A gente se omite de fiscalizar

Ao nosso lado, então, é mais fácil ainda. É sacar o celular do bolso, fazer as fotos ou vídeos, e largar na Internet, no Face, no Whats, onde mais puder, afinal, de algum modo logo chegará ao cidadão responsável ou ao gestor público que deve responder pelo mal feito.

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É verdade, sim. Nós, cidadãos, somos omissos na fiscalização social que nos cabe. E essa omissão acaba por beneficiar os infratores.

Um exemplo clássico são as leis municipais, criadas pela Câmara ou pela Prefeitura, com regramentos simples, como não poluir as paradas de ônibus com propagandas de empresas, ou não largar fogos de artifício. Por que não são cumpridas? Por que o cidadão não sabe? Não! Porque o cidadão tem para si que descumprir a lei “não dá nada”.

Eu assumo minha parte de culpa, também. Certo dia vi um advogado cruzar no semáforo com o sinal vermelho. Não liguei para a Brigada. Se bem que as imagens das câmaras de vigilância permitiriam multar o cara (acho?).

Boa parte dos problemas que enfrentamos no Brasil tem a ver com o excesso de leis, concordo, afinal nisso somos especialistas: colocar no papel mecanismos de controle (leis). Mas outra parcela dos problemas decorre da impunidade – e essa tem a ver com a omissão na denúncia.

Mais leis, mais servidores para fiscalizar, logo, máquina pública maior. Não há governo que dê conta de fiscalizar tudo. Aqui entramos nós, cidadãos, convidados a denunciar, a acionar as autoridades. Não é porque ele é juiz que pode estacionar na frente da rampa que dá acesso ao cadeirante.

E, aqui, concordamos todos: talvez jamais tivemos antes tantas ferramentas para fiscalizar, porque a internet está em toda parte.

Os dados públicos estão na internet, em sua maioria. Claro que são necessários alguns conhecimentos técnicos e algumas horas de navegação para pescar as coisas certas, mas dá para saber o que se passa na Câmara, na Prefeitura, no Governo, etc.

Ao nosso lado, então, é mais fácil ainda. É sacar o celular do bolso, fazer as fotos ou vídeos, e largar na Internet, no Face, no Whats, onde mais puder, afinal, de algum modo logo chegará ao cidadão responsável ou ao gestor público que deve responder pelo mal feito.

Sei que é chato e até temerário ser o dedo duro, meter a colher no caldo dos outros, mais ainda em uma sociedade habituada a resolver tudo no soco, faca ou revólver ou a odiar quem se mete.

No entanto, se queremos que não soltem rojões e fogos nos dias de jogos ou festinhas da esquina, é preciso fiscalizar. Não vá esperar que a Prefeitura coloque um fiscal a cada quadra para multar o “mala”. Vale o mesmo para quem vê o fulano deixar lixo e entulhos no terreno baldio! Grave, fotografe e passe aos “caras que resolvem”.

Claro, cuidado para não ficar na mira dos infratores, porque essa história de que o Brasil é um país de gente cordial é mentira, se assim fosse não teríamos 60 mil assassinatos por ano.

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