Coragem & Sorte – Portal Plural
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Paulo Schultz

Coragem & Sorte

Paulo Schultz

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As duas primeiras bizarrices que o Brasil teve na presidência da República – Jânio Quadros e Collor – não completaram seus ciclos de mandato.

Julguei que Bolsonaro também não completaria.

Mas, nesta altura, quase no fim de fevereiro de 2021, e diante das circunstâncias atuais do país, creio que a pior das bizarrices já empoderadas no país vá até o fim do seu tempo concedido de governo.

O que significa um estrago considerável.

Não quero me ater aqui a esmiúçar e analisar a figura Bolsonaro, nem seu não-governo ( isso já foi feito exaustivamente).
Quero focar em outro aspecto….

A primordial necessidade de se ter coragem, uma estratégia correta, e a sorte que deve acompanhar sempre quem luta do lado certo da história.

Se, nesta altura, é muito difícil movimentar forças suficientes para interromper a desgraça que é este governo do ex-capitão, é preciso coragem, estratégia e sorte, não só para parar ou minimizar os estragos, mas também para evitar que se criem condições necessárias para que essa bizarrice destrutiva e insana não tenha prorrogação com um segundo mandato.

É preciso ter a coragem e a estratégia dirigente e militante ativa em todas as forças da esquerda no país, para liderar um movimento político e social, que, debatendo e agregando outras forças políticas que tenham um patamar razoavelmente comum de comprometimento com valores humanos, respeito à vida e à pluralidade, compromisso com os pilares básicos de uma república e de uma democracia de fato, enfim…

Para que se criem as condições necessárias para interromper ou minimizar o ciclo destrutivo pelo qual passa o país, e que se faça necessariamente a construção sólida de uma alternativa que vede uma segunda onda de 4 anos de poder dessa monstruosidade chamada bolsonarismo.

O que não é uma tarefa fácil.

E aqui a questão, antes de debater e cravar uma frente ampla única, provavelmente seja estabelecer o que se quer, e como fazer para atingir isso.

A ideia de frente, seja ela como for, é um passo a posterior.

Até porque, considerando a dificuldade real de se estabelecer uma frente única, é possível sim, que por mais de uma via, se faça o combate certeiro do alvo principal.

E que, passada uma etapa dessa disputa, se faça uma unificação em uma segunda etapa da mesma.

Absolutamente factível isso.

Factível e desejável, e, claro, deve contar com o desprendimento livre de rancores e mágoas.

Bom, mas se acertar na estratégia e na intensidade de coragem é possível, também há que se contar com outro fator: sorte.

A história nos conta que toda boa batalha ou disputa vencida contou com coragem e estratégia, mas teve também a presença essencial da boa sorte.

A sorte que acompanha aquele lance final, onde se joga tudo numa distante cesta de 3 pontos, ou onde se coloca a bola no ângulo num chute já nos descontos finais do jogo..

É dessa sorte que eu estou falando.

É a sorte que sai do brilho nos olhos de quem luta do lado certo da história, e a sorte de quem conta com o poder simples, mas forte, do argumento da vida, e por ela, e para que ela seja para todos.

Palavras e ações.

E um trevo de quatro folhas no bolso.

Ao trabalho.

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Paulo Schultz

Ó como é que faz !

Paulo Schultz

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Lula tem uma habilidade ímpar – ensinar como colocar um governo de direita ou extrema direita contra a parede.

Em pouco mais de uma hora de discurso, no mês passado, Lula encurralou nas cordas Bolsonaro e seu governo pestilento.

Bolsonaro tem andado de olho arregalado .. com cara de apavorado..

Antes surfava na delícia da sua pauta bizarra.

Agora, está espremido por uma pauta que não é a sua – que o coloca como incapaz, inábil, culpado.

Lula ensina que tocar nos pontos nevrálgicos que importam para a população e chamar a responsabilidade em cima de governos como o de Bolsonaro é uma grande sinuca política.

A melhor defesa é o ataque !

Pôr o dedo nas mazelas daquilo que aflige as pessoas, que esculhamba com as suas vidas, dizer que isso precisa ser resolvido, e lembrar que quem está no governo não está dando a mínima para isso, e sequer habilidade tem para tentar resolver, bem…não há estratégia melhor.

Ele também explicita que um partido que tem 30% do eleitorado do país não tem que ficar se curvando às vontades ou egos de quem possui menos de um dígito disso em intenção de voto ou em tamanho.
E isso não quer dizer desprezo,mas sim auto-respeito.

E também não tem que esconder sua trajetória.

Lula nos mostra que, sendo necessária , em uma aliança que amplie para além da esquerda, sempre a esquerda deve ter as linhas determinantes, sob pena de virar um puxadinho liberal, caso não predomine.

Lula ensina que quem quer crescer tem que fazer por onde, e botar o peito na água, sem medo, com ousadia.

Nos ensina que o medo não nos leva a lugar nenhum, e nos aprisiona na institucionalidade liberal, que, além de tudo, acomoda.

O discurso e a postura de Lula nos ensinam que é preciso apontar o bicudo e chutar o pau da barraca… de forma certeira.

Em seguida, se algo desnecessariamente se desajustou, a gente reorganiza.

Mas o principal é que aquilo que precisava ser derrubado, cai – de fato cai.

Lula nos indica que palavra certeiras nocauteiam todos que merecem a devida pancada, por conta de estarem causando danos à maioria – sobretudo àqueles que pouco ou nada podem em termos de defesa.

É preciso ter perspicácia para ouvir,entender, refletir, e a ousadia necessária para agir.

Se a gente não sabe como é que faz gol de placa, entrando a dribles, tem que ter humildade de assistir quem sabe.

Para que a gente possa fazer também – em todos os espaços da vida política, nacional, estadual ou local.

Depois que a gente pega isso..
A gente pega a bola…e com aquela ousadia de quem é atrevido, a gente vai para cima, e constrói vitórias consistentes.

E ainda se dá ao atrevimento de dizer:

” Ó como é que faz ! “

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Paulo Schultz

Quando a fome impede de sonhar

Paulo Schultz

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Dados estatísticos tornados públicos essa semana apontam que a insegurança alimentar atinge cerca de 116 milhões de brasileiros – mais da metade da população do país, portanto.

Mais cruel – a insegurança alimentar grave atinge cerca de 19 milhões de brasileiros.

Ou seja…

Mais da metade dos brasileiros dorme sem saber se vai ter o que comer no dia seguinte, seja em quantidade suficiente, seja em qualquer mínima quantidade.

O Brasil já tinha deixado o mapa mundial da fome nos anos dos governos Lula e Dilma.

Voltou de forma rápida para esse mapa, ainda durante os dois anos e pouco do governo ilegítimo de Temer.

E de 2019 para cá mergulha fundo neste quadro de fome crescente, desde que se iniciou essa bizarrice nefasta chamada governo Bolsonaro.

A fome, por si só, é algo cruel e desumano, que atinge em cheio a dignidade do existir de quem com ela sofre.

É um mecanismo perverso de subjugação, humilhação, e até de eliminação, daqueles que o capitalismo julga como inserviveis ou não-merecedores.

Apenas por esse aspecto,a fome é, portanto, humana e solidariamente inaceitável.

Mas tem mais….

A fome, e a preocupação ininterrupta de quem a tem, com a sua continuidade dia após dia, castram um outro elemento essencial da existência humana.

A fome impede, toda pessoa que a tenha, de sonhar.

E aqui o sonhar não é aquele sonhar do estado de sono de qualquer ser humano.

O sonhar castrado e asfixiado pela fome é aquele sonhar inerente à todo ser humano, de querer algo mais do que a sua própria subsistência.

É tolhido o direito, de quem passa fome, de sonhar e de querer, de pensar de forma não-aflita, e de projetar algo, por mais simples que seja, fora o aspecto de subsistir.

A pandemia agravou esse quadro.

Mas é preciso que se diga que ele é resultado direto da opção consciente e fria, tanto do período ilegítimo de Temer, quanto do período sombrio e pestilento de Bolsonaro.

E se é tirado de milhões o direito inerente de sonhar, lhes é tirado também uma parte importante daquilo que lhes dá desejo de vida.

Um contingente de milhões de brasileiros não tem mais alegria, não tem mais espontaneidade viva, não tem mais brilho nos olhos.

Lhes sufocaram algo que fora conquistado recentemente – sua capacidade de se auto-afirmar como pessoas dignas de cidadania, tanto quanto qualquer outra pessoa que seja ou esteja em uma condição social muito mais favorável.

A fome, portanto, mina a subsistência e comprime o sonho que move todo ser humano.

Atacar essa perversidade é uma tarefa obrigatória de quem vê a vida por outro viés.

Não é uma questão de dó ou pena.

É uma questão de enfrentamento duro e visceral, e de impor derrota, contra todos os fatores e os setores sociais que promovem essa crueldade.

A fome impede de sonhar.

Mas a gente tem que pegar no talo tudo que a promove.

E arrancar com firmeza.

Ao trabalho.

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Paulo Schultz

Uma brisa leve anuncia novos ares

Paulo Schultz

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O clima é pesado, o país tem mais de 300 mil mortes por conta da pandemia que já se prolonga há mais de um ano, e ainda vai longe.

Porém, paralelo ( e também concomitante), algo se movimenta no ar do país.

Era inevitável que chegaria um momento em que o ar pestilento trazido pela vitória e pelo consequente governo bizarro e nocivo de Bolsonaro iria saturar.

Saturou.

O Governo Bolsonaro, mesmo que chegue ao seu final, em 2022, virou uma farinha.

Exceto pelos rompantes de sempre, e pelas aloprações e delírios, não há mais nada de novo que o não-governo do ex- capitão possa produzir.

Poderá, institucionalmente, seguir até o fim de 2022.

Mas, salvo alguma mudança muito dinâmica da vida política e social do país, Bolsonaro e seu governo são defuntos por ora insepultos.

Claro que ainda haverá riscos, danos, destruições, etc.

Mas a overdose diária de tudo que se relaciona a Bolsonaro e seu mandato fez com que se chegasse ao ponto de saturação – uma pestilência amplamente rejeitada – antes de seu tempo final.

Apesar de toda dor e tristeza, e caos, causados pelas mortes na pandemia, diárias e imensamente prolongadas, sente-se uma brisa leve que alenta a imensa maioria da população.

Uma brisa que traz novos ares.. que permite com que as pessoas sintam silenciosamente que o tempo triste da pandemia vai passar, e também o tempo sombrio e negativamente denso do período chamado Bolsonaro também.

É um respiro novo, mais leve, mais humano.

Que, pelo momento, só pode ser sentido de forma respeitosa e silenciosa, mas que pode e deve ser alimentado de forma individual, e, ao mesmo tempo, como uma sensação coletiva de muitos.

O mal virou farinha.

Uma farinha que ainda estará por um tempo a nos importunar.

Mas que quando se dissipar por inteiro, nos permitirá querer e disputar o horizonte dentro de uma perspectiva não mais adoecida.

Será como perceber que há muito a reconstruir e muito a conquistar, mas que essa tarefa dura será feita com firmeza e ao mesmo tempo, com respeito à toda vida.

A bizarrice e o delírio nefasto da morte viraram farinha.

E a brisa da vida vai soprá-la para que nunca mais volte.

Sinta a brisa… feche os olhos…e sinta a brisa.

Quando tudo parece sombrio e perdido, os ventos sempre trazem uma novidade, invariavelmente boa.

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