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Colheita de grãos de verão no RS se aproxima do final – Portal Plural
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Agro

Colheita de grãos de verão no RS se aproxima do final

Pável Bauken

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Foto crédito: Deise Froelich, da Emater/RS-Ascar na região de Santa Rosa


A predominância do tempo seco no Rio Grande do Sul permitiu o avanço das atividades de colheita dos grãos de verão. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (07/05), em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), as solicitações de vistorias de Proagro nas lavouras que utilizam a política de crédito rural seguem em todas as regiões do Estado. No caso da soja, cuja colheita atinge 95% no RS, até esta quarta-feira (06/05) foram realizadas 9.495 vistorias de Proagro. Já as solicitações de vistorias nas demais culturas e em hortigranjeiros totalizam 16.453. Os números vêm sendo contabilizados desde 01 de dezembro de 2019.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, o cultivo da soja está em final de colheita e a produção regional teve redução devido aos danos provocados pela estiagem. Atualmente a expressiva comercialização da produção é impulsionada pela alta no mercado. Uma modalidade que vem sendo bastante utilizada é da entrega futura, com cotação de preço acima de R$ 90,00/sc. de 60 quilos. Na região de Santa Rosa, onde 96% das áreas de soja estão colhidas, a produtividade tem se mantido em 1.926 quilos por hectare, refletindo a perda média de 41% em relação à inicial. Com o rendimento abaixo das expectativas iniciais, os produtores buscaram o amparo do Proagro nas lavouras financiadas. Durante as vistorias, são observadas plantas com grãos pequenos e chochos. Em áreas de segundo plantio, o prolongamento do estresse hídrico tem ocasionado baixo desenvolvimento das plantas, abortamento de flores e vagens e malformação de grãos.

No milho, a colheita no Estado chegou a 88% das áreas cultivadas. Na regional de Santa Rosa, 87% das lavouras já foram colhidas e a produtividade é de 7.060 quilos por hectare, com perda de 11% em relação à produtividade inicial devido à falta de chuvas nos períodos em que as lavouras mais precisam de umidade. Na de Frederico Westphalen, onde 97% das áreas cultivadas foram colhidas, o rendimento médio é de 6.840 quilos por hectare. A perda na produtividade se consolidou em 21% na região; produtores também solicitam cobertura de Proagro.

Milho silagem – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, muitas das áreas destinadas à colheita de milho grão foram aproveitadas para elaboração de silagem, de qualidade inferior e com rendimentos bastante baixos. As produtividades estão entre seis e nove mil quilos. Em São Lourenço do Sul, com 6.500 hectares destinados para confecção de silagem, o rendimento alcançou 8.750 quilos por hectare de massa verde ensilada. A perda tem sido dupla, no rendimento e na qualidade, o que impactará na produção leiteira e no ganho de peso dos animais.

A colheita do arroz já chega a 97% no Estado, com a permanência do tempo seco colaborado para a realização de atividades ininterruptas. Por outro lado, a falta de chuvas tem agravado a reposição dos mananciais, fator limitante para planejar as áreas de plantio no RS para a próxima safra.

No Feijão 2ª safra, a regional de Frederico Westphalen contabiliza 25% das lavouras colhidas, estando ainda 5% em floração, 25% em enchimento de grãos e 45% em maturação. A continuidade dos efeitos da estiagem tem acarretado perdas de 38,5% em relação ao rendimento inicial de 1.800 quilos por hectare. As lavouras apresentam desenvolvimento vegetativo abaixo do padrão de outras safras e há dificuldades de realizar o controle de pragas e doenças.

OLERÍCOLAS – Na região da Emater/RS-Ascar de Pelotas, a atividade segue com problemas devido à falta de água nos reservatórios e açudes utilizados para irrigação. Como as precipitações têm sido insuficientes para recuperar os mananciais de água, os produtores racionam a água de irrigação e reduzem as áreas de semeaduras das hortaliças de outono e de inverno, o que poderá ocasionar a escassez de produtos para os próximos meses. Já na regional de Porto Alegre, a situação de estiagem dificulta o estabelecimento de novos plantios em algumas regiões, mas na região Litorânea e na encosta da Serra, a umidade do solo vem permitindo o estabelecimento das áreas de cultivo. Em relação às folhosas (alface, rúcula e brássicas), não há escassez de produto e nem descarte, apesar de que a programação de produção de mudas manteve-se 30% menor. Os preços estão um pouco acima da curva histórica, mas medianos. Observa-se que o contexto do mercado, em função da pandemia da Covid-19, está estabilizado nos fatores de oferta e procura. A procura por produtos vegetais vem sendo restabelecida, o varejo volta a acessar a Ceasa, e as feiras aos poucos voltam à atividade.

PASTAGENS E CRIAÇÕES

Nas diversas regiões do Estado, o período de vazio forrageiro outonal deste ano será bem mais severo e prolongado do que costuma ser. Em função da estiagem prolongada, houve um encurtamento do período de disponibilidade de massa verde com boas condições alimentares e nutricionais oferecidas pelos campos nativos e pastagens cultivadas de verão. Somando-se a isto, também em consequência da estiagem, as pastagens cultivadas de inverno passam por três tipos de situação: atraso na implantação, problemas de germinação e, nos casos em que germinaram, baixa taxa de crescimento e desenvolvimento. Há vários casos em que os criadores ainda não conseguiram fazer o plantio das pastagens de inverno, devido à falta de umidade no solo.

BOVINOCULTURA DE LEITE – O agravamento do vazio outonal decorrente da estiagem continua provocando queda do escore corporal e da produção, na maior parte dos rebanhos leiteiros do RS. Em virtude da escassez hídrica nos açudes e bebedouros, muitos produtores recorrem à utilização de água de poços artesianos ou da rede pública de abastecimento.

As estimativas de queda na produção leiteira relatadaspelos escritórios regionais da Emater/RS-Ascar nas respectivas áreas de abrangência foram as seguintes: Pelotas – 5 a 10%; Erechim – 20%; Frederico Westphalen – 30%; Porto Alegre– 30%;regional de Ijuí– 30%. Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, as perdas estimadas na produção de leite até o final de abril foram da ordem de seis milhões de litros; na de Santa Rosa, estima-se uma perda atual de produção diária de mais de 11.500 litros. O prejuízo com a queda na produção se torna maior para os criadores em decorrência do aumento dos custos de suplementação alimentar, utilizada em quantidades maiores que o normal durante o presente período.

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Agro

Chuvas animam produtores e contribuem para retomada dos plantios de soja

Pável Bauken

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As chuvas dos últimos dias animaram os produtores de soja, que em várias regiões realizaram plantios, mesmo sem condições adequadas de umidade. Na sequência, as chuvas ocorridas em todas as regiões contribuíram para a retomada das operações de plantio – que já atinge 61% no Rio Grande do Sul – para o desenvolvimento da cultura e também para o início das operações de tratos culturais.

De acordo com o Informativo Conjuntural produzido e divulgado pela Gerência de Planejamento, nesta quinta-feira (03/12), na região de Soledade, o  quadro geral da cultura é de normalidade. A ocorrência de chuva na última semana em grande parte da região aumenta o teor de umidade do solo e permite avanços no plantio da cultura que atinge 85% da área prevista, com 30% dos cultivos em germinação/emergência e 70% em desenvolvimento vegetativo.

As precipitações de distribuição irregular e volumes variados no Estado ocorridas durante a última semana contribuíram para amenizar o déficit hídrico ocasionado pelo longo período de tempo seco e para retomar os plantios e os tratos culturais do milho. Até esta quinta-feira (03/12), já chegam a 1.646 as comunicações de ocorrência de perdas para cobertura do Proagro.

A sequência de dias de tempo seco no RS foi interrompida por chuvas que ajudaram no desenvolvimento dos cultivos e na implantação final das lavouras de arroz, que já chega a 98%. E nas regiões de Frederico Westphalen, Porto Alegre, Soledade e Pelotas, a falta prolongada de chuvas vem comprometendo o desenvolvimento das lavouras do feijão primeira safra.

A ocorrência de chuvas com distribuição desuniforme e volumes variados no Estado não atrapalhou o avanço das colheitas de trigo, em fase de finalização, nas regiões de Bagé, Pelotas e Caxias do Sul, que ainda somam 1% restante de lavouras cultivadas no Estado a serem colhidas.

Acesse o Informativo Conjuntural em https://bit.ly/2JxNd8S

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Agro

Emater/RS-Ascar atualiza dados da Fruticultura no RS

Pável Bauken

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Foto: crédito: Deise Froelich - Emater/RS-Ascar

Uva, laranja, banana, bergamota, melancia, moranguinho. Qual sua fruta preferida? Você sabe em que época e em quais regiões são produzidas e quantos são os produtores envolvidos? Para avaliar essas entre outras informações, a Emater/RS-Ascar, em conjunto com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), concluiu o Levantamento da Fruticultura Comercial do RS – 2020. Os dados foram coletados pelas equipes municipais da Emater/RS-Ascar em contato com os produtores e outros atores envolvidos nas cadeias produtivas das frutas. Na pesquisa foram informados dados de área, produção e unidades produtivas totais para cada cultura e município, bem como a área, produção e unidades produtivas em ambiente protegido também para cada cultura e município. A abrangência se estende aos 497 municípios do Estado.

O levantamento faz referência à produção comercial no ano de 2020. Para as culturas que já foram colhidas, considerou-se a produção consolidada; enquanto que para as que ainda estão por colher, considerou-se a expectativa de produção, observando referências históricas.

“Os relatórios realizados pela Emater têm o grande objetivo da atualização”, afirma o diretor técnico Alencar Rugeri, ao explicar que, de forma periódica, a Emater/RS-Ascar realiza os levantamentos frutícola e de olerícolas, para visualizar o comportamento de cada setor. “Para nossa satisfação, esses relatórios têm nos apresentado avanços, que nos dão o indicativo de que a Emater está no caminho certo ao trabalhar com a Fruticultura e a Olericultura, na diversificação das atividades e na geração de renda das famílias produtoras”, avalia Rugeri.

PRODUÇÃO, UNIDADES PRODUTIVAS E HECTARES

De acordo com o Levantamento, 37 espécies frutícolas são cultivadas em uma área total de 135.697 hectares, envolvendo 48.811 Unidades Produtivas (UPs) e gerando uma produção de 2.285.543 toneladas. As unidades produtivas representam cerca de 13% do total de estabelecimentos rurais do Estado, caracterizando-se na maior parte dos cultivos como atividade que demanda intensa mão de obra familiar ou contratada.

Deste total, os cultivos em áreas protegidas representam 3.982 hectares, em 3.185 unidades produtivas, responsáveis pela produção de 122.676 toneladas. Dos 16 cultivos em área protegida, 3.809 hectares (95,6%) concentram-se em cinco culturas: a maçã, com 2.583 ha, a uva de mesa, com 586 ha, o morango, com 496 ha, o pêssego de mesa, com 104 ha, e o melão, com 40 ha. A área restante, de 143 hectares, distribui-se em outras 11 culturas (ameixa, caqui, pera, kiwi, uva indústria, nogueira pecã, amora-preta, framboesa, pitaia, bergamota e laranja).

As principais frutícolas produzidas no RS são uva de indústria (708.645 toneladas, produzidas por 14.275 UPs, numa área de 41.086 hectares, sendo Flores da Cunha o município maior produtor), destinada à fabricação de vinhos, sucos e outros derivados, e a maçã (499.086 ton; 740 UPs; e 16.588 ha, sendo Vacaria o maior produtor), ambas concentradas nas regiões da Serra, Campos de Cima da Serra e Nordeste do Estado.

A laranja (273.292 ton; 7.864 UPs; e 14.392 ton), cultivo estimulado por programas de incentivo à citricultura em anos passados, expandindo-se para além da área tradicional dos Vales do Caí e Taquari, deslocando-se para as regiões Norte e Médio e Alto Uruguai do RS, sendo Liberato Salzano o município maior produtor do Estado.

A melancia (218.229 ton; 1.375 UPs; e 11.033 ha) é cultivada em alguns polos regionais tradicionais, como na região carbonífera, mas com expansão nos últimos anos para as regiões do Vale do Rio Pardo, da Campanha e outras no Estado. O município com maior produção é Triunfo, com 39 mil toneladas anuais, devido à produtividade obtida, de 30 ton./ha, acima da média estadual. Segue-se Encruzilhada do Sul, com 35 mil toneladas, município este que apresenta a maior área do Estado, com 2.500 ha, mas com produtividade de 14 ton./ha, inferior à média estadual. São Jerônimo destaca-se pela terceira posição em área cultivada e por ser o município que envolve o maior número de unidades produtivas, 60 delas. Destacam-se pela produtividade obtida Pedro Osório, com 35,8 ton./ha, e Rosário do Sul, com 35 ton./ha.

Outra citrícola, a bergamota (160.670 ton; 4.841 UPs; e 9.790 ha) é predominante na região do Vale do Caí, em especial no município de Montenegro, mas com expansão de área em diversas regiões. Já a banana (124.004 ton; 2.681 UPs; e 10.924 ha) é cultivada de forma tradicional no Litoral Norte do RS, sendo Três Cachoeiras, Morrinhos do Sul e Mampituba os maiores produtores do RS, com produtividades próximas ou acima da média estadual. Esses seis cultivos representam 87% do volume total de 2.285.543 toneladas, da produção comercial de cultivos frutícolas do Estado.

OUTROS DESTAQUES

O pêssego de mesa (69.189 ton; 2.386 UPs; e 4.618 ha), cultivado na maior parte na região da Serra, somado ao pêssego de indústria (39.313 ton; 1.010 UPs; e 5.002 ha), concentrada na região Sul do Estado, demostram a força da Persicultura no cenário da Fruticultura estadual.

O RS apresenta ainda, como grandes produções, a uva de mesa (51.917 ton; 2.589 UPs; e 3.102 ha), o caqui (28.522 ton; 1.162 UPs; e 1.970 ha), o morango (26.650 ton; 2.467 UPs; e 552 ha), o limão (13.995 ton; 763 UPs; e 783 ha) e o melão (9.451 ton; 905 UPs; e 775 ha).

Destaque também para a cultura da Nogueira Pecã (2.226 ton; 1.408 UPs; e 5.720 ha), cultivada em diversas regiões do RS, com maior expressão nas regiões Central, Centro Sul, Vale do Rio Pardo e Vale do Taquari. A produtividade média de 0,4 ton./ha ainda é baixa no Estado, em função da precocidade da maioria dos pomares. Cachoeira do Sul destaca-se como o maior produtor, apresentando também a maior área de plantio. O destaque em número de unidades produtivas é o município de Anta Gorda, com 294.

É considerada emergente no Estado a cultura da Oliveira (2.114 ton; 210 UPs; e 4.431 ha), cultivada nas regiões Centro Sul, Central, Campanha e Fronteira Oeste. A produção e a produtividade média de 0,5 ton./ha ainda são pequenas devido à precocidade da maioria dos pomares. Destacam-se com maior área plantada no Estado os municípios de Canguçu e Pinheiro Machado, seguindo-se Cachoeira do Sul, Bagé, Santana do Livramento, Sentinela do Sul, Caçapava do Sul, Candiota, São Sepé e Dom Feliciano, todos com área de cem hectares ou mais.

O Levantamento considera ainda as culturas do limão (783 ha), melão (775 ha), morango (552 ha), do abacaxi (387 ha), do maracujá (283 ha), da goiaba (218 ha), da amora preta (253 ha), da pitaia (110 ha), do abacate (68 ha) e do mirtilo (66 ha), da framboesa (22 ha) e da manga (23 ha) como frutícolas diversificadas e emergentes na produção e no mercado gaúcho.

 

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Agro

Gigantes da pecuária do Brasil compram gado direto de fazendas ilegais, diz investigação de ONG

Reporter Global

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A investigação aponta que a JBS comprou gado diretamente de 327 fazendas nas quais ocorreu desmatamento ilegal no período considerado

 

Uma investigação da ONG britânica Global Witness afirma que JBS, Marfrig e Minerva, os maiores frigoríficos brasileiros e entre os principais do mundo, têm comprado gado ao menos nos últimos três anos de fazendas com desmatamento ilegal no Pará. A reportagem teve acesso à investigação, que durou cerca de um ano.

Os frigoríficos negaram irregularidades à Global Witness.

Junto à entidade brasileira Imazon, a ONG diz ter tido acesso a todas as guias de trânsito animal das empresas em questão de 2017 a 2019 no estado do Pará. Esse documento é necessário para que o gado seja transportado entre fazendas e delas para o abatedouro. Geralmente, os frigoríficos verificam se há irregularidades ambientais ou sociais na fazenda da qual recebem diretamente o gado.

Com as guias em mãos, foi possível verificar por quais fazendas o gado comprado pelos frigoríficos passou. As entidades, então, cruzaram as informações dos guias de transporte com o desmatamento ilegal registrado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e com autorizações de derrubada da mata –cada propriedade amazônica pode desmatar até 20% de sua área, se tiver aval para isso.

Após o cruzamento de dados, os investigadores verificaram os desmatamentos ilegais ocorridos nas fazendas que fizeram parte da cadeia dos maiores frigoríficos do país nos últimos anos.

A investigação aponta que a JBS comprou gado diretamente de 327 fazendas nas quais ocorreu desmatamento ilegal no período considerado. A Marfrig comprou de 89 e a Minerva de 16.

Com base nesses dados, a ONG afirma ter detectado mais de 17 mil hectares de desmatamento em fazendas que fornecem diretamente gado para essas empresas. Levando-se em conta os fornecedores indiretos, seriam mais de 116 mil hectares.

“Isso é apenas em um estado da Amazônia. Se esse tipo de investigação fosse replicada na Amazônia inteira e no cerrado, seria esperado que as empresas de carne bovina tivessem ligações com o desmatamento muito piores”, afirma Chris Moye, pesquisador-sênior da Amazônia da Global Witness.

Considerando fornecedores diretos e indiretos, a JBS responde pela maior parte do desmatamento detectado, segundo os dados analisados pelo Imazon e pela ONG britânica.

“As empresas de carne bovina concordaram em monitorar os fornecedores indiretos há quase uma década, mas só agora estão começando a fazer algo a respeito disso. Mesmo assim, estão atrasando o cumprimento total por mais quatro ou cinco anos”, diz Moye.

Um dos locais analisados pela investigação foi São Félix do Xingu, lar do maior rebanho bovino do país. Segundo os dados cruzados pelo Imazon, de 2017 a 2019 a JBS comprou gado de 109 fazendas no município nas quais ocorreu desmate ilegal.

Uma delas foi a fazenda El Shadai. A análise mostra que, nos anos considerados, a JBS adquiriu 1.526 bois da fazenda em questão. Enquanto isso, o Imazon detectou 44 hectares de desmate ilegal de 2015 a 2016 e, em 2017, o Ibama embargou a fazenda pelo desmate de 112 hectares.

A Marfrig tem pelo menos um exemplo de compra de gado proveniente de área com desmate ilegal recente em São Félix do Xingu. Trata-se da fazenda MD, na qual houve desmatamento ilegal e embargo do Ibama. Mesmo após o embargo, a empresa voltou a comercializar gado da fazenda em questão, aponta o relatório.

O documento também cita possível contaminação da cadeia produtiva da Marfrig por gado criado na terra indígena Apyterewa, o que é ilegal. Os bois posteriormente seriam levados para a fazenda Serra de Pedra, em uma espécie de lavagem de gado, que fornece para a Marfrig.

Já no caso da Minerva Foods, a relação com o desmatamento ilegal é exemplificada pelas compras diretas da fazenda São Vicente, onde foram registrados 170 hectares de desmatamento não autorizado. Além disso, essa fazenda foi abastecida de 2016 a 2019 por ao menos dez outras propriedades com 264 hectares de desmate –duas das fazendas com embargos do Ibama, segundo a investigação.

As principais empresas de gado brasileiras têm compromissos de não comprar animais de fazendas envolvidas em crimes ambientais ou com trabalho escravo. No entanto, elas não conseguem garantir que isso é cumprido à risca, porque não mantêm rastreamento de toda a cadeia produtiva, do nascimento do bezerro até a vida adulta do animal. O rastreio se concentra, de forma geral, na última fazenda pela qual o gado passa antes de ir para o abate.

O Ministério Público Federal já afirmou que as empresas da área não têm como garantir que a carne que vendem não esteja “contaminada” com crimes.

Não é a primeira vez que as empresas em questão são relacionadas a desmatamento ilegal na Amazônia. Uma investigação recente da ONG Greenpeace no Pará também encontrou ilegalidades ambientais na cadeia de produção da JBS e da Marfrig.

Com a apresentação dos dados de desmatamento ilegal, a investigação da Global Witness afirma que houve falhas nos processos de auditoria contratados –a ONG cita especificamente a empresa norueguesa DNV-GL e a americana Grant Thornton– para verificar o cumprimento dos compromissos das empresas.

Por fim, o relatório aponta também para a responsabilização de instituições econômicas que financiam as empresas citadas. Algumas instituições financeiras já começaram a agir devido a preocupação da contaminação por desmatamento. Recentemente, a Nordea Asset Management excluiu ações do JBS de seus fundos, e analistas do banco HSBC alertaram seus investidores para a falta de solução da empresa para monitorar a cadeia.

 

OUTRO LADO

A JBS, em resposta à Global Witness, afirmou que parte das compras de gado de fazendas com desmate ilegal ocorreu em momentos em que as propriedades estavam em vias de se adequar ao Código Florestal de 2012, afirmação que não parece encontrar respaldo nos regramentos da área. Outra parte do desmatamento detectado pela ONG teria sido inferior a 6,25 hectares por fazenda, o que é tido como o passível de detecção pelo Inpe.

A JBS também afirma ter identificado, entre as fazendas apresentadas pela Global Witness, diferenças entre o mapa que monitora e o que foi apresentado pela ONG. Em outros casos, a empresa diz não ter efetuado as compras registradas nas guias de trânsito.

A empresa diz ainda que as compras precederam os ilícitos ambientais ou embargos do Ibama.

À reportagem a JBS afirma que “não comprou gado de fazendas embargadas por irregularidades ambientais ou em desacordo com o protocolo” do MPF.

O frigorífico, porém, confirmou à reportagem que a fazenda El Shadai apontada pela investigação fazia parte de seus fornecedores, mas que não constava na lista de embargos do Ibama. A empresa aponta que o embargo só foi detectado após consulta pelo CPF do proprietário.

A empresa diz que a fazenda foi imediatamente bloqueada pela JBS. “Tal caso não é comum, por isso a JBS vai comunicar ao Ibama sobre a ocorrência. A sua identificação colaborou com a evolução do sistema de monitoramento da Companhia”, afirma, complementando que a lista de embargos é o documento oficial para verificação de fazendas e que, por isso, “a JBS não desrespeitou as normas do MPF”.

A Marfrig afirmou que cerca de metade das fazendas apontadas como irregulares pela fiscalização tinha desmatamento anterior à data limite dos compromissos da empresa. Disse também que outras parcelas das fazendas tiveram desmatamentos após a compra ou áreas desmatadas inferiores a 6,25 hectares ou mesmo identificações errôneas de desmatamento pelo Inpe. Por fim, em cinco casos a empresa disse não ter encontrado em seu sistema as fazendas apontadas pela Global Witness.

À reportagem a Marfrig afirmou que “não foi identificado qualquer abate irregular, o que significa que eles estavam em conformidade com os critérios sociais e ambientais adotados pela Marfrig nas datas desses abates”. A empresa também ressaltou o novo protocolo para compra de gado assinado por ela e outros frigoríficos junto ao MPF neste ano.
Questionada sobre a fazenda MD, a Marfrig afirma que “não abate animais de nenhuma fazenda com embargo pelo Ibama”. “Isso aplica-se também a fazenda MD, em São Félix do Xingu, a qual não consta mais na lista de fornecedores da empresa”.

Por fim, a Minerva afirmou que seis fazendas citadas pela ONG tinham desmatamento anterior ao marco temporal previsto no Código Florestal, que quatro foram bloqueadas como fornecedoras e que duas das fazendas tinham tido desmatamento erroneamente identificado pelo Inpe. Outra das fazendas teria desmate inferior a 6,25 hectares. Segundo a empresa, há ainda uma fazenda com limites territoriais sobrepostos, o que dificultaria o monitoramento. Nos dois casos restantes, a empresa diz não ter compras registradas.

À reportagem a Minerva afirmou estar confiante “nos resultados de nossa ferramenta de monitoramento geográfico” e que “é pioneira em ações concretas para o monitoramento dos fornecedores indiretos”.

 

 

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