Ah….esses tucanos – Portal Plural
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Paulo Schultz

Ah….esses tucanos

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Os tucanos do PSDB decidirão, em poucas semanas, quem, da sua segunda geração de quadros políticos, Eduardo Leite ou João Dória, será o seu candidato a presidente em 2022.

Até aí tudo normal.

Tudo dentro do direito legítimo do maior partido da direita liberal brasileira de colocar o seu candidato para disputar a eleição presidencial do ano que vem.

A questão principal não é quem dos dois será o candidato.

A questão de fundo é outra.

A segunda geração de tucanos, representada pelas figuras de Leite e Dória, guarda uma diferença em relação à geração original e primeira dos tucanos – enquanto aqueles ainda tinham uma veia social-democrata, estes tem uma linha pura neoliberal.

Tanto Dória, quanto Eduardo Leite, tem em seus discursos e suas práticas de governo uma linha mestra de aplicação pura e fria do receituário neoliberal.

E sendo assim ambos, e
considerando o quadro de ruína econômica e social – principalmente social – do país que passou por dois anos e pouco de governo de Temer, e passará por quatro anos de governo de Bolsonaro, a pergunta que se coloca de cara é: seja um ou seja outro, o que de diferente eles têm a propor para o país, especialmente para os milhões de brasileiros que tem vivido em dificuldade e carência, maior ou menor ?

O que de diferente o PSDB tem a propor, já que foi, e é, parte ativa e corresponsável do quadro de ruína econômica e social que o país vem amargando de 2016 para cá?

Corresponsável sim, porque o PSDB participou do governo de Michel Temer.

Corresponsável, porque a quase totalidade dos projetos do governo Bolsonaro teve votos favoráveis dos deputados e senadores tucanos no Congresso Nacional.

Considerando essa participação e esse grau de corresponsabilidade na situação atual do país, e o perfil dos pré-candidatos tucanos, não há nada que os tucanos tenham a propor, que já não o tenham feito, com consequências ruins para a maioria da população do país.

Tanto Dória quanto Eduardo Leite brilham seus olhos para falar de reforma administrativa, realizar privatizações de empresas públicas estratégicas, e promover ajustes fiscais, independente do sacrifício de políticas públicas de cunho social, ou de desconcentração de riqueza.

Isso é o que faz ambos atingirem o Nirvana da sua satisfação política.

Na mesma intensidade desse gosto, vem a ausência de atenção e foco de ambos, no que diz respeito ao preço dos alimentos, ao preço dos combustíveis, às altas taxas de desemprego e informalidade, às demandas da agricultura familiar, à condição de queda de investimentos na educação pública, e assim por diante.

Quer dizer o seguinte:

O que faz João Dória e Eduardo Leite virarem os olhinhos de alegria e satisfação é aquilo que agrada ao mercado financeiro e os grandes detentores do capital.

Mas aquilo que diz respeito à vida da dona Joana que mora na periferia, ao Seu José que mora na favela, ou ao seu Raimundo que tem sua terrinha no interior (onde produz alimentos, e não commodities), isso não interessa em absolutamente nada a nenhum desses pré candidatos tucanos.

Ou seja: para a dona Joana, para o seu José, e para o seu Raimundo, Dória e Leite não têm nada que lhes interesse.

Nenhum deles está interessado em ajuste fiscal, reforma administrativa ou privatizações.

O negócio deles é trabalho, comida a preço acessível na mesa, filhos podendo ter a possibilidade de estudar, botijão de gás a preço justo, programas que ajudem a produção de alimentos da agricultura familiar, etc.

E para isso, nem Leite, nem Dória, têm palavra alguma que valha mais do que a prática de seus atuais governos.

É na prática do governo do Estado do Rio Grande do Sul e do governo do Estado de São Paulo, que as populações desses estados, bem como do restante do país, podem ver nitidamente o que importa e para quem eles governam, e com que objetivos.

Querer ser terceira via, querer ser novidade, quando na verdade os tucanos apenas são uma versão mais polida e dissimulada do mesmo projeto econômico que já está acontecendo no país com Bolsonaro – isso não vende, isso não cola, caros moços tucanos.

O que vocês têm para vender não é o que a maioria da população brasileira quer comprar.

Vocês não sabem nada da vida de quem sofre, da vida de quem tem ausência, da vida de quem tem carência, da vida de quem tem sua cidadania negada.

O mundo de sapatênis onde vocês pisam é outro.

Quando vocês aprenderem alguma coisa que sirva para a maioria dos brasileiros, quem sabe vocês consigam crescer.

Por enquanto, são apenas tucanos requintados e polidos, fiéis executores daquilo que o Deus mercado quer.

De resto, da vida dura do povo vocês não sabem nada.

Já dizia Lupicínio Rodrigues….

” Esses moços…pobres moços..
Ah! Se soubessem o que eu sei..
Não amavam, não passavam,
Aquilo que eu já passei….”.

Vida que segue, tucaninhos.

Nosso caminho é outro.

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Paulo Schultz

Anatomia e trajetória de um patife

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Para começar, o cara tem uma voz horrorosa – não é à toa que recebeu o apelido de marreco.

Uma figura que não olha nos olhos das pessoas quando está conversando, e desvia o olhar para baixo e para os lados quando tem que dar uma resposta que exige sinceridade.

Possui um senso de justiça seletiva, demonstrado várias vezes, não só durante a operação lava-jato, como depois quando já era ministro de Bolsonaro.

Sim, porque durante a operação lava jato várias figuras políticas do PSDB foram pegas envolvidas em irregularidades, e nenhuma delas sofreu qualquer indício de punição por parte do então juiz.

Uma pessoa que tem uma dificuldade extrema de comunicar suas ideias, e que comete erros de português básicos que não caberiam a alguém na posição de magistrado.

Quem não lembra da sua famosa “conje”.

Tornou-se um herói da elite e de parte majoritária da classe média brasileira.

Esta última ansiosa por idolatrar heróis que pensem como eles e faça o que eles querem.

Ainda mais se compactuar com a mesma visão maniqueísta de mundo e da coisa pública – dividido simploriamente entre aqueles que roubam e aqueles que não roubam.

Mas, não se engane – era e é uma indignação seletiva, assim como seletiva era a ação do então juiz.

O seu campo de heroísmo – a operação lava jato, criada para supostamente combater a corrupção nos órgãos públicos, apresentou os seguintes resultados, conforme um estudo realizado pelo Dieese…..

– perda de 4,44 milhões de empregos de 2014 a 2017;

– perda de investimentos no país, superior a R$ 172 bilhões, principalmente da Petrobras;

– no mesmo período, a economia encolheu o equivalente a 3,6% do PIB;

– o país deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões de impostos e R$ 20,3 bilhões em contribuição sobre a folha, além de ter reduzido a massa salarial do país em R$ 85,8 bilhões.

Ou seja, a operação que tornou o ex-juiz Sérgio Moro herói da elite e parte da classe média causou estragos imensos à economia brasileira, e levou à ruína diversas empresas genuinamente nacionais, além de arrasar com toda a cadeia de produção e fornecimento constituída ao longo de décadas de duro trabalho no país e no exterior.

Para além desses números horrendos, Moro fez seu principal serviço: num processo crivado de parcialidade e nenhuma prova, Moro condenou e prendeu Lula, e o tirou da disputa presidencial de 2018.

Ou seja: tirou o favorito da disputa, e deu a condição ideal para o capitão Messias.

Moro é o responsável por termos Bolsonaro como presidente, e toda essa desgraça que temos vivido no país desde 2019.

Como prêmio, virou Ministro da Justiça de Bolsonaro.

Sonhava alto – queria ser ministro do STF.

Pulou fora do governo mais adiante, mas não abandonou o seu projeto pessoal de poder, movido por um ego altamente inflado.

Se retirou por um tempo do país.

Mas voltou para se filiar ao pequeno Podemos, e se colocar na condição de pré-candidato a presidente.

Para tentar ser a famosa terceira via, que a elite e uma parte considerável da classe média querem.

Um candidato de direita, liberal, polido e desejado, para que eles possam chamar de seu.

Já de saída, Moro recebeu tratamento especial da Rede Globo, dando entrevista a Pedro Bial.

Piscou como nunca, e mentiu como sempre.

Moro é um patife.

Um patife dissimulado.

Se de fato vier para a disputa, terá posta mais às claras essa sua condição – a de um patife, um mau caráter dissimulado de olhar escorregadio e voz de taquara rachada.

Por ter sido considerado juiz parcial e suspeito pelo STF, e por ter sido hostilizado pela horda bolsonarista ao romper com Bolsonaro, Moro possui uma rejeição enorme, somente menor que a do capitão Messias.

Mas isso não é uma barreira de todo intransponível – talvez.

Ele vai tentar – talvez não até o fim, mas até onde puder medir se o seu nome vende ou não vende.

Seu projeto e seu discurso – é o quê mesmo ?

Combate à corrupção ?
Com ele não cola.

De resto, é tão vazio quanto a última biografia que afirma gostar de ler, mas não lembra qual a última que leu.

Sim, os patifes são assim.

Cheios de ego, e vazios daquilo que importa – pelo menos para a maioria do país.

Venha para a disputa, Moro.

No chão que você quer pisar, há milhões calejados que conhecem o terreno muito melhor que você.

Mas isso é algo que você vai ter que aprender na prática.

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Paulo Schultz

Cansaço, saturação e desejo

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Passados praticamente três anos do governo bizarro e destrutivo de Bolsonaro, resta na maioria da sociedade brasileira um cansaço.

Provocado pelas dificuldades, pelas ausências, pelas carências, e, sobretudo, pela inquietude proposital, insana e provocativa de Bolsonaro e dos membros de seu governo, assim como de seus seguidores raiz.

Em uma sociedade com características tão complexas como a brasileira, e com um povo que majoritariamente não é dado a sobressaltos prá além da dificuldade que a vida naturalmente impõe, me parece natural que toda essa inquietude e tensão provocariam um cansaço e uma consequente saturação em relação ao que se tem vivido.

Falando em bom português: Bolsonaro encheu o saco.

Afora seu seguidores raiz, que precisam de Bolsonaro e suas emanações para ter razão de vida, a maioria do povo brasileiro saturou do capitão Messias.

Uma saturação que se soma à rejeição e à reprovação do governo e da própria figura de Bolsonaro.

É um alívio quando, por 3 ou 4 dias seguidos, não se tem notícia de Bolsonaro, ou não se ouve falar de alguma merda que ele tenha dito ou feito.

Bolsonaro é inconveniente como um vizinho chato ou sarna que você tolera por algum tempo, mas que depois de um período, você não consegue nem enxergar nem ouvir mais.

Bolsonaro e seu governo conseguiram criar uma espécie de sociedade do cansaço, onde as pessoas ficam inertes e apáticas por pura saturação e exaustão.

É claro, a partir do quadro criado, novos e pequenos tubarões se assanham para tentar ocupar pela direita o espaço do capitão.

E aí vem os tucanos da segunda geração – Eduardo Leite e João Dória, com suas receitas neoliberais “infalíveis”.

E, por fim, um patife dissimulado, responsável pela colocação de Bolsonaro no cargo da presidência, chamado Sérgio Moro.

Pouco provável que vinguem, pelo quadro posto.

Em que pesem a reprovação, a rejeição e a saturação de Bolsonaro, ele detém uma parcela fixa de seguidores raiz e a máquina pública federal nas mãos.

Isso não é pouca coisa.

Mas, voltando à questão do cansaço e da saturação, é algo que veio em um crescente, de forma provocada e sem volta.

A maioria da população está cansada, está exausta.

Está assustada com a dificuldade que a vida no Brasil de Bolsonaro lhes impõe.

A grande questão é transformar esse cansaço e essa saturação da maioria em um desejo de outro caminho.

Um outro caminho que já foi possível, e que pode voltar a ser.

É preciso construir esse desejo.

É preciso romper o cansaço e a apatia, e os substituir por uma gana honesta e positiva, que traga de volta a capacidade de sonhar e a possibilidade de fazer acontecer.

Mesmo exaustos, mesmo saturados, mesmo cansados, a vida segue.

E segue nos dias que ainda restam de 2021, e nos dias de 2022.

Uma tarefa coletiva e árdua, que precisa ser feita com ousadia e enfrentamento, mas também com alegria.

No dia que tivermos encerrado o tempo do espantalho da morte no poder, há de se ter uma leveza no ar.

Até lá, que vivamos e saibamos como fazer chegar esse dia.

Por cima da fumaça da destruição anarco, há um céu de novos ares.

Como diria Cazuza…”pro dia nascer feliz”.

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Paulo Schultz

Ah…. essa classe média

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Três características são os pilares que sustentam o pensamento e as ações da grande maioria da classe média brasileira: patrimonialismo, egoísmo e preconceito.

O patrimonialismo se expressa no acúmulo de bens, e sobretudo ao cuidado e valor vital extremo dado a estes.

O preconceito se expressa principalmente com as pessoas das camadas mais pobres da sociedade, tanto na forma de se referir a estas pessoas, quanto na forma de tratá-las e considerá-las.

O egoísmo se mostra em função de que a maioria da classe média se acha, e se acha porque entende ser melhor que os outros por uma questão de mérito.

Partindo destas características, compreende-se como parte considerável da classe média se movimenta…..

Majoritariamente, a classe média espera do poder público, das três esferas, basicamente duas coisas…

Se pudesse, não pagaria impostos.

Afinal, conforme a ótica dela, impostos retiram algo que ela julga ter ganho por mérito pessoal, e pode ir para corrupção ou redistribuição via programas sociais para aqueles que ela julga não merecerem ( porque, segundo sua ótica preconceituosa, não se esforçam, não produzem mérito).

E, claro, proteção do poder público ao seu patrimônio – seja ele móvel ou imóvel.

Não, ela não espera educação pública de qualidade, um SUS qualificado e capaz de atender com qualidade e resolutividade a todos indistintamente.

Isso ela prefere pagar, para ter no âmbito privado – afinal de contas, porquê se misturar com aqueles os quais ela considera e trata com preconceito ?

Ela quer não pagar – ou pagar o mínimo de impostos, e proteção patrimonial – e isso lhe basta, majoritariamente.

No campo da visão política, ela tem uma simplória linha de raciocínio – divide-se a classe política entre os que roubam e entre os que não roubam.

E aí tem algo mais paradoxal – há uma intolerância total contra qualquer suspeita de corrupção vinda de um governo da esquerda.

Mas há uma tolerância e complacência máxima contra qualquer corrupção escancarada de um governo de direita.

É uma intolerância seletiva.

Suspeitar de um deslize da esquerda é imperdoável.

Ter a certeza escancarada de uma corrupção da direita é normal, e fica tudo bem.

Afinal de contas, corrupção entre os seus, ou vinda da elite… tá tudo bem.

Aliás, boa parte da classe média brasileira cravou 17 Bolsonaro nas urnas em 2018.

E todo o horror, desprezo e espanto que ela tem com a descompostura do capitão e seu governo, duram até começar a primeira letra L do nome de Lula, ou avistar a primeira ponta da estrela do PT.

Aí tudo de ruim do capitão se apaga e o dedinho volta a cravar de novo lá na urna.

Antes uma descompostura de direita, que qualquer governo de esquerda que coloque aqueles a quem a classe média desconsidera preconceituosamente num patamar de cidadania, e de possibilidades e oportunidades.

Afinal de contas, ela – classe média – tem espaços em universidades, em aeroportos e em outros locais, que ela julga que sejam somente seus do ponto de vista de direito de frequentar e de estar.

Não cometo a estupidez da generalização.

Há setores da classe média conscientes, de uma visão distinta – de concepção de sociedade e de possibilidades.

Mas é imperativo dizer que a outra parte a quem me refiro, no quase todo desse texto, possui uma soberba, um egoísmo e uma hipocrisia quase que insuperáveis.

É preciso entender essas frações da classe média – pois ela sempre tem um peso considerável dentro da opinião pública do país, e acaba projetando, mesmo que incompreensivelmente, suas posições para dentro das camadas populares do país.

É preciso compreender as coisas com profundidade para mexer nelas.

Vida que segue

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