a área valha €100 milhões (R$ 422 milhões) agora.

O governo português diz que metade dos sete mil moradores atuais são africanos e que, deles, 10% não sabem ler nem escrever em língua portuguesa. A grande maioria chegou à Cova da Moura depois da independência de Cabo Verde, em 1975, incentivando pessoas de outras antigas colônias, como Angola e Guiné Bissau, a migrar em busca de emprego na ex-metrópole. Porém, quanto mais chegavam, mais os migrantes se deparavam com uma grave crise econômica decorrente dos dias finais do período salazarista em Portugal.

Além dos africanos, os primeiros moradores também eram portugueses regressos das colônias na África e que, da mesma forma, não encontravam emprego no país e, assim, iam viver em regiões mais baratas. Há casos inversos, como africanos que se formaram em Portugal e voltaram aos seus países para trabalhar em altos postos governamentais ou em universidades.

Segundo Miguel Lourenço, diretor do projeto turístico Sabura, que leva turistas estrangeiros a Cova da Moura, naquela época muitos jovens encontraram no tráfico de drogas a única oportunidade de sobreviver. “Eles vendiam entorpecentes para colocar comida na mesa de suas famílias”, disse ao Público. Segundo ele, seu negócio pretende tanto acabar com a imagem negativa do bairro como ajudar os moradores com uma fonte de renda do turismo.

“Não é Montmartre, em Paris, ou o Bairro Gótico, em Barcelona, mas nosso patrimônio cultural pode atrair visitantes interessados na cultura de Cabo Verde, sua comida, sua música, seu artesanato”, completou ele.

No começo do ano, um vídeo de policiais batendo em jovens durante uma abordagem no local colocou novamente o debate sobre os excessos cometidos pelas forças policiais portuguesas em Cova da Moura. Há alguns anos, a discussão era em torno da recusa de taxistas em levar os turistas até o bairro.

O Sabura é parte do trabalho da Associação Moinho da Juventude, fundada ainda nos anos 1980 pelo psicólogo belga Godelieve Meersschaert. Apesar de ter nascido com o intuito de lutar por melhores condições de vida — como levar água tratada e saneamento — ao bairro, o projeto teve que lidar com o maior desafio de sua história há alguns anos: enfrentar os planos dos empreiteiros de demolir as casas da favela. “Eles organizaram uma campanha de difamação na TV que conseguiu fazer com que as pessoas da cidade ficassem contra a gente”, afirmou ao jornal britânico The Guardian.

Meersschaert considera que o turismo foi o responsável por evitar os planos da administração local: hoje, além do Sabura, há o Trienal de Arquitetura, que há três anos lançou roteiros turísticos no projeto “Outra Lisboa”. Nele, guias da própria Cova da Moura são contratados para guiar turistas portugueses e estrangeiros pelas vielas do bairro. Segundo o portal Renascença, que acompanhou um grupo durante o tour, as discussões políticas e sociais são inevitáveis. “A opinião das pessoas que moram em Lisboa é outra [em relação à favela]. Até porque as histórias que se veem já são outras.

O coordenador do Moinho da Juventude, Jackilson Pereira, disse à mesma publicação que os roteiros têm o poder de modificar a forma como as pessoas enxergam a favela de Amadora. “É só seguir os comentários das notícias de Cova da Moura e perceber o que é dito lá, mas as pessoas chegam aqui e têm uma ótima imaginem. É verdade que há uma comunicação social que estigmatiza e faz ressaltar a violência, mas nos últimos anos há exemplos muito positivos que fazem um contrabalanço a essa imagem”.

Um dos roteiros mais procurados do Sabura é o da festa de Kola San Jon, uma espécie de festa junina cabo-verdiana que se tornou Patrimônio Cultural Imaterial de Portugal em 2013 e que acontece todo mês de junho em Cova da Moura. A festa junta tanto as celebrações a São João, um dos principais santos da Igreja Católica, com o kolar, uma dança típica do país africano. É quando os turistas podem comer nos restaurantes do bairro (experimentar a cachupa, um prato cabo-verdiana) e descem o morro em uma marcha até a Rua Augusta, já em Lisboa.

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Quase 900 multas por falta de máscara são aplicadas no estado de São Paulo

Reporter Global

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O estado de São Paulo registra 41,1 mil mortes por Covid-19, com 1,2 milhão de casos confirmados.

 

Entre os dias 2 de julho e 17 de novembro, o governo de São Paulo, gestão João Doria (PSDB) aplicou 876 multas por falta de máscara no estado. O uso do item em locais públicos é obrigatório em todo o território paulista desde o dia 1º de julho. A utilização da proteção é uma das medidas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.
De acordo com informações da Secretaria Estadual da Saúde, foram feitas 93.453 inspeções no estado desde julho. Destas, 876 resultaram em autuações, sendo 549 estabelecimentos e 327 pessoas. A pasta promete intensificar as ações de fiscalização a partir desta sexta-feira (20).

Na capital, a prefeitura, gestão Bruno Covas (PSDB), afirma que 2.498 munícipes foram abordados pelas equipes de fiscalização em grandes centros comerciais e locais de grande circulação de pessoas. Não foram aplicadas multas, pois, segundo a administração municipal, tem-se optado “por ações educativas, reforçando à população a necessidade do uso correto das máscaras, não fazendo desta uma ação punitiva.

A resolução sobre a obrigatoriedade do item de proteção, publicada no dia 30 de junho pelo governo estadual, estabelece que a máscara deve ser usada em “ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de lazer, de esporte ou de entretenimento, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, transporte coletivo”, entre outros.

A multa para os cidadãos que forem flagrados sem máscara nesses locais é de R$ 524,59. Para os estabelecimentos, a penalidade é de R$ 5.025,02 para cada pessoa que estiver descumprindo a regra.

Aumento nas internações Os casos de Covid-19 vêm aumentando em São Paulo ao longo do mês de novembro. Na rede estadual, o número de internações em leitos de enfermagem cresceu 26,5% na comparação com o dia 1º. A quantidade de pacientes em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) subiu 21,1%. Ao todo, são 8,6 mil pessoas internadas pela doença nos hospitais do governo paulista.

Na rede municipal, as internações totais aumentaram 33,8% em novembro. Já o número de pacientes em UTI teve um acréscimo de 26,2%. Os dados incluem tanto os hospitais da prefeitura quanto as unidades contratualizadas.

O estado de São Paulo registra 41,1 mil mortes por Covid-19, com 1,2 milhão de casos confirmados.

 

 

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Empresas enquadradas na Substituição Tributária já podem aderir ao Regime Optativo de Tributação para 2021

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O prazo para adesão ao Regime Optativo de Tributação da Substituição Tributária (ROT-ST) para 2021 já está aberto e se encerra em 15 de dezembro.

 

Podem aderir todas as empresas varejistas da categoria geral. Assim, passam ao mecanismo de tributação amparadas pela definitividade, ou seja, deixa de ser exigida a complementação e também não existe restituição por parte do Estado do ICMS-ST pago.

Para 2021, a Receita Estadual estendeu o regime optativo, que já vigorou neste ano, para empresas de qualquer faixa de faturamento. Empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões por ano (cerca de 350 companhias), que atualmente estão na obrigatoriedade de fazer o ajuste (complementando e restituindo) desde março de 2019, também poderão fazer a adesão se desejarem.

As cerca de 5 mil empresas gaúchas com faturamento abaixo de R$ 78 milhões também se enquadram no regime que será prorrogado para 2021. Empresas com faturamento abaixo de R$ 3,6 milhões por ano, optantes ou não do Simples Nacional, continuam fora da obrigatoriedade de realização do ajuste e, assim, não precisam aderir ao ROT-ST para a dispensa de tal apuração. As empresas que aderiram ao Regime Optativo em 2020 devem renovar a adesão para o próximo ano.

Para fazer a adesão, as empresas precisam acessar o Portal e-CAC no site da Receita Estadual e manifestar interesse. O ROT-ST para 2021 foi regulamentado pelo Decreto 55.521/2020, e as Instruções Normativas constam na IN RE nº 087/20.

 

Sobre o ICMS-ST

As mudanças na apuração do ICMS-ST estão sendo implementadas após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de outubro de 2016, que abrange todos os Estados. A norma prevê a restituição ao contribuinte do ICMS-ST pago a maior – ou seja, quando a base de cálculo presumida do produto for superior ao preço final efetivamente praticado, mas também a complementação ao Estado do valor pago a menor – quando a base de cálculo presumida for inferior ao preço final.

 

 

Estado.rs.gov

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Clima/Tempo

Tempo seco predomina; atenção para umidade relativa do ar

Reporter Plural

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Foto: Arquivo Pessoal

O tempo firme predomina em quase todo o Rio Grande do Sul nesta sexta-feira (6). O dia vai começar com frio no Estado, principalmente na Serra.

Mas a previsão adverte que um forte calor vai atingir os municípios da Região Norte durante a tarde. Em Porto Alegre, mínima de 14°C e máxima de 27°C.

Atenção moradores das cidades nas regiões Norte e Noroeste do Estado com a umidade relativa do ar.

De acordo com a previsão vento seco que chega do centro-oeste do país contribui para diminuir a umidade relativa do ar, que tende a ficar abaixo dos 30% nessas duas regiões.

 

SANTA ROSA:

🌤️ Sol o dia todo sem nuvens no céu. Noite de tempo aberto ainda sem nuvens.

🌡️Temperatura:   32ºC máx   –   13ºC min

☔   Probabilidade de Chuva: 0%  –    0mm

☀️Nascer do Sol: 05:42h    ☀️  Pôr do Sol: 19:01h

🌬️Vento:17km/h    –  💥UV Raios:  Extremo

💧Umidade:  20%Min   –     65% Max

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