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Antes do caos – Portal Plural
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Paulo Schultz

Antes do caos

Paulo Schultz

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em



Há milhões de desempregados em condição de sofrimento.
Há milhões de trabalhadores na informalidade, vivendo de bico, se virando, em condição de insuficiência de ganhos,e, portanto, em sofrimento.
Há milhões em condição de miserabilidade, passando fome diariamente, e, em sofrimento.

Há milhões esperando e se amontoando por um auxílio de 600 reais,o qual, embora insuficiente, é uma garantia de subsistência por um período curto de tempo.
Há uma economia que vinha de estagnação ano passado, e que agora, com os efeitos da epidemia, tem perspectiva de desandar fortemente.
Há um setor científico da sociedade brasileira sendo afrontado, negado,e, por vezes, agredido, por uma horda de lunáticos e imbecis, guiados por seu líder tosco e ignorante.
Há o setor cultural e artístico do país sendo desqualificado e ofendido por conta de uma onda fundamentalista.

Há um combate odioso à educação pública brasileira, notadamente à educação de nível superior, vindo dos mesmos setores fundamentalistas, e que são movidos pelo combate paranóico do “marxismo cultural”, instigado pelo guru insano Olavo de Carvalho.

Há agressividade e intolerância crescentes se entranhando no cotidiano do país, exercidas pela horda de bolsonaristas fiéis.

Há os pilares da República Brasileira sendo diariamente, aos poucos, e de forma insidiosa, corroídos.
São confrontados o poder legislativo, o STF, a autonomia da Polícia Federal, os direitos e garantias das minorias, entre outras violações.

Há milhares de pessoas mortas no país, por conta de uma epidemia negligenciada pelo próprio presidente do país.

Tudo isso posto numa perspectiva de menos de um ano e meio de tempo do governo Bolsonaro.

Estamos em um processo de destruição contínua e agressiva, que mira jogar o país em um sistema de anarcocapitalismo, onde o estado se ausenta de tudo, e não é a iniciativa privada que ocupa o lugar, mas sim as milícias, o universo fundamentalista evangélico e a elite econômica e social do país.

Tudo isso regado pela intenção de estabelecer o uso indiscriminado e liberado de armas, a ausência de legislação protetiva de direitos básicos, e contando com a complacência do poder público.

Essa é a sociedade que Bolsonaro quer construir.

Uma espécie de sociedade bizarra e selvagem, algo semelhante ao que se vê no filme Mad Max.

A cada dia Bolsonaro avança mais um pouco, testando os limites da resistência e reação da sociedade.
A cada ausência de um confronto mais forte contra ele, Bolsonaro estabelece um marco a mais de terreno ganho para o seu projeto de anarcosociedade.

Nessa sequência do tempo e das ações, os crimes comuns e os de responsabilidade, cometidos por Bolsonaro, se avolumam.

E há um misto de perplexidade, complacência e inoperância contra essa investida crescente.

‼️ Só que agora já deu

É preciso romper a perplexidade, a complacência e a inoperância.

Fazer parar todo esse processo de destruição da civilidade, do país, da República é prá ontem.

Todos os partidos de esquerda, todas as forças progressistas, todos os movimentos, todas as centrais sindicais, todos os setores da sociedade comprometidos com um patamar mínimo aceitável de democracia, de organização social e de humanidade.- todas estas forças, portanto, tem obrigação histórica de fazer parar isso já.

É preciso colocar de lado qualquer tipo de conta ou de conveniência política.

Até porque, se esse processo destrutivo e instaurador do caos continuar, a conta e a conveniência políticas podem não servir para absolutamente nada mais, em um futuro ali na frente.

‼️Fora Bolsonaro.
Por impedimento ou por outra via legal.

Uma ação vigorosa, combinada com a inserção militante das forças comprometidas com o país, e com a maioria da população, para terminar com essa condição nefasta instalada no país.

Se não se pode ocupar as ruas, por conta da epidemia, que se ocupe as redes.

Para ganhar a consciência da maioria para a urgência deste movimento.
Necessário para a vida das pessoas e para o país.

Chega de enfrentamento lateral.
Agora é partir política e socialmente para cima do bolsonarismo.

Com firmeza.

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Paulo Schultz

Voltam os atores principais

Paulo Schultz

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O retrato político do país, mesmo sem os resultados do 2o turno, é claro.

Volta a se postar no cenário a dualidade centro -direita x esquerda.

Numericamente a centro-direita levou vantagem, mas o conjunto da esquerda, teve no primeiro turno, e terá no segundo, vitórias encorpadas e importantes.

Há o vigor obtido pelo PSOL, a resiliência forte do PT, e a presença sempre importante do PC do B e outros da esquerda do país.

Há que se considerar também o germinar de novos quadros dentro da esquerda, candidaturas vitoriosas vindas da periferia, das minorias, da juventude, das mulheres.

Do lado da centro-direita, que parece ter retomado o espaço político perdido em 2018, vemos a emergência numérica de velhos partidos de direita clássica (PP, Dem) e do fisiológico centrão.

Um misto de raposas antigas, com filhotes novos da mesma espécie.

Este cenário posto remete à uma conclusão:
Sai da cena principal a extrema-direita, o bolsonarismo.

Que saiu minguadíssimo das urnas, o que aponta para o retorno ao seu tamanho de gueto.

Dada esta condição, somada a inaptidão e falta de habilidade para governar e dar conta da complexidade econômica e social do país, bem como a crise que se projeta para 2021, temos um indicativo que o fenômeno bizarro e destrutivo chamado Bolsonaro será uma andorinha de um verão só.
Para o bem da nação, afirmo.

Evidentemente trata-se de um indicativo.
Mas é o rumo apontado pelos resultados.

Aquele que sempre foi coadjuvante, e por uma circunstância infeliz foi alçado ao cenário principal, deve voltar ao seu papel de figurante.

E voltam os atores principais.

Primeiro, voltam dentro da realidade dos municípios, nas disputas locais de políticas públicas e na implementação de linhas ideológicas de governo bem distintas.

Segundo, se aponta para uma disputa, no horizonte, de projeto de país.

De um lado, subserviência ao poder econômico e ao capital, e migalhas conformadoras para o aspecto social.

De outro, um projeto de país soberano, com forte indução de crescimento social e construção de cidadania.

Foi o quadro que se firmou no cenário do país nas últimas décadas, não de maneira artificial, mas de maneira enraizada, social e politicamente.

Cenário apontado, atores principais a postos.

Vamos ao embate, que começa no plano local e desemboca no nacional.

Parece que a vida real da política do país está retornando.

Com direito à elencos parcialmente renovados, mesclados aos mais experientes.

Ao trabalho, cada qual com suas perspectivas.

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Paulo Schultz

A novidade é o velho voltando

Paulo Schultz

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A velha direita clássica representada no PP, no Dem, e os partidos do pragmático “centrão” foram os grandes vencedores das eleições municipais esse ano no Brasil.

O mapa das votações dos partidos, das prefeituras conquistadas, do número de cadeiras conquistadas em câmaras de Vereadores, aponta claramente isso.

O bolsonarismo minguou.
Parece ter voltado ao seu tamanho de gueto.
E há várias razões para isso.

Uma delas é a incapacidade de formulação de propostas e de fazer política do bolsonarismo raiz.

É notório que a quase totalidade dos bolsonaristas raiz tem um vocabulário menor do que o vocabulário de um papagaio bem treinado.

E aí fica difícil fazer política e formular propostas.
Sobre o bolsonarismo e seu resultado raquítico nessa eleição de 2020, é isso.

Por outro lado, é preciso também considerar uma retração em números da esquerda.
E aqui cabe frisar, que esta retração em números é relativa, pois há que se contar a presença da esquerda em dezenas de disputas no segundo turno, em capitais(como São Paulo) e outras cidades de porte médio e importantes do país.

Mais: se no primeiro turno houve uma retração numérica da esquerda, há também que se considerar uma importante e promissora renovação de quadros, a partir da eleição de muitas figuras políticas novas da esquerda, com muita força para a eleição de muitos candidatos e candidatas vindos das periferias, além de oriundos de minorias.

Há um germinar dentro da esquerda, como um todo.
O que, de forma simbólica e na prática, significa fôlego, resistência, capacidade de renovação e crescimento consistente.

Como diz Lulu Santos, ” a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito”.

Ou seja, em ciclos longos ou curtos, ondas políticas de direita, de centro, de esquerda, de extrema direita, se revezam dentro da sociedade.

O país saiu de um ciclo extenso de esquerda, que terminou de maneira forçadamente interrompida, para entrar num período de transição neoliberal, e, em seguida, em um período de extrema direita, inconsequente e incapaz, que, me parece, será um período único, sem repetição.

E chegamos a este ano de 2020, com a velha direita e o velho centrão ganhando terreno dentro da sociedade brasileira.

Ainda precisa de tempo para ter todos os fatores que compuseram a vitória deste grupo político de centro-direita.

É preciso passar ainda pelo segundo turno, e é preciso, sobretudo, fazer análises locais, e ao mesmo tempo nacionais, dos fatores que levaram a este resultado político no país.

Os próximos dias e semanas, juntamente com a reflexão necessária, nos darão estas respostas.

Mas no início dessa reflexão, deve-se começar com perguntas e observações:

Por quê a maioria do eleitor brasileiro optou pela velha direita clássica, e pelo fortalecimento da força política do centrão ?

Considerando que estas forças políticas são pragmáticas e, ao mesmo tempo, aliadas, submissas e servidoras do poder econômico, e dos interesses mais espúrios e nojentos deste.

Que debilidade social e financeira, que fragilidade de consciência, levou a maioria do eleitorado brasileiro a optar por quem faz campanhas e conquista vitórias eleitorais alicerçado na coação, na pressão, na compra de voto com dimheiro vivo ou de maneira indireta, e na trapaça sob as mais variadas formas?

Que guinada fez parte majoritária da população trazer o velho de volta, como se novidade fosse?

São perguntas de fundo, são observações iniciais, que devem abrir o processo de reflexão para entender o resultado político destas eleições municipais de 2020.

O fato é que teremos, em milhares de municípios e de câmaras de vereadores, pelo país afora, a velha maneira da velha direita e do velho centrão predominando.

E o resultado disso, para a grande maioria da população, não será bom, inevitavelmente.

Quando um ciclo novo vem, trazendo o velho de volta, temos uma espécie de retorno de algo que nunca colocou o país em um bom rumo.

Será que vale a pena tomar remédio ruim de novo?

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Paulo Schultz

Dinheiro na mão é vendaval

Paulo Schultz

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Para quem faz campanhas eleitorais baseadas e aliadas ao poder econômico, dinheiro na mão é vendaval.

Um vendaval destrutivo e nefasto.

Porque este dinheiro, sendo utilizado para corromper e sabotar o desejo e a esperança de milhares, é como um vendaval que vem para destruir a possibilidade de um futuro digno de muita gente.

É um dinheiro cínico, porque quem o oferece sabe disso.

Sabe que está pisando em cima da dignidade de milhares de pessoas.

Sabe que está oferecendo um alívio momentâneo para as mazelas, carências e necessidades das pessoas, e ao mesmo tempo, está ceifando a possibilidade de que estas pessoas tenham cidadania e dignidade de forma duradoura nas suas vidas.

Todo período eleitoral eles aparecem: os operadores da ação pesada e fria da distribuição do dinheiro que o poder econômico dispõe para fazer impor a sua vontade e fazer maioria suficiente para que seu projeto vença.

Entram no período eleitoral de forma sorrateira, e à medida que este período avança, e se aproxima do finalmente, vão aumentando o volume, vão intensificando e apertando o cerco, avolumando recursos para garantir o seu objetivo: pisar na vontade das pessoas e impor-se.

Enfrentar esta força é uma tarefa dura, tensa, mas é a tarefa necessária.

É tarefa de quem se propõe a respeitar as pessoas, tratá-las com a humanidade e a sensibilidade de quem quer cidadania para todos.

Enfrentar essa força é querer conter com firmeza o vendaval que ela produz na mente de milhares – um vendaval imposto por cédulas de dinheiro transportadas nas mãos dos operadores desta ação disruptiva.

Que no encerramento deste período eleitoral, após esse duro embate, entre o vendaval endinheirado de quem está aliado ao poder econômico, e a força solidária dos que querem respeito e cidadania para todos, vença a força solidária, pois é ela que quer construir, afirmar a possibilidade para todos.

Ao trabalho.

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