Mulheres elevam autoestima em grupos dedicados a atividade física e arte no RS

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Em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, um espaço para a prática de boxe é dedicado somente a mulheres. A iniciativa é da técnica Carla Silva, e existe há seis anos. A ideia principal, segundo ela, é deixar as participantes à vontade. Algumas aulas são gratuitas, caso a mulher não tenha condições financeiras no momento.

“A ideia então não é só simplesmente isolar as mulheres dos homens, é que elas tenham um espaço delas, de encontro delas. Isso, de conversa, de rir, de poder gritar alto, vir com a roupa que ela quer. Essas coisas que eu gosto, de elas de sentirem à vontade aqui”, explica Carla.

A doméstica Maria de Fátima da Silva é uma das participantes. “Eu posso dizer assim: eu não sinto mais stress, não sinto mais dores. Está excelente. A Carla apareceu na nossa vida, de todas nós. Foi um presente de Deus”, diz.

A estudante Carolina de Fátima Soares de Farias encontrou no boxe uma maneira de recuperar a autoestima. Ela conta que sofria com bullying na escola.

“Mudou a autoestima em primeiro lugar. Eu cheguei bem pesada aqui, cheguei com 78 kg, e agora estou com 57. Deu uma reforçada na autoestima, que foi bacana. Um reforço no psicológico, principalmente, e empodera de alguma forma”, afirma.

O centro de treinamento de Carla fica na Avenida Senador Salgado Filho, número 543.

Literatura, arte e conhecimento em Porto Alegre

Já na Capital, o fortalecimento de mulheres acontece com literatura, arte e conhecimento por meio do Coletivo Feminino Plural, que existe há mais de 20 anos.

“A gente promove saraus, a gente tem um ponto de cultura feminista que é o único do Brasil”, diz a coordenadora executiva do projeto, Leina Peres. “Para nós é importante ter um espaço cultural e de trabalho com acessibilidade, que traga essa segurança. A gente não atende mulheres, a gente acolhe mulheres no coletivo. Toda mulher que bater na porta a gente vai acolher”, acrescenta.

“A gente entende a importância das políticas públicas, entende a importância de se manter espaços específicos que essas mulheres possam alcançar, sobretudo no campo da violência contra as mulheres. Mas a gente entende também que atividades feministas devam existir cada vez mais, espaços como este, espaço de mulheres que estejam abertos para que outras mulheres possam chegar com as suas diferenças, dentro da sua diversidade”, diz a psicóloga e também coordenadora do coletivo, Teresa Cristina dos Santos.

Espaço foca em arte e literatura para mulheres em Porto Alegre — Foto: Reprodução/RBS TV

Espaço foca em arte e literatura para mulheres em Porto Alegre.

Vítima de violência, a aposentada Carol Santos frequenta o grupo desde 2012. “São poucas as políticas públicas voltadas para o recorte de gênero, para as mulheres com deficiência. As políticas existem, mas elas não dão conta. Eu me tornei uma mulher com deficiência por causa de uma violência sofrida. No momento em que eu conheci o coletivo, eu comecei a ampliar o meu entendimento, saí daquela questão da culpabilização, mas me entendendo enquanto vítima, e que eu poderia fazer muita coisa pelas mulheres. No caso, é o que eu venho fazendo”, relata.

“É aqui nesse espaço que eu me vejo, é aqui nesse espaço que eu me fortaleço”

O Coletivo Feminino Plural é uma organização feminista não governamental, fundada em 1996 por um grupo de mulheres identificadas com a luta pelos direitos humanos e cidadania de mulheres e de meninas. O local fica na General Andrade Neves, 159, no Centro da Capital.

fonte: G1

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