A HORA DO APLAUSO

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O Sexto Concerto da Série Interior realizado na noite do dia 25 de outubro marcou a volta da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre à Santa Rosa depois de cinco anos. No programa, obras de Verdi, Handel, Mozart, Grieg, Bizet e Strauss pela regência de Arthur Barbosa, que também é regente titular da Orquestra Eleazar de Carvalho, em Fortaleza, e do projeto “Terra Symphony Orchestra”, em Nova York. Como era de se esperar, uma apresentação impecável em pouco mais de uma hora de duração, iniciando com a abertura da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi. Há de se destacar a excelência dos instrumentistas na apresentação da peça “Suíte Peer Gynt”, do célebre compositor norueguês Edvard Grieg, e da “Suíte n° 2”, da ópera Carmem, de Georges Bizet.. O concerto se encerrou em clima animado com a execução de uma das mais populares polcas vienenses de Johann Strauss II: “Tritsch-Tratsch-Polka. Há de se destacar também a participação solo do tenor brasileiro Francisco Amaral, em suas performances da ópera “Every Valley Shall Be Exalted”, de Handel, e “Dies Bildnis Ist Bezaubernd Schön”, de Mozart.

A cidade saiu engrandecida com mais esta apresentação, digna das grandes salas de concerto do país. Em se tratando de um espetáculo executado por dezenas de músicos com seus violinos, violoncelos, contrabaixo, flautas, oboés, clarinetes, trompas, trompete, trombones, percussão, necessário um grande palco. Nessa hora não há como não falar da coragem e ousadia do ex-prefeito Antonio Carlos Borges que com seu pensamento visionário projetou e construiu o Centro Cívico Cultural entre o final da década de setenta e a primeira metade dos anos oitenta, antevendo o rápido desenvolvimento da cidade e seu protagonismo cultural.

Os santarosenses que compareceram ao concerto estão de parabéns pelas lições de civilidade e educação que dedicaram aos artistas, seja pela maneira consciente com que partilharam o silêncio necessário a cada ato, na mínima agitação que viesse a atrapalhar a concentração e o trabalho dos músicos, seja no correto manejo dos aplausos.

Era um espetáculo acústico, com restrito uso de microfones, e o público portou-se de forma adequada ao espetáculo proposto, numa demonstração de respeito também à platéia, ciente de que cada gesto ou som inadequado terminaria por interferir na forma e qualidade com que a pessoa sentada à sua frente ou ao seu lado absorveria o espetáculo.

Como resultado desse equilíbrio, a OSPA acabou por despertar nos presentes uma série de reações diferenciadas. Em cada adulto concentrado em um acorde ou arranjo de notas, ou em cada jovem pouco afeito às particularidades do repertório, a satisfação era visível em cada rosto, para o lado que se olhasse, em qualquer canto do teatro.

E aqui faço um adendo para falar da minha surpresa no comportamento dos pequenos que terminaram por aplaudir de forma muito mais contundente a tudo que viram e ouviram. Era visível a surpresa, o espanto, o encantamento e a alegria com que as crianças partilhavam, quem sabe pela primeira vez em suas vidas, daquele tipo de evento, um momento único onde os adultos a sua volta não paravam de aplaudir, calorosamente, com muitos “bravos”, a emoção que sentiam. Os pequenos estavam eufóricos, sorrindo e alguns até dançando contentes.

Falando das crianças, o já mencionado ex-prefeito Antonio Carlos Borges, em seu discurso por ocasião da inauguração de um centro comunitário na Vila Beatriz no ano de 1979, de forma clara e certeira já falava do que, por analogia, agora se aplica ao que aconteceu no teatro no Centro Cívico durante o concerto da OSPA : “Queremos que todas as crianças que por aqui passarem, estudem com carinho, com atenção e com esperança, para que elas, possuídas desse sentimento, entreguem ao futuro a sua inteligência, a sua cultura e a sua energia em favor do desenvolvimento e da valorização permanente da pessoa humana”.

Substituindo ‘estudem’ por ‘ouçam / aprendam’, alguém ainda duvida da capacidade educadora das expressões culturais, aqui em especial, a música? Quantos jovens, talvez, com atenção, aprendizado e esperança, após terem vivenciado algum espetáculo no Centro Cívico, tenham feito suas escolhas profissionais na área da música?

Retornando ao espetáculo, ouso até dizer que depois do talento do regente Arthur Barbosa, a conjunção teatro lotado, orquestra impecável, acústica boa, público respeitoso fez do concerto o acontecimento musical dos últimos meses, sacudindo a mesmice e elevando a auto-estima da cidade.

A qualidade da apresentação foi decisiva para o sucesso da noite, razão pela qual o gerente do SESC, Edsom Flores de Campos, era a visível personificação da alegria ao término do espetáculo, quando no saguão do teatro recebia efusivamente os cumprimentos de todos pela decisão acertada em trazer o espetáculo. Se ao final a orquestra e todos seus integrantes foram aplaudidos calorosamente com muitos “bravos”, estes mesmos “bravos” devem ser direcionados ao SESC pela coragem de mais uma vez encarar o desafio e novamente presentear a cidade, acomodada a ritmos bem menos construídos, com a beleza, sutileza e qualidade da música clássica. Certamente os mais de seiscentos felizardos que se propuseram sair de casa para prestigiar o evento não se arrependeram.

Já o Centro Cívico, renovado pelas novas poltronas, sai revigorado depois de mais esta apresentação. Cumprimentos ao Poder Público na pessoa do Prefeito Municipal Alcides Vicini. Santa Rosa não tem do que reclamar. As vezes pode faltar platéia (coisa complicada de entender essa recusa de cultura), mas não faltam local e eventos marcados pelo conforto e pela qualidade. Todos saem ganhando.

por Tui

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