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Agro

Com açudes secos, produtores precisam improvisar para dar água ao gado

Reporter Cidades

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Eduardo Ceccon deu nome às 12 vacas leiteiras criadas na propriedade dos pais, situada em uma estrada de chão a 2,5 quilômetros da RS-322, em Soledade. Fátima é a que costuma passar mais tempo matando a sede no açude aos fundos da casa da família, no município do norte do Estado.

Na semana passada, às vésperas de a propriedade completar 28 dias seguidos sem um pingo de chuva, Fátima e as companheiras tiveram de abandonar o hábito. O nível do açude recuou um metro, abrindo uma prainha de terra vermelha e produzindo uma água barrenta.

Ceccon teve de improvisar. Puxou água de um poço artesiano e distribuiu o líquido límpido aos animais em uma mangueira.

— Estava apodrecendo a água. E, ainda assim, preferem a barrenta do que a limpa — queixa-se o produtor de 25 anos.

Em Soledade, município que assinou decreto de emergência na última sexta-feira (10), a estiagem já impacta a bacia leiteira. Pelos cálculos da Defesa Civil, responsável pela elaboração do documento, houve queda de 30% da produção do alimento.

Mesmo zelando pelo seu rebanho, Ceccon tem tirado menos leite do que o habitual. A produção de cada cabeça deveria estar em torno de 25 litros, mas apenas 15 tem saído da ordenha diária, entregue à Cooperativa de Produtores de Leite de Tio Hugo (Coprolat). A principal causa está na má qualidade do pasto – no lugar dos 40 centímetros de verde normais para a época, há um carpete seco e pedregoso.

O produtor também acumula perdas no rebanho de corte, formado por 50 cabeças das raças gir, angus e girolando. Em vez de engordarem enquanto pisoteiam os 10 hectares da propriedade para irem à venda em frigoríficos da região, os animais têm perdido peso e, consequentemente, valor.

— Ainda não parei para fazer a conta do prejuízo. Isso desanima — diz o produtor.

Para a família Ceccon, ainda há danos na agricultura. As plantas de milho estão miúdos, meio metro abaixo da altura esperada. O mesmo fenômeno abateu a soja, espalhada em quase cem hectares da propriedade.

— Agora, já era para estar assim, ó — mostra o produtor, apontando para a altura da cintura diante de uma lavoura que mal atinge seus joelhos.

No fim de semana, Soledade ainda enfrentou desabastecimento na zona urbana, até então, imune à estiagem. Por 24 horas, houve corte de água potável em razão ao recuo do Rio Espraiado. Na área rural, a queima de bombas de poços artesianos também seca torneiras, de acordo com a coordenadora da Defesa Civil do município, Aline Maciel.

— Neste momento, o milho é a cultura mais afetada, porque demanda mais água do solo e está em período reprodutivo — afirma o engenheiro agrônomo Roger Moraes, do escritório municipal da Emater.

Para aplacar a estiagem, a prefeitura tem levado água em caminhões-pipa para comunidades do interior, além de abrir bebedouros para animais. Em pontos isolados, foram registrados focos de incêndio em vegetação e lavouras.

– Temos 40 comunidades para atender e apenas um caminhão-pipa. Está bem complicada a situação – resume o secretário municipal da Agricultura, Juarez Moraes.

Gaúcha/ZH – Foto Isadora Neumann / Agencia RBS

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Agro

Plantio de soja é finalizado no Rio Grande do Sul

Reporter Global

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Mesmo esparsas e em baixos volumes, precipitações auxiliaram na evolução dos cultivos de soja Foto: Marcela Buzatto/Emater/RS-Ascar

 

 

O plantio da soja no Rio Grande do Sul foi concluído nesta semana. As chuvas, apesar de esparsas e em baixos volumes, têm contribuído para a evolução dos cultivos.

 

 

De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado na quinta-feira (14) pela Gerência de Planejamento da Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, 69% da área cultivada está em germinação/desenvolvimento vegetativo; 24% em floração; e 7% em enchimento de grãos.

As precipitações no Estado têm contribuído para o desenvolvimento dos cultivos nos municípios produtores de milho e para o avanço no plantio do segundo cultivo. Nas áreas onde não tem chovido, há registro de prejuízos e perdas. O plantio do milho também se encaminha para o final, atingindo 96% da área total estimada; 15% da cultura já está colhida; 24% em fase de maturação; 24% em enchimento de grãos; 16% em floração e 21% em germinação e desenvolvimento vegetativo.

A predominância de tempo firme, com elevadas temperaturas e dias ensolarados, e a disponibilidade de água via irrigação contribuem para o desenvolvimento do arroz. No entanto, a ocorrência de chuvas esparsas e de baixo volume no Estado tem acarretado menor capacidade de recarga dos níveis de água dos mananciais. A cultura encontra-se 73% em germinação e desenvolvimento vegetativo; 21% em floração e 6% em enchimento de grãos.

 

 

FONTE: O Sul

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Agro

Produção agropecuária de 2020 alcança R$ 871 bilhões

Reporter Global

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É a maior da série histórica desde 1989. Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux

 

 

O VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) de 2020 alcançou R$ 871,3 bilhões, tornando-se o maior da série histórica desde 1989.

 

 

O crescimento real foi de 17%. O segundo melhor resultado ocorreu em 2015, com R$ 759,6 bilhões. Os dados já incluem as estatísticas de dezembro do ano passado.

As lavouras tiveram faturamento de R$ 580,5 bilhões, alta de 22,2%, e a pecuária, de R$ 290,8 bilhões, incremento de 7,9%. De acordo com nota técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, os produtos que mais contribuíram para o resultado foram o milho, com crescimento real de 26,2%, a soja, com 42,8%, a carne bovina, com 15,6%, e a carne suína, com 23,7%.

O faturamento da soja, do milho e da carne bovina foi de R$ 243,7 bilhões, R$ 99,5 bilhões e R$ 126,3 bilhões, respectivamente. Destaca-se ainda a contribuição positiva da produção de ovos em 2020.

Segundo a pasta, as variáveis determinantes para os resultados estão relacionadas aos preços dos produtos no mercado interno, às exportações favoráveis para grãos e carnes e à produção da safra de 2020.

 

 

Produção

As primeiras estimativas para 2021 indicam crescimento do VBP de 10,1% (R$ 959 bilhões). Os principais destaques são arroz (17,3%), batata inglesa (22,1%), cacau (14,7%), mandioca (10,9%), milho (17,7%) e soja (24,4%). Há ainda boas expectativas para a pecuária, em especial bovinos, suínos, frangos e leite.

O ranking dos principais produtos em 2021 aponta para a soja, o milho, café e algodão, responsáveis por 82,6% do faturamento esperado para as lavouras.

Na pecuária, bovinos, frangos e leite devem liderar os resultados do VBP, com participação de 85,9% no faturamento.

A lista dos Estados campeões na agropecuária deve permanecer com Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

 

 

VBP

O Valor Bruto da Produção Agropecuária mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. É calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, dos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil.

O valor real da produção, descontada a inflação, é obtido pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) da Fundação Getulio Vargas. A periodicidade é mensal, com atualização e divulgação até o dia 15 de cada mês.

 

 

 

FONTE: O Sul

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Agro

Abacaxi tem boas expectativas para esta safra

Pável Bauken

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Terra de Areia tornou-se um referencial na produção de abacaxi no Rio Grande do Sul em razão de 95% da produção estadual ser proveniente do município. O abacaxi pérola já é conhecido no Estado como “abacaxi de Terra de Areia”, apesar de outros locais também terem o cultivo desta variedade. O diferencial é o sabor muito doce e isto acontece em função da fruta ser colhida madura, na hora certa, afirma o extensionista da Emater/RS-Ascar em Terra de Areia, Wolnei Fenner, diferentemente do que acontece com abacaxis que vêm de outros estados e que foram colhidos mais verdes em função da logística.

Neste ano, o clima está contribuindo e o calor está fazendo com que o fruto seja de excelente qualidade. Por isto, a expectativa é que sejam colhidas 6,5 mil toneladas de abacaxis, o que gera uma receita considerável ao município, em torno de R$ 9 milhões por ano. “É uma fruta economicamente significativa para nós”, salienta Fenner.

Em Terra de Areia, 330 hectares são cultivados com o abacaxi pérola e cerca de 130 famílias são envolvidas diretamente. De acordo com o extensionista, o cultivo tem muita potencialidade para a região já que ela possui um microclima diferenciado e o cultivo tornou-se uma tradição, pois há muitos anos o pessoal cultiva e tem habilidade para isto.

A Emater/RS-Ascar, vinculada à secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), tem contribuído para trazer inovações para que os produtores consigam melhorar os resultados tanto em quantidade quanto em qualidade e também para que o trabalho seja menos oneroso. “Temos incentivado novas técnicas e tecnologias e o uso de equipamentos para tornar o trabalho mais leve para o agricultor e sua família”, ressalta.

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