Como a falta de tempo pode levar a decisões erradas – Portal Plural
Connect with us

Artigos

Como a falta de tempo pode levar a decisões erradas

Publicado

em



Veja se isto lhe soa familiar: você passa o dia de trabalho sob pressão para cumprir prazos, corre de uma reunião para a outra e distribui e-mails, sempre ocupado, resoluto e um pouco sem fôlego. E, no fim do dia, percebe, com decepção, que sequer começou aquele grande projeto que deveria estar tocando.

O resultado é que você acaba levando trabalho para casa, ou decide não levar, mas se sente culpado por isso.

De qualquer modo, é o trabalho invadindo o restante da sua vida, roubando-lhe tempo e espaço mental que deveria estar alocado para família, descanso ou lazer — e deixando-o exausto e um pouco ressentido. Você decide que amanhã será diferente. Mas, quando a manhã chega, você se depara com a mesma realidade do dia anterior.

Esse é um padrão que Antonia Violante tem visto em diversos ambientes corporativos que ela estuda nos Estados Unidos, para seu projeto voltado a busca do equilíbrio entre vidas profissional e pessoal.

Cientistas comportamentais e pesquisadores como ela chamam isso de “tunnelling”, ou, em tradução livre, “viver em um túnel”. Quando estamos estressados ou sob pressão, diz Violante, nossa atenção e cognição se estreitam, como se estivéssemos em um túnel.

Pode ser algo útil, que nos ajuda a hiper-focar na tarefa diante de nós.

Mas o “tunnelling” tem um lado negativo: quando o tempo é escasso e ficamos com o modo pânico ligado, pode ser que nossa capacidade de foco fique limitada apenas às tarefas imediatas diante de nós, geralmente de baixo valor, em vez da atenção em projetos maiores, estratégicos e de longo alcance que, por sinal, nos ajudariam a ficar fora do túnel. “Vemos que as pessoas acabam no ‘tunnelling’ pelas coisas erradas”, afirma Violante.

Por que os e-mails oferecem uma falsa recompensa

Os e-mails certamente estão nessa categoria. Para Violante (que trabalha na ideas42, uma ONG com escritórios nos EUA e na Índia que usa ciência comportamental para resolver problemas do mundo corporativo), checar os e-mails acaba se tornando um hábito viciante, uma vez que nosso cérebro naturalmente busca novidades — sendo assim, ele adora ser alertado para novas mensagens que chegam na caixa de entrada.

Além disso, humanos gostam de se sentir ocupados e produtivos. Combine escassez de tempo com a sensação de novidade e nosso vício em estar ocupado, e fica claro como acabamos focando o tempo e a atenção em o que quer que esteja diante de nós — o que, nos dias atuais, costuma ser e-mails.

Pessoas que gostam de estar ocupadas têm tanta aversão à inatividade que, segundo identificou um estudo, preferem dar a si mesmas choques elétricos do que ficar sem nada para fazer.

“É fácil ser sugado para a tentativa de estar sempre em dia com sua caixa de e-mails”, prossegue Violante. “Isso nos permite estar ocupados, o que causa uma sensação boa. Mas leva a uma falsa recompensa.” Por exemplo, confundir estar ocupado com ser produtivo.

Para sair desse tipo específico de túnel, Violante sugere tentar definir horários específicos para checar mensagens. Essa ideia, que Violante usa para si mesma, é baseada em uma pesquisa que identificou que fumantes autorizados a fumar em determinados intervalos tinham mais sucesso em parar de fumar do que com outros métodos. O motivo, resumiram os pesquisadores, é que determinar horários dava aos fumantes prática e autoconfiança em passar períodos sem fumar, além de quebrar associações habituais que os fumantes fazem com o cigarro.

Reação semelhante ocorre com o e-mail: um estudo de 2015 identificou que pessoas que checam seu e-mail em horários determinados se sentem mais felizes e menos estressados do que aqueles que checam constantemente — que é o caso de muitos de nós, que chegamos a passar cinco horas por dia lendo e respondendo mensagens.

Violante sugere também que equipes profissionais estabeleçam protocolos para quando se espera que uma mensagem seja respondida e limite-se a mandá-las apenas durante o expediente.

Para preservar espaço mental, ela recomenda uma mudança de mentalidade perante as mensagens. “Não se trata de ter literalmente zero e-mails na sua caixa de entrada, mas não ter ambiguidade quanto a o que está lá e ter um plano para o que for mais importante de se responder”, explica. Mas Violante reconhece que não é fácil. “Até mesmo cientistas comportamentais têm vício em e-mail.”

Como a escassez faz o espaço mental encolher

O conceito de escassez e “tunnelling” foram inicialmente descritos em pesquisas comportamentais relacionadas à pobreza.

Anandi Mani, professora de economia comportamental na Escola Blavatnik de Governo de Oxford, e seus colegas queriam entender o que levava pessoas pobres a fazer escolhas ruins com seu dinheiro, como tomar empréstimos a altas taxas de juros ou jogar na loteria.

Eles estudaram coletores de cana-de-açúcar na Índia e aplicaram-lhes exames cognitivos, tanto quando recebiam seu pagamento, logo depois da colheita, como meses mais tarde, quando o dinheiro estava escasso. Os pesquisadores descobriram que a escassez em si criava um fardo tão grande no espaço mental que o QI dos agricultores caía 13 pontos entre o período de bonança e o de pouco dinheiro.

“Existe um paralelo direto entre escassez de dinheiro e escassez de tempo”, diz Mani. “Com dinheiro (em mãos), fazemos o que é urgente — pagamos esta conta, tentamos fazer o orçamento dar certo, mesmo sabendo que é mais importante usar o tempo para ser um bom pai ou conversar com sua mãe. No trabalho, é a mesma coisa. Somos capturados por o que é que esteja na nossa frente, e não nos damos o espaço ou a introspecção para pensar no que pode ser mais pleno de significado.”

Para escapar desse túnel de escassez de tempo, Mani sugere primeiro ter consciência da situação. Se possível, você pode tentar aliviar sua carga de trabalho ou dividi-la ao longo do tempo, assim como, segundo pesquisas, transferências de renda em momentos críticos ajudaria famílias em situação de volatilidade a evitar a pobreza durante os períodos de escassez financeira.

Depois, combine com os demais criar e por em prática normas a respeito de intervalos a serem respeitados — no trabalho, durante a semana e no fim de semana.

“As velhas regras — não trabalhar no Sabbath (dia sagrado para os judeus) — de criar descanso forçado em nossas agendas têm valor real”, diz Mani. Ela mesma tem tentado dedicar 15 minutos diários de sua manhã à meditação. “Isso tem me tornado mais alerta durante o dia”, ela conta.

“Sinceramente, estudar isso tem me forçado a fazer muita introspecção.”

Planeje seu tempo com mais cuidado

Anuj Shah, professor de ciência comportamental na Universidade de Chicago, afirma que a escassez leva à criação de uma mentalidade própria.

Sua pesquisa, em que participantes jogavam jogos online e ficavam “ricos” ou “pobres”, teve resultados surpreendentes. Os que eram “pobres” ficavam, na verdade, mais cuidadosos com seus recursos.

Mas, como a escassez reduzia seu espaço mental, eles ficavam tão focados no jogo que não conseguiam elaborar estratégias para o futuro e faziam escolhas desastrosas, como tomar empréstimos a juros exorbitantes com altos custos posteriores.

Assim, para evitar o “tunnelling” por motivos errados ou negligenciar tarefas importantes que parecem menos urgentes no momento, mas trarão mais dividendos no longo prazo, Shah diz que as pessoas precisam reconhecer que tempo e espaço mental são recursos limitados.

Por exemplo, ele diz, quando olhamos nossa agenda para daqui a seis meses, ela provavelmente estará livre. Por isso, talvez fiquemos tentados a agendar muitos compromissos, que levará a escassez de tempo e “tunnelling” no futuro. “Mas sabemos que, em seis meses, aquela semana será muito parecida à semana atual, que é bastante ocupada”, pondera Shah. “Então precisamos pensar: ‘como vou encaixar isso nesta semana? Do que terei de abrir mão?’ Precisamos nos dar conta de que o tempo livre no futuro é uma ilusão.”

Ele próprio diz praticar isso.

Sendhil Mullainathan, colega de Shah, sugere pensar em nossas agendas menos como uma despensa onde podemos enfiar tudo, e mais como uma galeria de arte, onde decidimos o que é mais importante e como organizar isso, de forma a que tudo tenha seu lugar. Ele recomenda estabelecer sistemas de alerta que nos avisem quando começarmos a cair na armadilha da escassez.

“Quando já estamos com pouco tempo, já estamos em uma situação ruim”, diz Shah. “Mas se aprendermos a gerenciar o tempo com antecedência, podemos prevevir que isso ocorra no futuro.”

*Brigid Schulte é jornalista e autora de “Overwhelmed: Work, Love and Play when No One has the Time” (em tradução livre, “Sobrecarregado: trabalho, amor e lazer quando ninguém tem tempo”) e diretora do Laboratório de Vida Melhor no centro de estudos New America

G1 – BBC

Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos

VITÓRIA DAS MULHERES E CRIANÇAS NO STF

Publicado

em



Gabriel Bueno da Silva
Emerson Vieira Campos
Acadêmicos do Curso de Direito

A Organização Mundial da Saúde – OMS, em relatório emitido no dia 13 de dezembro de 2018, revelou que aproximadamente 30 milhões de bebês, em todo o mundo, por ano, nascem prematuros ou com baixo peso ou ainda adoecem nos primeiros dias de vida.

Considerando essa realidade e que, em muitas das vezes a mãe necessitava voltar ao trabalho ainda antes da alta médica do bebê ou com poucos dias de convivência com ele em sua casa, no último dia 22, foi publicado no Diário Oficial da União – DOU a Portaria Conjunta nº 28, de 19 de março de 2021, expedida pelo Ministério da Economia, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Esta portaria foi emitida em cumprimento à decisão cautelar no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 6.327, no qual o Supremo Tribunal Federal – STF, por maioria, preliminarmente, deferiu a liminar.

A ADI número 6.327 foi impetrada no Supremo, pelo partido Solidariedade, objetivando interpretação à luz da Constituição, ao parágrafo primeiro do Artigo 392 da CLT e ao Artigo 71 da Lei 8.213-1991, para estabelecer como marco inicial da licença-maternidade, seja a alta hospitalar da mãe e/ou do recém-nascido, o que ocorrer por último.

Logo, de fato, podemos perceber que a decisão do Supremo visa resguardar não apenas os direitos da mãe, como também dos filhos, especialmente naqueles casos em que o parto acontece de forma prematura, ou seja, casos estes não previstos em lei, formando assim um leque de possíveis opiniões, ou quiçá, omissões de matéria de lei, que, ao serem analisados na interpretação literal dos dispositivos legais existentes, acabam subtraindo o tempo necessário de convívio entre mãe e filho.

Nas próprias palavras do relator, ministro Edson Fachin, “[…] não há previsão de extensão no caso de necessidade de internações mais longas, como ocorrem especialmente com crianças nascidas prematuramente, antes das 37 semanas de gestação”. O ministro ressalta ainda, que no primeiro ano de vida do bebê, o que determina com grande importância o seu desenvolvimento saudável, é o vínculo afetivo com a mãe.

Portanto não é tão somente o direito da mãe em si que busca ser resguardado, mas diante do que foi dito, o direito do recém-nascido, que possui amparo na Constituição e outras leis. Assim, o voto do relator deferiu a liminar, concedendo a necessidade de prorrogar o benefício, bem como considerar como termo inicial da licença-maternidade e do respectivo salário-maternidade a alta hospitalar do recém-nascido e/ou de sua mãe, o que ocorrer por último, quando o período de internação exceder as duas semanas previstas no art. 392, §2º, da CLT, e no art. 93, §3º, do Decreto n.º 3.048/99.

Portanto, sim, podemos destacar que o Supremo Tribunal Federal concedeu uma expressiva vitória às mulheres e seus filhos recém-nascidos, principalmente no que tange às dos setores privados. Esta ação é mais um passo no avanço lento e gradual dos direitos das mulheres e crianças, que ao longo dos anos, têm lutado e alcançado conquistas significativas.

[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

Artigos

Você sabe qual o PH ideal da água para consumo?

Publicado

em



Os líquidos são extremamente importantes para nós, tudo que ingerimos de bebidas e alimentos se torna a principal fonte de água necessária para transportar oxigênio e nutrientes essenciais para as células do corpo.

O volume relativamente pequeno de água na corrente sanguínea é muito importante para o funcionamento do corpo e deve ser mantido constante, por isso é recomendada a ingestão de 1.5 a 2 litros por dia para proteger-se contra a desidratação e também contra a formação de cálculos renais.

A ingestão correta de água diariamente vai proporcionar uma pele mais firme e hidratada, vai manter o intestino regulado, vai garantir a saúde dos rins, facilita a digestão e você ainda perde peso. Ainda tem dúvidas sobre os benefícios da água?

Agora, é preciso ter em mente que não é qualquer água que fará bem a sua saúde no decorrer dos anos (procure beber água filtrada, preferencialmente com filtro alcalino). É importante verificar o ph da água, ou seja, o valor de pH de uma solução pode ser estimado conhecendo-se a concentração em íons H+, um pH de 4.0 é 10 vezes mais ácido que 5.0 e 100 vezes mais ácido que 6.0 e 1.000 vezes mais ácido que 7.0.

Uma água alcalina com pH logo acima de 7.0 é 1.000 vezes mais alcalina que a água da torneira que normalmente é 4.

O melhor solvente que existe é a água, sendo que o pH é determinado através de uma escala universal graduada de 0 a 14, sendo 7 o ponto correspondente a neutralidade. Desse modo, quando a água tem um pH inferior a 7, é que é ácida, se é igual a 7, é que é neutra e se é superior a 7, é que a água é alcalina. Por isso, é importante saber que em condições de saúde o líquido intracelular e extracelular apresentam um pH que oscila entre 7,35 a 7,45, ou seja, levemente alcalino. Nosso organismo tende a alcalinidade, sendo que água saudável deve ser água alcalina.

As pessoas tendem a se alimentar e beber de forma errada e se torna difícil para reverter os efeitos de muitos anos de alimentação inadequada, pois infelizmente a maioria das pessoas não possui a determinação para suplantar seus maus hábitos alimentares.

Quando o pH do sangue está abaixo do normal, o organismo está propenso a qualquer tipo de doença, por isso sua água precisa ter o sabor de uma vida com mais saúde e disposição, cuide do seu corpo, ele é sua morada.

Conheça a linha de Filtro Alcalino de água que possuem um moderno sistema de filtragem que transforma a água da torneira em uma água ideal para o seu organismo com cinco características essenciais: Água purificada, água mineralizada, água antioxidante, água com baixa tensão superficial e água com PH alcalino.
Acesse: https://filtroalcalino.com.br
[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

Artigos

APOSENTADORIA DOS TRABALHADORES SUJEITOS A CONDIÇÕES ESPECIAIS APÓS A EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 103/2019, A DENOMINADA “REFORMA DA PREVIDÊNCIA”

Publicado

em



O benefício previdenciário conhecido como Aposentadoria Especial sofreu mudanças com o advento da Reforma Previdenciária (Emenda Constitucional nº 103/2019). A alteração mais significativa trata-se da necessidade de que o segurado, além do tempo de contribuição, deverá implementar, também, o requisito etário.

A aposentadoria especial foi concebida para proteger o trabalhador que laborou em condições consideradas prejudiciais à saúde e/ou integridade física, pelo período de 15, 20 ou 25 anos, conforme risco da atividade a que estava exposto. Pressupunha-se que em virtude disso, o segurado deveria ser inativado precocemente em relação aos demais, eis que do contrário, as condições de trabalho a que se submeteu poderiam causar-lhe sérios prejuízos à saúde, sendo este o bem jurídico maior tutelado.

Os agentes que dão ensejo ao reconhecimento da atividade em caráter especial são de natureza física, química e biológica e estão previstos, entre outros, no Anexo IV do Decreto nº 3.048/99. Importante destacar que a lista dos agentes ali presentes possui caráter exemplificativo, ou seja, é possível que o segurado tenha reconhecido como tempo especial aquele laborado em exposição a algum agente que não esteja expressamente referido no decreto. Muito embora, por ocasião do requerimento do benefício junto ao INSS seja bastante provável que haja negativa quanto ao reconhecimento da especialidade, já que os servidores da autarquia previdenciária submetem-se obrigatoriamente às disposições previstas na lei, são comuns os casos em que a especialidade do período é reconhecida na via judicial, onde há maior flexibilização e análise mais detalhada das peculiaridades do caso concreto.

Para os segurados que já eram filiados à Previdência Social, será concedida aposentadoria mediante comprovação do exercício de atividades com efetiva exposição a agentes prejudiciais durante, no mínimo, 15 , 20 ou 25 anos, conforme legislação até então vigente, cumpridos os seguintes requisitos etários: 1) 55 anos, quando se tratar de atividade especial de 15 anos de contribuição (alto risco); 2) 58 anos, quando se tratar de atividade especial de 20 anos de contribuição (médio risco); ou c) 60 anos quando se tratar de atividade especial de 25 anos de contribuição (baixo risco). Na última categoria enquadram-se a maior parte dos trabalhadores.

Importante destacar que a Emenda Constitucional traz em seu bojo o intuito de desconstitucionalizar as disposições que regem a matéria, as quais, em sua grande maioria, serão regulamentadas por lei complementar, de processo legislativo mais simples.

A reforma vetou, inclusive, a contagem de tempo ficto, ou seja, a conversão de tempo especial em comum. Tal regra, todavia, vale tão somente para aquelas atividades exercidas após a promulgação da Emenda, ocorrida em 26/11/2019.

Disso decorre a importância de consulta prévia a um profissional especializado e de confiança do segurado para ter acesso ao benefício na modalidade mais favorável.

Eduardo Pieniz Casagrande
Acadêmico do 9º semestre do curso de Direito da Unijuí

[mailpoet_form id="1"]
Continue Lendo

ENQUETE

Trending

© 2021 PORTALPLURAL.COM.BR Todos os direitos reservados.


×