“Precisamos olhar mais pelo próximo”, afirma delegada Caroline Bamberg Machado

Em palestra na Setrem, delegada responsável pelo Caso Bernardo disse que é preciso denunciar casos de violência doméstica para evitar novos crimes e salvar vidas

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Para fechar com chave de ouro a 2ª Semana Acadêmica de Direito, o curso superior em Direito da Setrem e o Departamento Acadêmico de Direito (DADI) promoveram na sexta-feira, 7 de junho, uma palestra com a delegada Caroline Bamberg Machado, responsável pela investigação da morte do menino Bernardo Uglione Boldrini.

Atualmente na Delegacia de Polícia Regional de Cruz Alta, a delegada apresentou detalhes da investigação, falou sobre a atuação da Polícia Civil e as condutas adotadas neste caso que teve repercussão internacional. Participaram do evento profissionais, estudantes da Setrem e demais instituições de ensino, bem como a comunidade em geral.

De acordo com Caroline, com a grande repercussão houve bastante cobrança pela parte da população e isso ajudou, de certa forma, mas também pesou para todos os policiais que participaram da investigação. “Estávamos em uma corrida contra o tempo, a cada dia que passava seria mais difícil de encontrar uma solução e dar uma resposta à sociedade, baseada na verdade. Então era uma pressão que nos estimulava e, ao mesmo tempo, deixava o trabalho mais pesado e complicado”, afirmou.

O Caso Bernardo se refere ao crime ocorrido no dia 4 de abril de 2014, quando Bernardo Uglione Boldrini foi assassinado por superdosagem do medicamento Midazolam. O caso aconteceu entre as cidades de Três Passos e Frederico Westphalen.

Ele foi morto aos 11 anos de idade, tendo seu corpo sido encontrado 10 dias depois, no dia 14 de abril de 2014, numa cova feita num matagal, no interior de Frederico Westphalen. Foram acusados e condenados pelo crime o pai Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, a amiga dela, Edelvânia Wirganovicz e o irmão desta, Evandro Wirganovicz.

Com essa investigação, a delegada Caroline comentou que é preciso um olhar mais apurado do que está acontecendo com pessoas que estão ao nosso redor. “Como lição de vida desta investigação eu percebi que a gente tem que olhar mais pelo próximo. Ao contrário do que diz o ditado, precisamos ‘meter a colher’ e denunciar casos, por exemplo, de violência doméstica, mesmo que suspeitos. Hoje em dia é muito mais fácil denunciar, de maneira anônima. Com isso podemos estar salvando vidas”, destacou.

Para a coordenadora do curso de Direito da Setrem, Danielli Scarantti, a palestra de encerramento da Semana Acadêmica foi um dos momentos mais significativos para aproximar os laços com a sociedade. “A delegada Caroline compartilhou a experiência da Polícia Civil na investigação do caso Bernardo com os acadêmicos de Direito e com profissionais das mais diversas áreas que estiveram presentes. O auditório foi lotado por nossos estudantes e pela comunidade regional que demonstrou interesse na discussão”, afirmou.

Novas reflexões

A 2ª Semana Acadêmica de Direito proporcionou aos estudantes experiências além da sala de aula, por meio de minicursos, mostra de trabalhos acadêmicos, Cine Fórum e palestra. Foram cinco noites de atividades diferenciadas para discutir, principalmente, mediação, conciliação, direitos humanos, cidadania, processo civil, elaboração de trabalhos científicos e investigação criminal.

“Nosso objetivo de promover novas reflexões foi atingido. Além disso, constatamos que o evento também serviu como inspiração para muitos estudantes. Exemplo disso é que já estamos com duas acadêmicas providenciando a matrícula em um curso de mediação e conciliação, em Porto Alegre. Segundo elas, o motivo foi um dos minicursos que ofertamos”, acrescentou Danielli.

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