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Paulo Schultz

A ofensiva kamikaze de Bolsonaro

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Depois de perder parte do apoio da classe média, apavorada em casa pelo temor do corona vírus, e irada por não ver seu medo arrefecido por alguma medida eficaz do governo federal ( além de rejeitar o desdém de a epidemia ser denominada de “gripezinha”), Bolsonaro se atira em um movimento voraz e kamikaze.

Compra briga com o congresso, a grande mídia, os governadores, prefeitos, cientistas e com os profissionais da área da saúde.

É a derradeira e lancinante investida, tão insana, e ao mesmo tempo friamente pensada.

Bolsonaro tem dois objetivos, ao provocar a população a romper o isolamento social feito para conter a epidemia:

O primeiro, arregimentar, coesionar e atiçar sua base, os bolsonaristas, uma porção que compreende de 15 a 20% da população do país.
Repare que depois da sua fala em rede nacional, a sua horda fiel reagiu ensandecida, ocupando massivamente as redes sociais, como que em uma cruzada para salvar seu mito e seu projeto insano de “destruir tudo isso daí”.

A ponto de extrapolarem as redes, convocando-se a ir às ruas, fazer carreatas, e defender a volta à normalidade, e o fim do isolamento social preventivo, para não “quebrar o país” ( um argumento mentiroso, mas que eles acreditam).

Bolsonaro sabe muito bem manipular e incendiar sua base.

Ele continua lhes vendendo a tese de um complô comunista eclético, que quer impedí-lo de governar, ou destituí-lo do governo, ele, o mito que veio para combater o sistema e salvar o país.

Um complô eclético comunista, que envolve não só o PT e as esquerdas ,como também o centrão, Maia, Alcolumbre, o STF, a Globo, a Folha de são Paulo, e quem mais se opuser às ideias de Bolsonaro.

Uma doideira completa, que faz, inclusive, negar a ciência e a medicina, e dar razão à estupidez ignorante de Bolsonaro, falando como se fosse um epidemiologista reconhecido e renomado, que, além de conhecedor do assunto, se expressa de maneira chula e rasteira para ser compreendido por todos.

O segundo objetivo do Bolsonaro é ganhar adesão de uma outra fatia da sociedade, que compense a perda do apoio de parte da classe média.

Aqui, Bolsonaro joga com o medo, e aposta suas fichas e seu discurso para cima dos milhões de trabalhadores informais do país.

Um público numeroso de aproximadamente 40 milhões de brasileiros, que sobrevive do dia a dia, do bico, e que teme pela sua própria subsistência, mais do que teme o coronavirus, que, para eles, é apenas uma possibilidade de contaminação ou de morte, algo menos certo, portanto, que a fome e a miséria.

Bolsonaro joga com esse medo, e com o desconhecimento e a ignorância.

Aliás, esse é seu terreno, onde ele sempre semeou sua carreira política e suas ideias tortas e toscas.

Então , aposta em um público de milhões de pessoas que, apavoradas, vêem no isolamento social não uma proteção para si e suas famílias, mas uma ameaça à sua subsistência.

Bolsonaro sabe disso, e calibra as suas palavras meticulosamente em cima desse medo e do desconhecimento, para ganhar a adesão dessa porção da sociedade, ou de parte dela.

Ele se move em cima de uma plataforma de discurso e de ação que estimula o conflito diário, contínuo e permanente, que promova uma tempestade diária de atritos e confusões.. capaz de levar ao caos social que Bolsonaro tanto quer.

O caos social no país para, dentro dele, fazer impor sua visão e projeto de sociedade.

Nos próximos dias, Bolsonaro irá intensificar esse movimento.
Ele, sua milícia digital (que funciona a partir do tal gabinete do ódio, anexo à presidência, e comandado por uma equipe da qual seu filho Carlos é um dos expoentes), e os bolsonaristas, que agirão na disseminação da ideia do líder.

De forma obstinada, Bolsonaro vai incitar à população a ir às ruas e voltar ao trabalho.
Sabendo claramente do risco de fazer explodir os casos de contaminação e morte pela epidemia.

Mas é o que ele quer: criar o caos para em cima dele triunfar.

Se não der certo, Bolsonaro sabe que seu tempo no cargo terá chegado ao fim.

Se for assim, já tem o discurso pronto: “fui vítima do sistema, que não me deixou governar,. e me destituiu.

Ele sabe que seu público fiel comprará esse discurso, e isso garante que, mesmo fora do cargo, ele e sua família tenham um nicho numeroso de seguidores fiéis, suficientes para acompanhar-los e garantir mandatos eletivos à família por um bom período de tempo.

As próximas semanas serão intensas, e Bolsonaro irá de cabeça nesse movimento que, entre outras coisas, é absolutamente kamikaze.

Não há probabilidade de recuo.
Bolsonaro irá até o fim – vencendo, triunfa no caos, perdendo, perde o cargo, mas leva o discurso de vítima do sistema, e garante seus seguidores para o futuro político da família.

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Paulo Schultz

Coisas que enjoam

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Todo e qualquer excesso acaba por provocar uma sensação de fastio e enjôo.

Funciona assim com quase tudo na vida.

Inclusive com coisas que normalmente as pessoas gostam demais.

E se é assim com coisas que se gosta muito, muito mais será com coisas que se detesta.

Por quantas e quantas vezes temos que suportar determinadas situações que causam sofrimento ou aturar pessoas que detestamos, e as temos que aturar por uma duração de tempo que parece infinita.

O país teve que suportar, por exemplo, 21 anos de ditadura militar, e mesmo que uma parcela considerável da população a rejeitasse, tinha que aturá-la sob a força do silêncio imposto e do medo.

Pensando no agora, aquilo que ocupa o maior espaço de tempo e de atenção da mídia e das redes sociais, é algo que para a maioria causa repugnância.

Falo aqui do capitão Messias.

O excesso de exposição diária, desde o início de seu governo, de sua imagem, de suas falas, de suas atitudes grotescas, saturou.

Somente uma minoria ainda faz coro de apoio e deleite bovino.

A grande maioria dos brasileiros não suporta mais ouvir aquela voz, nem a estupidez e a bizarrice do conteúdo de suas falas, tampouco ver a imagem daquela figura trevosa.

Claro que ele é o ápice em termos do que as pessoas mais saturaram ou enjoaram hoje no país, mas tem outras tantas figuras, com menor impacto, mas também nauseantes.

Quem não torrou a paciência com previsões absolutamente furadas da Mãe Dináh dos Pampas, Osmar Terra ?

Não bastasse ser um grande vendedor de miragens , entrou em uma linha sem volta de agradar a horda bolsonarista, a fim de captar um novo nicho de mercado eleitoral.

O problema é que nessa movimentação toda, junto com as posições políticas histriônicas , vieram as previsões invariavelmente furadas.

Em sequência pandêmica, e com convicção.

Deu náusea.

E assim vamos.

Dia sim, outro também.

Nos saturando de ter que suportar um tempo de imbecilidades e bizarrices, onde ser assim é motivo de orgulho, com direito à pose para as redes.

É o tempo.

Mas ele passa.
Vai passar.

De resto, resistimos.

Como diz o humorista André Damasceno:
“Não me faz te pegar nojo”.

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Paulo Schultz

Se empanturrando de palavras, ódio e vento

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Objetivamente falando – essa horda imbecilizada que segue e se identifica como bolsonarista – se alimenta de palavras, ódio e vento. Somente.

Há um governo que não produz quase nada de concreto em termos de políticas públicas construtivas.

Que se ocupa diariamente com a compulsão por mentir, deturpar, provocar conflito, atrito e caos.

Um governo que tem com mola propulsora a intenção de destruir e uma pulsão doentia por promover a morte, em todos os sentidos.

E é disso, exatamente disso, que essa horda toda se alimenta e se empanturra.

Tal qual filhotes de passarinho no ninho, que esperam diariamente a ave mãe lhes colocar alimento dentro do bico, a horda espera pelo seu alimento diário, vindo do seu mito – palavras e ações destrutivas para empanturrar suas mentes simplórias e/ou tortas.

Não há índice social positivo, não há índice econômico com resultado positivo, exceto para alguns poucos segmentos.

Não há política pública, que não seja aquelas contaminadas por um viés torto e insano.

Nada disso importa para essa gente.

Nem mesmo se, para uma parcela dessa horda, a vida ficou pior, ficou mais dura, nem essa realidade suplanta a sua fixação em alimentar suas mentes e vidas com o nada.

Porque, no final de toda essa torrente de morte e destruição, de todo esse ideário torto e destrutivo, não há nada.

É como uma seita doentia que se ocupa dela mesma.

Com que facilidade o bolsonarismo manipula e movimenta mentes simplórias.

Independente de classe social e de nível de estudo.

Tirando uma pequena parcela, que talvez (talvez) tenha consciência, todo o restante dessa horda não tem clareza, nem perspectiva de nada.

Só a perspectiva de, no dia seguinte, receber mais um tanto de informações deturpadas, e de palavras, que imbecilizam mais, entorpecem mais, e fomentam mais ódio e mais ignorância.

Nessa narrativa, tudo que se combate diariamente é aquilo que supostamente é contrário às palavras e ações do líder da “seita”.

“Ele só não faz mais, porque não o deixam”. – é o mantra.

Agora, cá entre nós…

Não tem conserto isso, não.

Ainda bem que é um segmento minoritário da sociedade brasileira, embora ruidoso e amedrontador.

Vai dar trabalho para colocá -los de volta de ontem não deveriam ter saído.

Mas o tempo de convivência não- pacífica com essa gente, nos ensinou muita coisa.

E a primeira delas é como não se deve ser.

Porque nenhum ser humano razoavelmente são, mentalmente falando, há de ser realizar alimentando-se somente de palavras, de ódio e, ao final de tudo, literalmente de vento.

E um vento destrutivo, apenas.

Passaremos por eles, e por esse tempo.

Mas será com muita dureza.

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Paulo Schultz

Sirvam nossas façanhas: nosso baixo clero é de cair os butiás do bolso

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A direita e a centro-direita gaúcha nunca foram um primor no sentido de oferecer quadros de qualidade para o parlamento gaúcho.

Mas suas bancadas atuais na Assembléia Legislativa superam, com louvor e horror, as anteriores, em termos de falta de qualidade.

Sem mencionar nomes, até para não ser injusto esquecendo alguém, a quantidade absurda de cabeças de bagre ocupando cadeiras na atual legislatura é uma coisa de apavorar.

Não perde em nada para o famoso baixo clero da Câmara dos Deputados.

Não formulam nada de substancial, ou de relevância.

Pouco, ou raramente ocupam a tribuna, e quando o fazem, é de arrepiar a debilidade política.

Agem, dentro de seus mandatos, como se fossem algo do tipo vereadores regionais, ocupados com miudezas que atendam municípios de suas bases eleitorais.

E, compoẽm base do atual governo do Estado.

Nas mãos/ cabeças de quem está o povo gaúcho, cruzes !

E aí, é baixo clero prá valer, em todos os sentidos.

Votos a favor trocados por kit asfalto, obras e serviços em suas bases, um punhado de CCs prá chamar de seus, e vai descendo.
O fundo do poço é longe.

E aí, nesse quadro, é que vem a pergunta:

É essa gente que vai decidir o futuro da Corsan, da Procergs e do Banrisul ?

Agora que a PEC que retirava a obrigatoriedade de plebiscito para vender estatais foi aprovada, o governo do Estado virá com o prato pronto dos projetos para torrar parte do patrimônio essencial para o desenvolvimento social e econômico mais justo dos gaúchos.

Para serem, obviamente, carimbados com um sim pela sua base na Assembléia.

Tchê !

É este ajuntamento de energúmenos, de anões políticos, que vai, teoricamente, analisar este tema absolutamente definidor do futuro do Estado, enquanto ente promotor ou indutor de desenvolvimento social e econômico ?

Tem gente ali que não conseguiria pontuação mínima em avaliação de nível de ensino médio.

Muito menos entender de visão estratégica de Estado.

Mas que barbada para o governo uma base de apoio dessas.

É só colocar interesses localizados em bases eleitorais desta turma no balcão, que sai negócio na hora.

Olha… no fundo…. acho que uma boa parcela da população gaúcha tem que rever esta falsa afirmação de que somos o povo mais politizado no país.

Porque para eleger uma quantidade tão grande de cabeças de bagre para ocuparem cadeiras no parlamento gaúcho, não pode ter muita consciência política.

E neste quadro atual de coisas, e projetando 2022, dá para se pensar em como fazer uma mudança drástica, para melhor, na composição da próxima legislatura da Assembléia gaúcha ?

Vai sair lasca..

Mas…. quem sabe conseguimos essa façanha, para servir de modelo a toda terra.

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