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A novidade é o velho voltando – Portal Plural
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Paulo Schultz

A novidade é o velho voltando

Paulo Schultz

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A velha direita clássica representada no PP, no Dem, e os partidos do pragmático “centrão” foram os grandes vencedores das eleições municipais esse ano no Brasil.

O mapa das votações dos partidos, das prefeituras conquistadas, do número de cadeiras conquistadas em câmaras de Vereadores, aponta claramente isso.

O bolsonarismo minguou.
Parece ter voltado ao seu tamanho de gueto.
E há várias razões para isso.

Uma delas é a incapacidade de formulação de propostas e de fazer política do bolsonarismo raiz.

É notório que a quase totalidade dos bolsonaristas raiz tem um vocabulário menor do que o vocabulário de um papagaio bem treinado.

E aí fica difícil fazer política e formular propostas.
Sobre o bolsonarismo e seu resultado raquítico nessa eleição de 2020, é isso.

Por outro lado, é preciso também considerar uma retração em números da esquerda.
E aqui cabe frisar, que esta retração em números é relativa, pois há que se contar a presença da esquerda em dezenas de disputas no segundo turno, em capitais(como São Paulo) e outras cidades de porte médio e importantes do país.

Mais: se no primeiro turno houve uma retração numérica da esquerda, há também que se considerar uma importante e promissora renovação de quadros, a partir da eleição de muitas figuras políticas novas da esquerda, com muita força para a eleição de muitos candidatos e candidatas vindos das periferias, além de oriundos de minorias.

Há um germinar dentro da esquerda, como um todo.
O que, de forma simbólica e na prática, significa fôlego, resistência, capacidade de renovação e crescimento consistente.

Como diz Lulu Santos, ” a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito”.

Ou seja, em ciclos longos ou curtos, ondas políticas de direita, de centro, de esquerda, de extrema direita, se revezam dentro da sociedade.

O país saiu de um ciclo extenso de esquerda, que terminou de maneira forçadamente interrompida, para entrar num período de transição neoliberal, e, em seguida, em um período de extrema direita, inconsequente e incapaz, que, me parece, será um período único, sem repetição.

E chegamos a este ano de 2020, com a velha direita e o velho centrão ganhando terreno dentro da sociedade brasileira.

Ainda precisa de tempo para ter todos os fatores que compuseram a vitória deste grupo político de centro-direita.

É preciso passar ainda pelo segundo turno, e é preciso, sobretudo, fazer análises locais, e ao mesmo tempo nacionais, dos fatores que levaram a este resultado político no país.

Os próximos dias e semanas, juntamente com a reflexão necessária, nos darão estas respostas.

Mas no início dessa reflexão, deve-se começar com perguntas e observações:

Por quê a maioria do eleitor brasileiro optou pela velha direita clássica, e pelo fortalecimento da força política do centrão ?

Considerando que estas forças políticas são pragmáticas e, ao mesmo tempo, aliadas, submissas e servidoras do poder econômico, e dos interesses mais espúrios e nojentos deste.

Que debilidade social e financeira, que fragilidade de consciência, levou a maioria do eleitorado brasileiro a optar por quem faz campanhas e conquista vitórias eleitorais alicerçado na coação, na pressão, na compra de voto com dimheiro vivo ou de maneira indireta, e na trapaça sob as mais variadas formas?

Que guinada fez parte majoritária da população trazer o velho de volta, como se novidade fosse?

São perguntas de fundo, são observações iniciais, que devem abrir o processo de reflexão para entender o resultado político destas eleições municipais de 2020.

O fato é que teremos, em milhares de municípios e de câmaras de vereadores, pelo país afora, a velha maneira da velha direita e do velho centrão predominando.

E o resultado disso, para a grande maioria da população, não será bom, inevitavelmente.

Quando um ciclo novo vem, trazendo o velho de volta, temos uma espécie de retorno de algo que nunca colocou o país em um bom rumo.

Será que vale a pena tomar remédio ruim de novo?

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Paulo Schultz

Dinheiro na mão é vendaval

Paulo Schultz

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Para quem faz campanhas eleitorais baseadas e aliadas ao poder econômico, dinheiro na mão é vendaval.

Um vendaval destrutivo e nefasto.

Porque este dinheiro, sendo utilizado para corromper e sabotar o desejo e a esperança de milhares, é como um vendaval que vem para destruir a possibilidade de um futuro digno de muita gente.

É um dinheiro cínico, porque quem o oferece sabe disso.

Sabe que está pisando em cima da dignidade de milhares de pessoas.

Sabe que está oferecendo um alívio momentâneo para as mazelas, carências e necessidades das pessoas, e ao mesmo tempo, está ceifando a possibilidade de que estas pessoas tenham cidadania e dignidade de forma duradoura nas suas vidas.

Todo período eleitoral eles aparecem: os operadores da ação pesada e fria da distribuição do dinheiro que o poder econômico dispõe para fazer impor a sua vontade e fazer maioria suficiente para que seu projeto vença.

Entram no período eleitoral de forma sorrateira, e à medida que este período avança, e se aproxima do finalmente, vão aumentando o volume, vão intensificando e apertando o cerco, avolumando recursos para garantir o seu objetivo: pisar na vontade das pessoas e impor-se.

Enfrentar esta força é uma tarefa dura, tensa, mas é a tarefa necessária.

É tarefa de quem se propõe a respeitar as pessoas, tratá-las com a humanidade e a sensibilidade de quem quer cidadania para todos.

Enfrentar essa força é querer conter com firmeza o vendaval que ela produz na mente de milhares – um vendaval imposto por cédulas de dinheiro transportadas nas mãos dos operadores desta ação disruptiva.

Que no encerramento deste período eleitoral, após esse duro embate, entre o vendaval endinheirado de quem está aliado ao poder econômico, e a força solidária dos que querem respeito e cidadania para todos, vença a força solidária, pois é ela que quer construir, afirmar a possibilidade para todos.

Ao trabalho.

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Paulo Schultz

Em 2016 eu morri, mas em 2020 eu não morro

Paulo Schultz

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Ninguém vai fraudar, nem sabotar a alegria e o desejo de milhares.

Sim, irão tentar fazer, pois isso é da natureza de quem habita o mundo do poder econômico: sabotar a alegria e tolher o desejo e a esperança de quem quer vida melhor e cidadania, oferecendo a mordaça do dinheiro instantâneo.

Só que há coisas demais a serem feitas.
Há coisas básicas da dignidade e da cidadania que vem sendo relegadas.

E isso tem um limite de suportabilidade.

Chega um momento em que o copo da paciência transborda.

E quando isso acontece, não há poder econômico, nem coação que consigam suprimir a vontade da maioria.

Quando a mensagem política vem com leveza, força e sinceridade, e encontra eco e reciprocidade na alma do anseio popular, o poder econômico não consegue se sobrepor.

Há uma caravana que percorre diariamente ruas e caminhos, que percorre virtualmente redes, que dialoga com sinceridade, e ganha a dimensão da vontade de milhares.

Sobe e desce, avança e se movimenta, como a força de tração de um jipe.

Uma legítima caravana que carrega alegria, determinação, e muito mais.

Ela vem com muitas cores, sem excluir nenhuma, porque o que se quer é pluralidade.

Não me venham com a falsidade embotada, tão mentirosa quanto suas fake news.

Querem coagir: pois, tentem.

Dessa vez, não.

Se aquela parcela da população, que mais precisa de dignidade e cidadania, já transbordou o balde da paciência e definiu que agora é a sua vez, assim será.

Com licença, senhores do topo econômico e social, há uma expressão única que sintetiza a esperança e o anseio de milhares:

“Em 2016 eu morri, mas em 2020 eu não morro.”

Com alegria e com a firmeza necessária, a esperança vai vencer.

Ao trabalho.

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Paulo Schultz

Dias melhores

Paulo Schultz

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Só quem sabe se colocar no lugar de quem sofre por alguma situação ou condição, sabe o que é proporcionar dignidade.

Somente quem se dispõe a ouvir para decidir, sabe o que é consideração.

O tempo que virá no pós pandemia será de dificuldades, carências e ausências, tanto no aspecto econômico, quanto no social.

Por isso, é preciso que os governos locais sejam tocados por quem tem uma sensibilidade de gerenciamento de políticas públicas focadas, principalmente, nas pessoas.

Com uma amplitude de quem vê o humano em primeiro lugar.

Com a amplitude de quem quer que resultados de uma retomada do desenvolvimento econômico seja alcançável para todos.

Com a amplitude de quem quer, por exemplo, que uma obra de pavimentação de uma rua seja comemorada pelo benefício estendido às pessoas, e não pelo negócio feito pela empreiteira que executou a obra.

Essa é uma diferença vital.

Entre quem promove obras e serviços tendo o humano, a dignidade e a cidadania como fim, e quem promove obras e serviços celebrando os negócios de quem realizou estas obras ou serviços.

Uma diferença sutil e ao mesmo tempo colossal de visão de sociedade, de conceito de cidadania.

É preciso que, pelo país afora, desde as pequeníssimas cidades até as maiores metrópoles, se estabeleçam vitórias populares, se rompa com os vícios do clientelismo que só gera dependência, se faça sobrepor a participação e a construção coletiva sobre o egoísmo, se mitigue fortemente a cultura do ódio e se apresente uma cultura de respeito às diferenças.

O país como um todo entrou em um ciclo descendente, nos últimos anos recentes.

Preponderou a crise, a retirada, a precariedade, a estupidez, a ignorância fundamentalista e o ódio promotor de violência e morte.

A partir dos municípios, a partir dos governos locais, esse ciclo ruim deve ser gradativamente extinto.

Porque não há mal, nem desconforto ou sofrimento que deva durar para sempre.

E as pessoas, sobretudo quem mais precisa, merecem mais, merecem outra condição.

Por isso, eu creio: construir vitórias populares nas eleições municipais é dar um passo firme em direção a dias melhores.

E aqui não se trata de esperar, se trata de construir junto, com alegria e protagonismo.

Temos pouco mais de duas árduas semanas até lá.

E os dias melhores virão.

Ao trabalho.

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